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1075 Words
Fênix permaneceu parada no meio do quarto, os braços cruzados e a expressão fechada. — Eu não vou ficar aqui. Street fechou a porta atrás deles sem demonstrar irritação. — Você já disse isso. — E vou repetir quantas vezes forem necessárias. — Ótimo — respondeu Vandal. — Porque eu adoro ouvir você reclamar. É praticamente uma canção de ninar. Fênix lançou um olhar mortal para ele. — Eu adoraria te empurrar pela janela. Vandal sorriu. — Está vendo? Cinco anos longe e continua carinhosa. Ela bufou. — Você continua insuportável. Oslo passou a mão pelos cabelos ruivos antes de encará-la. Aos trinta anos, Oslo era o mais rígido dos três. Alto. Dois metros exatos. O corpo musculoso moldado por anos de treinamento e batalhas. Braços tatuados, ombros largos e uma presença tão dominante que fazia lobos experientes abaixarem a cabeça automaticamente. Os olhos verdes dele voltaram para Fênix. — Você vai ficar. — Não vou. — Vai. — Não. — Vai. — Não. — Vai. Fênix estreitou os olhos. — Você é irritante. — E você é teimosa. — Eu odeio você. — Você diz isso desde os doze anos. Vandal soltou uma gargalhada. — Na verdade, desde os dez. — Eu tinha motivos! — rebateu ela. — Você achava que eu implicava com você porque escondia sobremesa. — Porque você escondia sobremesa! — Eu escondia porque você roubava tudo. — Eu era uma criança! — Agora é uma adulta que continua roubando sobremesa. Fênix abriu a boca para retrucar. Depois fechou. — Isso não vem ao caso. Street levou a mão ao rosto, contendo um sorriso. Com trinta e dois anos, ele era o mais velho. E o mais sensato. Loiro, olhos claros e expressão tranquila. Dois metros de altura, físico forte e definido sob a camisa escura, o corpo marcado por tatuagens discretas que desapareciam sob as mangas. Mesmo sendo considerado um dos Alfas mais perigosos do território, Street raramente levantava a voz. Ele observou Fênix. — Você está cansada. — Não estou. — Está com fome. — Não estou. — Você está tremendo desde que entrou aqui. Fênix imediatamente escondeu as mãos atrás das costas. — Não estou tremendo. Street apenas a encarou. Ela desviou o olhar. — Você continua irritantemente observador. — E você continua achando que consegue esconder tudo. Vandal caminhou até a janela. Aos vinte e nove anos, era o mais novo dos três. E, provavelmente, o mais impulsivo. Os cabelos pretos contrastavam com os olhos escuros e o sorriso sarcástico quase permanente. Dois metros de altura. Musculoso. Tatuagens cobrindo os braços e parte do pescoço. Era bonito de um jeito perigoso. O tipo de homem que atraía problemas. E os resolvia usando os punhos. Ele olhou para Fênix. — Então... você fugiu para salvar a gente. Ela ficou imediatamente na defensiva. — Eu não disse isso. — Você literalmente disse isso. — Não exatamente. — Fênix... — Não! Vandal suspirou dramaticamente. — Como eu senti falta disso. Ela piscou. — O quê? — Das discussões sem sentido. Fênix pareceu genuinamente confusa por um segundo. — Vocês deveriam estar furiosos comigo. Os três ficaram em silêncio. Oslo respondeu primeiro. — Nós ficamos. A voz dele perdeu parte da rigidez. — Procuramos você por cinco anos. Street completou: — Pensamos que estava morta. Vandal desviou os olhos para o chão. — E isso destruiu a alcateia. Fênix engoliu em seco. Pela primeira vez desde que chegou, ela não respondeu imediatamente. Então ergueu o queixo outra vez. — Mesmo assim, eu ainda quero ir embora. Oslo soltou o ar lentamente. — Claro que quer. — Porque vocês mandam demais. — Porque você não obedece nada — respondeu ele. — Porque eu não sou propriedade de ninguém. O silêncio caiu sobre o quarto. Street deu alguns passos até parar diante dela. Apesar dos dois metros de altura e da presença intimidadora, sua voz permaneceu calma. — Você tem razão. Fênix piscou. — O quê? — Você não é propriedade de ninguém. Ela ficou surpresa. — Então... — Mas faz parte desta alcateia — continuou ele. — E nós fazemos parte da sua vida, queira você ou não. Os olhos dela brilharam de irritação. — Continuo querendo ir embora. Vandal cruzou os braços. — Continua sendo baixinha e mandona também. — Eu não sou baixinha! Os três homens olharam para ela. Depois olharam um para o outro. Dois metros de altura. Três Alfas gigantes. Fênix, com seus um metro e sessenta e poucos, precisou inclinar o rosto para encará-los. Vandal arqueou uma sobrancelha. — Você é minúscula. — Eu sou compacta! Oslo passou a mão pelo rosto para esconder um sorriso. Street realmente sorriu dessa vez. Fênix arregalou os olhos. — Vocês estão rindo de mim? — Sim — respondeu Vandal. — Com certeza — confirmou Oslo. Street inclinou levemente a cabeça. — Um pouco. Ela apontou o dedo para os três. — Vocês são impossíveis. Oslo respondeu imediatamente: — E você é nossa maior dor de cabeça. Vandal sorriu de lado. — A mais bonita também. Fênix ficou vermelha de raiva. — Não me elogiem! — Como quiser — disse Street. — Continua bonita. — Continua irritante — acrescentou Oslo. — Continua assustando metade do reino com essa cara de quem quer m***r alguém — completou Vandal. Ela apertou os punhos. As pequenas faíscas douradas voltaram a dançar entre seus dedos. Magia de fada. Magia de bruxa. Magia antiga. Perigosa. Os três Alfas perceberam imediatamente. Mas, ao invés de recuar, apenas permaneceram ao lado dela. Sem medo. Sem exigências. Com a mesma paciência que tiveram desde que aquela menina rebelde de quatorze anos entrou em suas vidas. Fênix os encarou por longos segundos. Depois virou o rosto. — Só para deixar claro... — Sim? — perguntou Street. — Eu ainda pretendo fugir. Vandal soltou uma risada. — Claro que pretende. — E eu vou conseguir. Oslo cruzou os braços. — Claro que não vai. — Aposta? Street observou a determinação teimosa nos olhos dela e respondeu tranquilamente: — Então vamos descobrir quem é mais persistente. Fênix ergueu o queixo. — Sou eu. Os três Alfas trocaram olhares. Então Vandal respondeu com um sorriso sarcástico: — Cinco anos procurando você e ainda estamos aqui. Oslo completou: — Nós temos séculos de paciência. E Street concluiu, olhando diretamente para ela: — E desta vez, Fênix... não vamos desistir de você, mesmo que você continue tentando nos expulsar da sua vida todos os dias.
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