Estou chefiando esta investigação — disse Rizzoli. Moore escutou o tom de alerta na declaração da mulher; estava protegendo seu território. Moore sabia o que originava essa atitude; compreendia que os insultos e reprimendas que as mulheres policiais costumam ouvir podem deixá-las ávidas por assumir a ofensiva. Na verdade, não tinha qualquer propósito de desafiá-la. Eles teriam de trabalhar juntos neste caso e ainda era cedo demais para uma batalha por poder. — Pode me colocar a par das circunstâncias? — disse Moore, tomando o máximo de cuidado para manter um tom respeitoso. Rizzoli fez que sim com a cabeça. — A vítima foi encontrada às nove horas da manhã de hoje, em seu apartamento na Worcester Street, na Zona Sul. Costuma chegar ao trabalho por volta das seis, na floricultura Celebration, que fica a alguns quarteirões de sua residência. É um negócio de família, de propriedade de seus pais. Quando ela não apareceu, os pais ficaram preocupados. O irmão foi até a casa dela ver se estava tudo bem. Ele a achou no quarto. O Doutor Tierney calcula a hora da morte como alguma coisa entre a meia-noite e
as quatro da manhã. Segundo a família, ela não tinha namorado no momento e ninguém do seu prédio se lembra de vê-la recebendo visitas masculinas. É apenas uma garota católica e trabalhadora. Moore olhou para os pulsos da vítima. — Ela foi imobilizada. — Sim. Silver tape nos pulsos e tornozelos. Foi encontrada nua. Usava apenas algumas jóias. — Que jóias? — Um colar. Um anel. Brincos. A caixinha de jóias no quarto estava intocada. O motivo não foi roubo. Moore olhou para a faixa horizontal de abrasão sobre os quadris da vítima. — O tronco também foi imobilizado. — Silver tape na cintura e no alto das coxas. E sobre a boca. Moore exalou longamente. — Meu Deus. — Fitando Elena Ortiz, Moore teve um lampejo de outra moça. Outro cadáver: uma loura com talhos vermelhos na garganta e no abdômen. — Diana Sterling — murmurou. — Eu já peguei o relatório da autópsia de Sterling — disse Tierney. — Caso você precise estudá-lo. Mas Moore não precisava. O caso Sterling, no qual ele tinha sido o detetive encarregado, jamais havia saído de sua cabeça. Um ano atrás, Diana Sterling, trinta anos, funcionária da agência de turismo Kendall e Lord, fora descoberta nua e amarrada à sua cama com silver tape. A garganta e a parte inferior do abdômen tinham sido cortadas. O assassinato permanecia não resolvido. O Dr. Tierney direcionou a lâmpada de exame para o abdômen de Elena Ortiz. O sangue tinha sido enxugado previamente, e as bordas da incisão tinham um tom rosa-claro. — Evidência de resíduo? — indagou Moore. — Colhemos algumas fibras antes de lavarmos o corpo. Havia um fio de cabelo colado à margem do ferimento. Moore olhou para ele com interesse súbito.
Da vítima?