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577 Words
A mulher da limpeza deve ter mudado ele de lugar. — E outra coisa que está me deixando maluca é que não consigo achar meu estetoscópio. — Ainda está sumido? — Tive de pedir emprestado o da supervisora de enfermagem. Preocupado, Peter correu os olhos pela sala. — Bem, lá está. Na estante. Ele caminhou até a estante, onde o estetoscópio de Catherine estava enrolado ao lado de um suporte de livros. Em silêncio, Catherine pegou o estetoscópio, fitando-o como se fosse alguma coisa alienígena. Uma serpente n***a, dependurada de sua mão. — Ei, qual é o problema? Ela respirou fundo. — Acho que estou apenas cansada — disse Catherine, e colocou o estetoscópio no bolso esquerdo do jaleco: onde sempre o deixava. — Tem certeza de que é só isso? Tem mais alguma coisa acontecendo? Preciso ir para casa. Catherine saiu do escritório, e Peter a seguiu para o corredor. — Tem alguma coisa a ver com aqueles policiais. Olhe, se está com algum tipo de problema... se eu puder ajudar... — Eu não preciso de ajuda, obrigada. — A resposta saiu mais fria do que pretendia, e ela instantaneamente se arrependeu. Peter não merecia isso. — Sabe, eu não me importaria se você me pedisse favores de vez em quando — disse Peter sereno. — Faz parte de nosso trabalho juntos. De sermos parceiros. Não acha? Ela não respondeu. Peter voltou para a sua sala. — Então nos vemos amanhã de manhã. — Peter? — Sim? — Sobre os dois policiais. E o motivo por que vieram me ver... — Você não precisa me contar. — Preciso, sim. Se eu não fizer isso, você vai ficar preocupado demais, tentando adivinhar. Eles vieram falar comigo sobre um caso de homicídio. Uma mulher foi assassinada quinta-feira à noite. Eles acharam que eu talvez a conhecesse. — E conhecia? — Não. Foi um engano, só isso. — Ela suspirou. — Um mero engano. Catherine passou a trava na porta, ouvindo com prazer o som que ela fazia ao se encaixar. Em seguida colocou a corrente. Mais uma linha de defesa contra os horrores inomináveis que espreitavam além de suas paredes. Segura em seu apartamento, tirou os sapatos, colocou a bolsa e as chaves do carro na mesa de cerejeira e caminhou apenas de meias pelo tapete branco até a sala de estar. O apartamento era agradavelmente frio, graças ao milagre do ar-condicionado central. Lá fora fazia 30°, mas ali dentro a temperatura jamais ficava acima dos 22º no verão ou abaixo de 22º no inverno. Havia muito pouco na vida que podia ser planejado e predeterminado, e ela fazia tudo que era possível para manter a ordem em sua vida. Catherine escolhera seu edifício de doze apartamentos na Commonwealth Avenue porque era novo em folha, com um estacionamento seguro, embora não tão bonito quanto as residências históricas em Back Bay. Aqui ela não era atormentada pelas incertezas do abastecimento de água e energia elétrica dos prédios mais antigos. Incerteza era uma coisa que Catherine não tolerava bem. Seu apartamento era mantido impecavelmente limpo, e, exceto por algumas explosões de cor, ela resolvera mobiliá-lo quase todo em branco. Sofá branco, tapetes brancos, azulejos brancos. A cor da pureza. Intocado, virgem. No quarto ela se despiu, pendurou a saia, separou a blusa para deixá-la na lavanderia. Colocou calças compridas folgadas e uma blusa de seda sem mangas. Quando entrou descalça na cozinha, sentia-se calma, com tudo sob controle.
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