Capítulo 10 — A operação

363 Words
A manhã começou silenciosa demais. Ingrid estava na faculdade quando recebeu a notícia de que havia movimentação intensa no Morro do Papagaio. Dessa vez, ela tinha celular. As mensagens chegavam sem parar. Operação policial. Ruas fechadas. Moradores presos dentro de casa. Ela tentou ligar para Felipe. Nada. Tentou novamente. Nada. O medo voltou com a mesma força do primeiro dia. No Morro das Pedras, Sérgio também recebeu a notícia. Ele conhecia aquele tipo de operação. Sabia que o Papagaio estava em uma situação delicada. Também sabia que Felipe tinha decidido abandonar aquela vida, mas ainda estava preso às consequências dela. Sérgio reuniu seus homens. Não para iniciar uma guerra. Não para tomar território. Queria impedir que moradores fossem usados como escudo e criar uma passagem segura para famílias que precisassem sair. A movimentação surpreendeu até os próprios aliados. — Tufão, você tem certeza? — Tenho. — Isso pode começar uma guerra. Sérgio respondeu: — Guerra já começou. Eu quero terminar. Enquanto isso, Felipe tentava manter as pessoas afastadas das áreas de confronto. Quando soube que Sérgio estava ajudando, ficou desconfiado. — Por que ele tá fazendo isso? Um homem respondeu: — Pela filha dele. Felipe ficou em silêncio. Talvez fosse a primeira vez que via Sérgio não como rival, mas como pai. A operação durou horas. O medo dominou o morro. Ingrid passou o dia tentando conseguir informações. Quando finalmente Felipe conseguiu falar com ela, sua voz estava cansada. — Eu tô vivo. Ela fechou os olhos. — Graças a Deus. — Seu pai tá ajudando. — Eu sei. — Ele salvou muita gente hoje. Ingrid começou a chorar. Não por medo. Por uma sensação difícil de explicar. O pai que havia desaparecido para protegê-la agora estava colocando a própria posição em risco para proteger a comunidade. E o homem que ela amava estava tentando fazer o mesmo. Naquela noite, Felipe e Sérgio se encontraram. Nenhum dos dois falou por alguns segundos. Sérgio estendeu a mão. Felipe apertou. — Pela Ingrid — disse Sérgio. — Pela comunidade — respondeu Felipe. Aquele aperto de mãos não apagava anos de conflitos. Mas abria uma porta. A porta para uma paz que ninguém acreditava ser possível.
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