Quando voltei para casa depois daquela louca me bater, eu vim pensando que Tommy tem razão, eu não posso ficar m*l por causa do meu ex namorado. Ele não merece nenhuma lágrima minha. Porém ainda tenho o desejo de não viver mais dentro de mim.
Eu queria tanto que alguém me amasse, desse a vida por mim. Mas acho que antes que isso aconteça eu tenho que mudar. Tenho que cuidar mais de mim. Tenho que me amar. Por isso não tentarei nada mais contra mim, mesmo porque não adianta, sempre tem alguém para me salvar.
No outro dia, dei um jeito de ir ao salão. Comecei minha mudança pelo meu cabelo. Pintei de castanho escuro. Acabei com minhas madeixas loiras. Gostei do resultado. Renovei todo meu guarda roupa.
Fui a igreja agradeci o pastor por me salvar, e ele me perguntou se eu tenho trabalho para ocupar a minha mente. Disse que não, mas iria procurar. Ele disse que tinha uma escola infantil precisando de uma professora.
Achei estranho, mas aceitei. Acho que só faltava essa no meu currículo. Apesar de ser formada em administração de empresas e nunca exercer a profissão, acho que dará certo trabalhar com crianças.
Antes de passar na escola, eu fui ao hospital pagar a minha dívida. Porém, ao chegar lá, me disseram que a conta já havia sido paga pelo Sr Phillips. Que nem sei quem é. Mas, depois resolvo isso. Preciso devolver o dinheiro para ele.
Ao sair do hospital, vou a tal escola infantil. Converso com a diretora, e ela me dá a vaga.
Ótimo agora já estou empregada. O salário é ótimo, já que se trata de uma escola infantil para os filhos de ricos.
Conheci tantas crianças, que acho que me apaixonei por cada uma delas, e uma em especial, Lara Robinson Phillips, ela não para de me contar da sua família, e que tem um titilio muito lindo, e que eu deveria conhecer.
Como pode uma menina de 3 anos falando dessa forma? Não disse nada a ela, pois ela é uma criança, e deve está falando por falar. Deve adorar esse tio demais.
O pastor tinha razão em que eu deveria ocupar minha mente. Passo o dia todo na escola, não tendo tempo para pensar em nada. Mas ao chegar em casa, noto minha solidão, meu vazio retorna a preencher meu coração.
Choro muito, todas as noites. Acho que deveria ocupar as noites também.
Comecei a sair, ir ao cinema, as baladas, ficar no shopping até ele fechar e chegava em casa tudo estava vazio, meu coração estava vazio.
Comecei a tomar antidepressivos. E assim pude cessar essa dor em meu peito, me afundando na cama e dormindo até o dia clarear. Sempre colocava meu relógio para despertar, com medo de atrasar para meu trabalho. E assim eu vou vivendo.
Meus dias estavam passando rápido demais.
Um certo domingo resolvi ir à igreja, porém não fui muito feliz em está lá. Lá estava meu ex e sua família feliz. Lara e sua mãe e pai também. Outro que vi ali vou Tommy, mais não me aproximei, acho que se aquela namorada dele me encontrar de novo, serei capaz de bater na cara dela até ficar marcada.
O culto se encerrou e eu fui embora antes que todos pudessem sair da igreja.
Fui ao parque, fiquei ali o dia todo, pensando na minha vida e no que farei para não sentir tanta solidão dentro de mim. Fico tentada todos os dias a acabar com minha vida.
Fico na rua até tarde.
Chego em casa, tomo meu banho e vou dormir. Tomo um remédio para que isso aconteça.
Acordo com o alarme do meu celular e pulo da cama. Tomo um banho, e me arrumo para mais um dia com as crianças.
Chego e logo Lara vem me contar do seu final de semana e seu titilio lindo. Quando me lembro do sobrenome de Lara, me lembro também do cara que pagou a conta do hospital.
Deve ser esse tio dela que pagou a conta. Vou andar com o dinheiro na bolsa, quem sabe um dia ele vem buscá—la.
Meu dia voou, e eu sair da escolinha e fui andar Washington. Passei em uma escola de dança, entrei e comecei a ver as pessoas dançando. Acho que seria uma boa distração para mim.
Me cadastrei para aulas todos os dias, inclusive aos finais de semanas. Não quero ficar em casa pensando na minha solidão e em morrer. Porque se eu continuar lá em casa sozinha, eu vou acabar me matando ou tentando novamente.
Os dias estavam passando rápido. Minha vida não está tão monótona. Faço aula de dança todos os dias, fico exausta, a ponto de chegar em casa e dormir. Nem tomando remédios mais, eu estou.
Conheci várias pessoas legais na escola de dança. José, Alana e Míriam são umas delas.
Saímos sempre para cinema, shopping e boate. Estou me sentindo viva.
Agora estou aqui na sala de aula com Lara. Parece que seus pais teve um contratempo, pois até agora não buscaram a mesma.
Ela está triste, já tentei animá-la. A diretora já ligou para os pais dela. Os mesmos disseram que já tem um responsável vindo buscar a pequena.
Estou arrumando as coisas quando escuto ela falando com alguém. Vou até eles e não vejo a pessoa que está de costa. Começo a falar com a pessoa.
—Boa tarde! Ele vira e olha para mim. E quando ele me olha, eu fico surpresa de já o conhecer.
—Boa noite, Srta!
—Olá Tommy!
—Não acredito que você é a professora de Lara.
—É, eu também não sabia que você era o titilio lindo que Lara tanto fala.
—Pois bem, sou Tommy Phillips, tio dessa bonequinha aqui. Ele diz me dando a mão.
—Giulia Freeman. Professora dessa princesa. Digo apertando sua mão.
—Eu te procurei muito. E se eu soubesse que você era a professora de Lara, já teria vindo antes.
—Sei, você e sua namorada louca.
—Não, só eu mesmo. Diz com uma voz sensual. Meu Deus que homem é esse?
—Bem, Sr Phillips, eu preciso ir já que você chegou.
—Como você está?
—Bem e você?
—Melhor agora.
—Você é sempre direto assim?
—Sim. Algum problema?
—Não. Digo rindo. Mas vamos então. Eu fecharei a sala. Ele sai com Lara no colo que parece ter dormido em seu ombro. Fica me olhando enquanto fecho a sala.
—Queria te ver de novo. Diz ele assim que me viro para ele.
—Hum. Não acho uma boa ideia.
—Porque?
—Não me responsabilizaria se sua namorada me atacasse de novo.
—Eu não tenho mais namorada.
—Olha, então podemos marcar alguma coisa depois. Digo já passando o portão e indo para o meu carro.
—Quando?
—Não sei. Há espere, eu tenho isso para você. Digo já tirando um envelope da bolsa. Ele me olha sem entender.
—O que é?
—Depois você verá e entenderá. Agora deixa eu ir. Até mais.
—Até.
Entro em meu carro e ele fica me olhando. Dou um tchau e vou para minha aula de dança. José já estava lá. Ele está namorando a Alana, eles fazem um casal bonito. Quero alguém para mim. Suspiro.
Procuro me concentrar dança. Me distraio de tudo.
Volto para casa e vem na minha mente a pessoa que menos queria pensar. Não sei se isso seria bom para mim. Não quero me ver apegada novamente. Principalmente com ele. É problema na certa.
Tomo banho e me deito. Eu sei que tem dois dias que não tomo meus remédios, e eu me sinto bem com isso. Não quero me ver dependente de remédios. Nunca precisei deles, e quero continuar não precisando.
Meu sono acaba aparecendo e eu apago meu abajur. Quero muito descansar em um sono profundo.