Igor
Acordo com o alarme da Fernanda tocando, ele se mexe passando por cima de mim e alcança o celular desligando. O peso logo sai de cima de mim e eu ouço sua respiração funda.
Coloco o braço no rosto por conta da claridade que vem la de fora e continuo deitado. escuto todos seus passos, a porta do banheiro abrindo, o chuveiro ligando e depois de um tempo desligando. Ouço a porta abrir de novo e eu tiro o braço do rosto abrindo os olhos.
Vejo ela toda princesinha em uma calça jeans larguinha e uma blusa de alcinha colada rosa.
Igor: acho que to sonhando ainda - ela da uma risada fraca sorrindo.
Fernanda: bom dia, lobo m*l - dou risada sentando na cama.
Igor: lobo m*l? - ela se aproxima sorrindo.
Fernanda: exatamente - sorrio e estico o braço fechando a mão no pescoço dela sem por força e puxo ela pra mim dando dois selinhos na boca rosa desenhada dela.
Igor: bom dia - minha voz sai rouca e baixa, eu solto ela que vira o rosto sorrindo meio envergonhada.
Fernanda: quer ficar ai? tenho que sair daqui a pouco.
Igor: vamos, eu te deixo la - levanto da cama.
Fernanda: nem inventa, é mó longe, vou atrapalhar teus corre, deixa que eu vou de carro - ela fala saindo do quarto e eu reviro os olhos entrando no banheiro - tem escova na gaveta! - ouço a voz dela abafada.
escovo os dentes com a escova q ela falou e faço xixi, lavo as mãos, vou pro quarto, pego todas minhas coisas e saio dali descendo pra cozinha.
Igor: tem uma camiseta minha aqui, nao tem? - pergunto vendo ela de costas na frente da geladeira.
Fernanda: sua não, minha - ela me olha sorrindo.
Igor: desgraçadinha - ela da risada.
Fernanda: quer iogurte?
Igor: to de boa - ela fecha a geladeira e vem na minha direção com um copinho de iogurte na mão.
Fernanda: vou pegar sua camiseta - ela sobe e eu sento no sofá vendo as mensagens do Felipe falando que tia Aline ja ta la.
A Fernanda volta com uma mochila nas costas, minha camiseta em uma mão, com a outra ela leva o iogurte até a boca, me entrega a camiseta e eu visto.
Igor: Carol não vai hoje não?
Carol: oxi, ta fazendo oq aqui? - ela aparece descendo as escadas e eu sorrio.
Igor: vim te ver - me faço.
Carol: sonso - ela fala rindo e eu me levanto.
Igor: que horas vcs saem?
Fernanda: as 11 - ela fala depois de jogar o copinho no lixo.
Igor: beleza, me manda mensagem dai, dona Aline ja ta no Rio.
Carol: ja to salivando em pensar na comida dela - rio fraco negando.
Igor: to indo - dou um beijo na testa da Carol e um selinho na Fernanda.
Carol: seu cachorro! - dou risada abrindo a porta e saindo dali.
dou uma olhada na rua vendo ela vazia e destranco o carro entrando no mesmo, ligo ele e vou pra cara do Felipe. Estaciono o carro em frente a minha casa e desço atravessando a rua e entrando na do Felipe.
Igor: bom dia - falo entre a falação e a atenção vem pra mim.
Felipe: demorou viu - n**o dando um sorriso de lado e me aproximo da Aline, dou um beijo na testa dela e faço toque com o Pedro. Sento entre o Felipe e o Thiago.
Igor: qual o b.o? - pergunto pros meus quase tios.
Pedro: longa história - ele solta o ar e eu faço cara de tédio.
Thiago: tamo com tempo - ele sorri.
Aline: vocês estão ciente que era pra eu ter tido uma filha, né?
Felipe: a estrelinha pô, que morreu no parto, tem como esquecer não.
Pedro: pois é, ela não morreu - franzo as sobrancelhas na hora e divido meu olhar entre ele, Thiago e Felipe.
Thiago: como? e onde ela ta?
Aline: a maluca da Alice pagou pro médico ficar com ela - ela fala meio triste meio com raiva - 21 anos! vinte um anos sem a estrelinha por causa daquela invejosa do c*****o!
Felipe: calma lá, explica direito.
Pedro: ela nasceu antes do tempo, nisso ai a doida fez um corre la de dar uma criança morta pra gente e entregar a estrelinha pro médico que fez o parto. Um dos mano que tava envolvido nessa parada abriu o bico depois da Aline negar 1 milhão pra ele.
Thiago: ok, então ela ta viva. Mas onde?
Aline: esperamos que aqui no Rio.
Pedro: a gente veio pra procurar ela, são fomos atrás disso de lá porque a gente quer uma parada mais restrita.
Felipe: e o que vocês tem? nomes, locais?
Pedro: eu só lembro do primeiro nome, doutor Jorge - abro um pouco a boca pra falar mais fecho, eu sei de uma parada ai, e se parar pra pensar, faz sentido - Hospital São Lucas de Copacabana.
o arquivo que o Thales arrumou pra mim ontem era de Ana e Jorge Magalhães, pais adotivos da Fernanda. E eu tenho quase certeza que li o nome desse mesmo hospital na ficha dele.
e vamos la, a história encaixa.
ela tem 21 anos, foi adotada e quando eu vi ela pela primeira vez eu tinha certeza que ela me parecia alguém, e olhando pros meus tios eu to vendo da onde vem essa semelhança.
Felipe: vou procurar, deixa só eu pegar um computador - ele vai pra levantar e eu seguro seu braço, ele me olha não entendendo.
Igor: eu tenho que falar com vocês dois - encaro ele e depois o Thiago que nao entende também - a gente vai trazer de volta a estrelinha, fiquem tranquilos - falo pros meus tios e levanto puxando os dois.
arrastei eles pro escritório do Felipe, sento em frente ao computador dele abrindo meu wpp ali, entro direto no arquivo.
Igor : da uma olhada - me arrasto da frente e eles leem.
Thiago: por que tu ja tinha isso?
Igor: essa dai é a ficha do pai adotivo da Fernanda - aponto com a cabeça.
Thiago: c*****o - ele me olha sem reação e depois encara o Felipe.
Felipe: ela é nossa irmã - fala mais pra ele mesmo e eu sorrio.
Igor: eu to indo atrás dele, pra ter mais uma certeza e tirar essa história a limpo - levanto da cadeira.
- eu também vou - os dois falam ao mesmo tempo.
Igor: então vamos logo - saio na frente sendo seguido pelos dois.
Felipe: a gente vai resolver um negócio rapidinho e ja volta - fala pros pais dele que não entendem e a gente sai da casa sem ouvir a resposta.
Destranco meu carro entrando no motorista, Thiago vai pro passageiro e o Felipe pra trás ja enfiando a cabeça no meio e começando a falar.
Felipe: por que tu ja tinha a ficha dele? pediu pro Thales e não pra mim por quê?
Igor: porque tu é fofoqueiro e eu ia fazer esse role sozinho, a promessa foi minha - fala vendo o endereço na ficha do cara, bloqueio o celular largando ele na minha perna depois de ver que era num condomínio no Leblon em que nós tinhamos casa.
Felipe: eu não sou fofoqueiro!
Thiago: é sim e você sabe - dou risada ligando o carro, vou indo devagar até sair do cpx e depois acelero mais.
Igor: vocês repararam que ela é a mistura certinha do tio Pedro e da tia Aline, né?
Thiago: olhos e nariz do meu pai, boca e cabelo da minha mãe.
Felipe: eu sabia que ela parecia alguém que eu conhecia.
Igor: nem o Thiago é tão parecido com os pais de vocês como ela.
Thiago: né, acho que eu sou adotado também - eu dou risada.
Igor: como é ser adotado, Felipe? - pergunto sem brincadeira com o foco na pista.
Felipe: mó parada, quando os dois me pegaram eu nao entendia porque eu tava sozinho na rua, só queria uma casa mesmo e fui parar na melhor.
Thiago: tu não tem essas pira de te amar menos só por causa de sangue né?
Felipe: eu penso pelo outro lado, eu fui escolhido, tu foi acidente - eu gargalho junto com o Thiago.
Thiago: desgraçado - fala rindo.
Igor: sangue não é nada perto da nossa ligação, vocês nem inventa de me excluir não, nos é tudo irmão e acabo.
Thiago: jamais doido, nossa ligação é fortona carai, confio mais em vocês do que em mim - eu sorrio
Felipe: Thiago - fala com voz de quem tinha se lembrado de algo e bate no ombro do Thiago - o Igor ta pegando nossa irmã! - eu gargalho.
Igor: e tu ta pegando a minha, sonso do c*****o - ouço ele indo falar e parando sem deixar sair uma palavra, Thiago da risada.
Felipe: como tu sabe?
Thiago: mandaram no grupo o print da página falando de vocês dois.
Igor: e eu não sou burro, tu falou que tava me traindo.
Felipe: vacilei - eu dou risada - mó rato esse povo.
Igor: quando é contigo dói, né? - falo rindo.
Felipe: vou te expor - ele bate no meu braço.
Igor: vai nada, não quero ninguém pulando nela não.
Thiago: as mina ja tavam doida pra arrancar os cabelo dela só por estar sentada na mesma mesa que a gente, ja ta na boca do complexo por ser linda e nova lá.
Felipe: calma lá gente, é minha irmã, to brincando - dou uma risada nasal.
Felipe não calou a boca até chegar no condomínio. Passei meu cartão na catraca que logo subiu. Entro no condomínio indo la pro final, a casa dos dois ela litetalnete do outro lado da nossa, por isso nunca tinha trombado com a loira. Além de que eu m*l to por aqui.
Estaciono o carro em frente a casa, Felipe desce primeiro, eu e o Thiago vai logo em seguida. A gente se aproxima da porta e o Felipe começa a apertar a campainha sem parar.
nego com a cabeça e ele da risada, ouço o barulho da porta sendo destrancada e aberta logo em seguida.
Ana: oi, bom d... - a mulher do cabelo preto e baixa vestida num terninho rosa bem f**o abre a porta.
Igor: bom dia - sorrio falso e empurro ela pra dentro entrando em seguida, os dois disfarça e entra fechando a porta.
Ana: mas.. oq? - ele fala confusa e eu vou fazendo ela dar passos para trás até se sentar no sofá - quem é você?
Matador: quem faz as perguntas aqui sou eu, e eu quero saber aonde ta seu marido - levanto minha camiseta mostrando a pistola, ela arregala os olhos.
Ana: o que você quer? - a fala nervosa.
Matador: cadê teu marido? - ela deixa algumas lágrimas cairem e eu reviro os olhos.
Ana: ele.. - ela para pra engolir a saliva - ta no quarto, a segunda porta - ela fala com medo, as lágrimas continuam descendo.
Matador: eu vou - vou em direção as escadas subindo rapidinho, vou direto pra onde ela falou, antes de abrir a porta eu pego a arma na cintura, abro a porta ja apontando - bora - aponto com a cabeça pra fora.
Jorge: o que você quer? dinheiro? - ela fala observando o quarto procurando uma saida, eu dou risada.
Matador: se eu fosse você, nem tentava - encosto no batenda da porta - dinheiro eu tenho, eu quero bater um papo contigo sobre tua filha, ou melhor, a filha dos outros que tu deixou crescer longe da familia - ai ele me olhou mais assutado, eu sorrio.
Jorge: eu não sei do que você ta falando - o olhar perdido indicando que ele tava mentindo, eu dou uma risada nasal.
Matador: to com paciência não, vamo - aponto com a arma pra fora, ele bufa e passa ja indo descer as escadas com pressa - lembra que eu to armado e os dois la em baixo também - ele não fala nada, para e volta a andar.
desço as escadas e ele ja ta la sentado no sofá do lado da mulher que tava lavando a sala com lágrimas.
Perigo:ta chorando por que mulher? Ainda ta com sorte que foi nos que veio e não meus pais - ele se senta na poltrona em frente, bem tranquilo como se fosse mais um dia normal.
e é.
Matador: pode abrir o bico já - guardo a arma na cintura e cruzo os braços no peito.
Jorge: eu não sei o que você quer saber.
Matador: não se faz não! começa a falar antes que eu te mata!
Jorge: o que você quer saber? - perguntou depois de um tempo em silêncio.
Matador: tudo.
Jorge: não tem muito, dona Alice me ofereceu um milhão por ano e eu aceitei.
Matador: a e ta tudo certo pra você roubar uma criança e criar ela como se fosse um bixo por 21 anos? não dando a atenção necessária?
Jorge: foi tudo pelo dinheiro mesmo, se eu soubesse que os pais dela eram mafiosos não tinha pego aquilo!
Thiago: olha o jeito que tu fala da minha irmã, seu filho da p**a!
Matador: com quem tu tinha contato? Quem te passava esse dinheiro todo ano?
Jorge: Figueiredo, perguntava se a garota tava viva e confirmava o dinheiro na conta - fala baixo depois de um tempo em silêncio.
Matador: tem mais alguma coisa que eu preciso saber? - a mulher n**a com a cabeça - chama medusa e terror aqui - falo com os olhos ainda no casal.
em 20 minutos os dois chegam, nesse tempo os pais do ano ficaram calados e o Felipe falando como se eles nao estivessem ali.
Thiago abre a porta pros pais que nao entendem nada.
Medusa: quem são eles?
Perigo: Ana e Jorge Magalhães, os desgraçados que ficou com a estrelinha.
Terror: tão rápido assim?
matador: isso ai eu explico depois- dou de ombros.
tia Aline se aproxima dos dois doida de odio, tio Pedro acompanha ela. Thiago senta do meu lado observando a cena assim com eu.
perigo: antes do corre doido ai, eu preciso de um notbook, onde tem?
Ana: no escritório, primeira porta - fala baixo e o Jorge olha pra ela que encolhe os ombros.
eu me levanto indo até lá escutando os gritos da tia Alina conforme eu subo as escadas.
Medusa: cadê a MINHA filha?
Jorge: mandei embora - fala insignificante.
Medusa: por que caralhos ela não ta aqui? não era pra vocês cuidarem dela p***a?
Jorge: eu não ia ficar com uma mini marginal dentro de casa! - dou uma risada nasal e ando pelo corredor, abro a primeira porta vendo o notbook em cima da mesa.
Medusa: você ta louco? mini marginal é o c*****o, quem ta cometendo crime aqui é você!
pego o computador e saio pra voltar pra sala ainda escutando tudo. Fui obrigado a rir no mini marginal pq p***a, Fernanda é toda inocente, parece ter mó medo dessas parada. E se alguém vai chamar ela de bandida, esse alguém é eu, mas eu em um outro sentido ai.
Entreguei o notebook pro Felipe e me sentei ao lado dele, Aline ainda falava mas eu tava prestando atenção no Felipe dando uma de nerd. O moleque abriu o sistema do condomínio apagando todas as filmagens e travou as câmeras.
Felipe: a gente tem meia hora pra sair do condomínio - olho pro meu pulso vendo meu relógio marcando 10:35, Fernanda sai daqui a pouco...
Igor: eu vou resolver a outra parte dessa história - falo baixo e me levanto, Felipe me encara perguntando com o olhar se eu vou falar com ela e eu só assinto com a cabeça.
Felipe: eu vou junto - ele fecha o notbook se levantando também
Thiago: eu resolvo isso aqui, vão vocês lá - faço toque com ele.
Igor: leva eles pra tua casa, eu apareço la com ela em uma hora - ele confirma.
os dois não escutaram uma palavra nossa, tão focados gritando e ouvindo o outro la, eu o Felipe sai da casa sem eles nem ver.
entro no motorista, espero o Felipe e ligo o carro acelerando dali. Felipe vai falando que ta animado que isso e aquilo, que agora tem mais uma pessoa na familia e isso e aquilo. Eu vou o caminho todo rindo da cara dele.
assim que chego na faculdade dela vejo o carro estacionado e paro o meu do outro lado da rua. Olho no relógio marcando 10:52, falta 8 minutos.
espero um pouquinho e saio do carro junto com o Felipe, a gente se escora no carro, ele fica falando até ver as duas e se calar.