đź–¤ NARRADO POR PILAR — “O QUARTO PEQUENO, A NOITE IMENSA E O PRIMEIRO FĂ”LEGO” SaĂmos sem olhar para trás. Um olhar por cima do ombro teria sido o convite para a estátua de sal, para o arrependimento ou para o terror que paralisa as pernas. O portĂŁo lateral da mansĂŁo se abriu com um gemido baixo, um lamento metálico da casa que me engoliu por anos, digerindo minha dignidade dia apĂłs dia. Quando as rodas do carro tocaram o asfalto da rua pĂşblica, o ar bateu no meu rosto como um tapa frio e foi o primeiro tapa em dĂ©cadas que nĂŁo doeu. Era manhĂŁ, o sol ainda era uma promessa pálida, mas o mundo parecia suspenso num horário que nĂŁo existia nos relĂłgios. Nem dia, nem noite. Fuga tem fuso prĂłprio; Ă© o tempo do "agora ou nunca". Entrei no carro com as mĂŁos tĂŁo trĂŞmulas que a chave parecia uma pe

