NARRADO POR PLAYBOY — “O DIA EM QUE EU FUGI DA MINHA PRÓPRIA CASA” Sombra ficou me encarando como quem reúne coragem pra perguntar se o pitbull tá com fome. Ele pigarreou. Se aproximou um pouco. E soltou, baixinho, como quem cutuca bomba com palito de dente: — Patrão… o senhor… não vai pra casa, não? Eu virei o olhar pra ele devagar, tão devagar que até o ar ficou com medo. — Por quê? — perguntei frio. Sombra engoliu seco. — É que… o senhor quase nunca desce pra bar. E… geralmente… quando desce… é porque tá fugindo de alguma coisa. Pingo arregalou os olhos. Caveira travou o pescoço igual boneco quebrado pra ver minha reação. Eu bati o copo no balcão. — Fugindo? Eu? Sombra, você tá achando que eu corro de alguém nesse morro? Ele levantou as mãos. — Não, patrão! Longe de m

