NARRADO POR PLAYBOY — O SOM DA DECOMPOSIÇÃO O sol ainda não tinha batido no topo do morro, mas o asfalto já estava quente, emanando um calor abafado que subia pelas solas das minhas botas. Eu não dormi. Como é que um homem dorme com o fantasma de um beijo estratégico queimando a boca e a sombra de um desgraçado chamado Cardeal assombrando cada fresta da memória? Saí de casa antes da Suzana acordar. Não queria encarar aqueles olhos dela, nem aquele sorriso de quem ganhou o jogo da sedução. Eu precisava de ordem. Precisava do silêncio que só o cheiro de óleo de arma e pólvora consegue trazer para a minha mente barulhenta. Fui para a "Boca da Principal", o coração do meu império. Sentei num caixote de madeira, observando o turno do dia assumir os fuzis, mas a paz durou o tempo de um suspiro

