NARRADO POR PLAYBOY — “DESPERTAR DE UM REI (OU QUASE ISSO)” Eu não dormi mais depois que o sol deu as caras. Fiquei ali, servindo de travesseiro para a Suzana, vendo a luz clarear as cicatrizes dela e as minhas. O plano para a Alameda das Flores rodava na minha cabeça como um filme de ação, mas o roteiro tinha mudado. Agora não era só estratégia. Era pessoal. Acabei pegando no sono por volta das seis da manhã, um sono pesado de quem finalmente baixou a guarda. Acordei com um estímulo que meu cérebro levou alguns segundos para processar. O cheiro de café passado café de verdade, não aquela água de batata que meus soldados fazem na guarita e o som de algo fritando. Abri os olhos devagar, tateando o lado da cama. Vazio. Sentei num solavanco, a mão indo instintivamente para a gaveta do

