NARRADO POR SOMBRA — CONTINUAÇÃO NO BAR “O MORRO NÃO DORME… MAS A FOFOCA, ESSA CORRE DE MOTINHO” A gente ainda tava rindo, bebendo, respirando o fim do mundo em goles de cerveja quando Pingo encostou o cotovelo na mesa, olhou pra mim daquele jeito malandro dele — o jeito de quem nasceu pra espalhar fofoca como quem espalha pão pra pombo — e soltou: — E aí, Sombra… amanhã tu vai lá ver a moradora nova, né? Eu engasguei com meu próprio ar. — Vai tomar no cu, Pingo. Caveira quase caiu da cadeira de tanto rir. — Pô, Sombra, tu já tá até falando “amanhã eu passo lá”, “dar boas-vindas”… — Pingo balançou a cabeça, dramático. — Eu nunca vi tu desse jeito. Nem quando aquela policial da UPP te sorriu na blitz. Eu apertei os olhos. — Aquilo NÃO FOI um sorriso. Foi ameaçando me prender, p***a

