Capítulo 4 - O Casamento

4081 Words
- Mais simples por favor, tia Alice - exclamei em meio a um suspiro. O rosto pequeno de tia Alice apareceu de dentro do closet de sapatos. Estávamos eu, ela e mamãe no chalé escolhendo o meu vestido para o casamento de Jared e Kim, ou melhor, desfilando cada roupa que já foi criado por alguém na vida. Como Bella não entendia nada de moda, ficava apenas sentada em um puff ao canto, de vez em quando fazendo algum comentário. - Você não tinha me contado que o tema da festa era "brega é o novo chique" - reclamou tia Alice enquanto atravessava o cômodo até os cabides de vestidos e atirando outro para mim. Era a centésima peça que eu experimentava e até agora me sentia produzida demais, a todo o momento lembrando do comentário de Jacob sobre sempre me destacar. Eu sabia que estava agindo feito uma i****a, mas não queria passar a impressão errada dessa vez. - Eu já disse, é um casamento na praia, ao estilo Quileute. Não posso aparecer com uma peça de Lucien Lelong - resmunguei ao atirar de volta para ela o vestido longo e lilás cheio de plumas. - Estou ficando sem opção Nessie, vou acabar vestindo você com um roupão de banho. Minha mãe revirou os olhos de novo, como sempre fazia quando tia Alice soltava um comentário exagerado. - Nem se quisesse poderia ficar sem opção - disse ela - deixe-me ajudar. - Não! - exclamou tia Alice, mas minha mãe já estava voltando de dentro do armário com um vestido nude nas mãos. - Toma, tenta este. Alice olhou para ela como se tivesse jogado uma granada para mim.  Dei de ombros e comecei a vestir a peça. Era um modelo nude e curto até os joelhos, rendado no b***o, com um considerável decote, e descia fluidamente em cetim com algumas pedrarias próximo a barra. Olhei no enorme espelho dourado, me examinando. Com a minha palidez certamente esse vestido não me valorizava, mas ainda sim era muito delicado e combinava com a cor da areia da praia. Meus cabelos ruivos eram os únicos em evidência. Talvez tia Alice pudesse fazer alguma coisa mais elaborada com eles. - Bom, eu gostei - disse minha mãe, na defensiva. - Bom, eu amei - disse e vi o sorriso iluminar seu rosto. - É, até que não ficou tão m*l - confessou tia Alice. - "Tão m*l" - repetiu minha mãe, como se fosse uma ofensa - admite Alice, ficou perfeito. Alice suspirou exageradamente, ainda me avaliando pelo espelho. - Tudo bem, eu assumo, ficou ótimo. Vejo que está vencendo sua aversão por moda, Bella - tia Alice semicerrou os olhos. - De jeito nenhum - Bella levantou as mãos e voltou a se sentar no puff. - Agora os sapatos - continuou minha tia, voltando aos pulinhos para o closet. Minha mãe a observou escolher uma opção aceitável entre milhares e correr novamente para preparar meus cabelos. Eu nem precisava dizer nada, tia Alice sabia exatamente o que ficava bom, o que era muito prático. Mas de qualquer forma eu não poderia contestar, estava acostumada a ser tratada feito uma boneca desde criança, o brinquedo preferido para as mãos habilidosas de tia Alice. Quando terminou, meus cabelos desciam em ondas alinhadas pelas minhas costas, apenas a longa franja presa delicadamente atrás da cabeça por um acessório de flores. - Ce parfait chérie - cantarolou Alice, ao terminar. - Merci tante Alice - respondi. Eu m*l havia terminado de guardar todas as roupas espalhadas pelo quarto quando ouvi o som de um coração acelerado se aproximando da casa. Eu sabia de quem se tratava no mesmo instante, mas junto a ele pude distinguir os passos de meu pai ao seu lado. Quando sai para fora do chalé - m*l contendo minha ansiedade - vi que Jacob estava mais arrumado que de costume, com um terno preto liso, um pouco justo por conta dos músculos, e uma camisa social branca sem gravata, apenas com os dois primeiros botões abertos. Os cabelos estavam recém cortados. Corri até ele e o abracei com força, deixando seu cheiro amadeirado me embalar como uma nuvem. Fazia menos de uma semana, e eu sabia que ele viria, mas a saudades era tão latente que me esmagava. Ouvi tia Alice reclamar ao longe que Jacob estava amassando meu vestido com seu abraço de urso, mas sussurrei "ignore" a ele. Meus pais estavam ao nosso lado assim que nos soltamos. - Não chegue muito tarde os dois, amanhã sairemos bem cedinho para o aeroporto, nosso vôo é às 07h - disse meu pai. - Espero que já tenha feito as malas, Jake - completou minha mãe, semicerrando os olhos para ele enquanto passava um dos braços pela cintura de meu pai e ele a envolvia carinhosamente. Jake deu de ombros, ainda com um braço apoiado em mim. - Não tenho muito o que levar, e lá é tão quente que ninguém vai se importar com meus trajes costumeiros. - Ou com a falta deles, você quis dizer - resmungou meu pai. Edward nunca foi muito simpático ao fato de Jacob constantemente andar seminu ao meu lado. Eu já estava acostumada, apesar de em alguns momentos isso me distrair. Jacob deu de ombros, sorrindo maliciosamente. - Estou impressionada Jake, você está muito elegante - disse Bella ao examiná-lo. - Obrigado, eu acho… Espere até ver quando atiramos os noivos ao mar, aí sim vou ficar impecável. Comecei a rir junto com ele. - Ah, eu não posso perder isso por nada - disse, entre risos. - Então vamos - Jacob me puxou delicadamente pela mão e eu o segui até a garagem dos Cullen para pegarmos meu carro. Ouvi um "divirtam-se" de meus pais ao longe e em poucos minutos eu já estava dando a partida no carro e saindo da propriedade rumo a La Push. Durante o caminho Jake foi me contando sobre sua semana turbulenta, como ficou organizada a matilha durante sua ausência, as implicâncias de Leah e as aulas na faculdade. Quase tirei o carro da pista de tanto rir quando ele me contou como ameaçou seu colega de quarto para fazer de novo os exames de sangue em seu lugar e alterar para seu nome no computador da universidade. Pelo jeito o pobre rapaz era um prodígio com software e morria de medo de Jacob.  Todos os atletas precisavam fazer exames físicos regularmente para poder competir, e como Jacob fazia parte do time de futebol americano da universidade - uma forma de manter sua bolsa sem esforço algum - precisava burlar o sistema constantemente para que ninguém pudesse suspeitar de sua condição anormal. Paramos próximo ao calçadão da praia de La Push, onde era possível ver a estrutura simples em arco florido na areia, a poucos metros da água, e em volta uma grande quantidade de bancos brancos com algumas pessoas já acomodadas. O caminho para a cerimônia era rodeado por luzinhas e velas que pendiam do teto de uma tenda ao chão, formando uma cortina iluminada. A passarela do cortejo era rodeada por pequenos arbustos floridos e mais lanternas, agora no chão. Próximo ao altar pude ver Jared conversando animadamente com o pai de Jacob, ele vestia um terno cinza claro, com uma flor branca na lapela e também usava uma camisa branca sem gravata como Jacob, seus pés estavam descalços sobre a areia e a barra na calça dobrada até a canela.  O sol estava começando a se pôr quando Jacob entrelaçou os dedos nos meus e entramos na praia em direção a cerimônia. Reconheci a maioria dos rostos que estavam ali, amigos e a vizinhança da reserva, todos com trajes bem simples, mas elegantes. Comprimentei animadamente cada m****o da matilha, sentindo falta de alguns, que imaginei estarem fazendo ronda. Avistei Charlie e Sue em um dos bancos e fui em direção a eles. Quando Charlie me viu de mãos dadas com Jacob sua expressão foi de alegria para irritação no mesmo instante e Jacob me soltou imediatamente. Charlie era bem preconceituoso nesse aspecto, não gostava que Jake e eu parecêssemos um casal de namorados, apesar de não sermos. Quando fiz menção de me sentar ao lado de Sue, Jake me contou que seria padrinho e por isso tinha que sentar próximo ao altar. Insisti para que fosse sozinho, mas ele se recusou a ir sem mim. Não tive alternativa a não ser lançar um tchauzinho para meu vô e Sue e me sentar ao seu lado e da mãe de Kim na primeira fileira de bancos. Exatamente na hora do crepúsculo, quando o entardecer produzia uma luz alaranjada e mágica sobre todos nós, a música tocou para dar início a cerimônia. Primeiramente entrou Claire bailando timidamente até o altar como dama de honra, com um vestido branquinho e simples. Do outro lado do salão vi que Quil saltitava no banco de tanta animação, tirando várias fotos. Quando Kim entrou todos nós nos levantamos. Ela estava linda, até mesmo coberta de lágrimas de emoção, seu vestido era reto e descia em cetim delicado até o chão, balançando levemente com o vento, formando muitas ondas. Seu rosto transparecia toda aquela admiração e adoração sem fim que eu sempre percebia nos meus amigos que sofreram imprinting. Um amor tão puro que o simples fato de eu observar parecia invasão de privacidade. Olhei para o noivo e vi que Jared continha a mesma expressão e também não segurava as lágrimas. Por um instante sonhei que, se fosse me casar algum dia, essa seria a expressão que eu queria ver no rosto do meu noivo no altar. Se consciente ou não, senti as mãos de Jake apertando as minhas delicadamente. A cerimônia foi realizada por Billy Black, primeiro em Quileute e depois na língua comum. Os noivos declararam seus votos emocionadamente e Kim saltou sobre Jared no momento do beijo, fazendo o rapaz se sobressaltar, mas a pegou no ato. Antes de nos dirigirmos ao local da festa, Jacob, Seth e Paul pegaram Jared no colo, enquanto Leah pegava Kim e correram com eles para a água, os atirando ao mar, numa estranha tradição de casamento Quileute. Houve vários protestos e até um nariz quebrado no processo, mas todos nos divertimos muito vendo os noivos encharcados voltarem para a praia, Kim m*l conseguia andar com o peso do vestido molhado.  Jake veio correndo totalmente ensopado na minha direção, com um sorriso malicioso nos lábios. Quando percebi sua intenção m*l tive tempo de correr, ele já me pegava no colo e me abraçava fortemente, me molhando também. Meus socos de protesto só o fizeram rir ainda mais. Quando a lua cheia estava a pino, todos já se encontravam no jardim em frente a casa dos pais de Jared para a festa. O pequeno lugar cercado por uma tenda com mais luzinhas. Havia poucas mesas para os convidados, mas uma enorme mesa retangular se destacava no canto, abarrotada de comida. Em frente a pequena casa havia uma enorme caixa de som tocando música ambiente.  Depois do jantar e da competição entre mim, Jake e Seth de quem comia mais pedaços de bolo - Seth vencendo disparado com seus quinze pedaços - a pista de dança deu espaço para vários casais em volta dos noivos que giravam desajeitados ao som de uma música lenta.  Seth estendeu a mão e fez uma reverência engraçada na minha direção, aceitei o convite e fomos juntos para a pista. Ele não sabia dançar, então precisei conduzi-lo na maior parte do tempo. Depois de três danças com Seth, Charlie cutucou seu ombro e eu troquei de par. Com vovô era mais difícil, ele não deixava ser conduzido tão facilmente, mesmo não sabendo conduzir. - Você é tão diferente de sua mãe nesse aspecto, Nessie. É muito graciosa, igual sua tia Alice. Não quis acrescentar que agora minha mãe não era mais desajeitada, mas isso o faria pensar em coisas estranhas novamente, então apenas sorri educadamente. - Sinto que não passamos muito tempo juntos, você cresceu rápido demais. Tem muito dos Cullen em você, precisa de um pouco da rigidez dos Swan - olhei em sua expressão e encontrei uma tristeza genuína nas suas palavras. - Ah, sem essa vovô! Tenho muito mais da minha mãe e de você do que gostaria de admitir. Por exemplo, todas as vezes que os Cullen vão acampar eu escapo para a sua casa para ficar lendo ou qualquer outra coisa. - Isso é verdade, e você também gosta de pescar comigo, mesmo que vá poucas vezes. Mordi o lábio tentando conter uma careta. Na verdade eu não gostava nenhum pouco de pescar, não tinha tanta paciência, mas me esforçava para ter esse vínculo com Charlie, e ele sempre saltitava de alegria quando eu aceitava suas viagens. Demos mais alguns rodopios antes de Charlie voltar a falar. - Então vai para o Brasil, hem? Parece legal. Mas e quanto às suas aulas?  Eu sabia que Charlie nunca foi adepto a idéia de estudar em casa tendo uma escola a poucos quilômetro. Para ele, Forks podia tinha tudo a oferecer. Então ficou contente com a notícia sobre minhas aulas na escola da região. - As aulas vão começar em três semanas, vovô. Vamos voltar antes disso.  Ele assentiu seriamente, e vi pela sua expressão que estava pensando em outra coisa. Por fim, disse: - Jacob vai também? - murmurou baixinho. - Sim, a ideia é essa. Ele se aprumou um pouco mais, tentando filtrar as palavras, imaginei. - Vocês parecem mais próximos que o normal… - ele começou a dizer, mas Sam apareceu logo atrás. - Charlie, sinto muito por interromper, mas Emily está cansada e Mark já dormiu. Gostaríamos de ir para a casa agora. - Ah, certo. Me perdoe querida, mas eles estão de carona comigo. Pela expressão ele parecia aliviado por parar de dançar, mas estava receoso em me deixar ali sozinha. - Não se preocupe, Charlie, eu fico com Nessie - disse Jacob de repente ao meu lado, passando a mão por minha cintura. Charlie percebeu o abraço de Jake e lançou-lhe um olhar de advertência. - Tudo bem então - ele resmungou, limpando a garganta - até mais garotos.  Sam também se despediu de Jake e desejou boa viagem a nós. Os observamos chamar Sue e Emily, com Mark nos braços, e todos subiram a rua em direção ao local onde a radiopatrulha estava estacionada. - Você ainda não dançou comigo ruivinha - disse Jake sorrindo e estendendo a mão. Aceitei e começamos a dançar. A pista estava quase vazia, com exceção de poucos casais e os noivos que estavam tão absortos em si mesmos que não notavam nada ao seu redor. Jake e eu estávamos no canto mais afastado, próximo ao pequeno cercado que rodeava o jardim e separava a propriedade da floresta densa. Não estávamos dançando necessariamente, apenas balançando nossos corpos no ritmo da música, meu rosto repousado em seu peito, o melhor lugar do mundo. - Não tive a oportunidade de comentar como você está elegante hoje, senhor alfa - disse depois de alguns minutos, ainda com o rosto colado nele. Ele riu baixinho e rouco, fazendo seu corpo todo tremer. - Você também não está nada m*l - respondeu por fim, me afastando de si e me girando. - Na verdade está linda essa noite, sempre está - e deu de ombros Gargalhei baixinho, voltando a pousar meu rosto em seu ombro, para que não visse minhas bochechas corarem. - Tudo bem, pare com idiotices agora. - Não é idiotice. Você está aí toda crescida, não é a mesma menininha que eu escondia embaixo dos braços. Percebi um tom ressentido na sua voz. - Pois é, você está ficando velho, está até falando como seu pai. Ele riu baixinho no meu ouvido e depois ficou sério por alguns minutos, tantos que achei que a nossa pequena conversinha tinha acabado. - Você me acha muito velho, Nessie? - perguntou sério de repente. Dei de ombros, ainda sem olhar seu rosto. - De jeito nenhum, você ainda está na flor da idade. É um universitário, lembra? - Não foi isso que eu quis dizer. Você acha que sou muito velho para você? Fiquei alguns minutos em silêncio, tentando entender sua pergunta e desistindo. - Velho para mim? Como assim, Jake? Desde quando você se prende a essas trivialidades? Ele ficou calado de novo. Não consegui conter minha curiosidade, levantei o rosto e o encarei. Sua expressão era séria e pensativa, como se estivesse tentando resolver um problema de matemática dificílimo. - Ei, o que foi? Fale de uma vez, Jake.  - Esquece, foi uma pergunta i****a. - Se você está preocupado com o fato de eu só ter você de amigo, saiba que não me importo. Nós aparentamos ter a mesma idade agora, na verdade as pessoas até pensam que somos namorados. - E você não se incomoda com isso? - Com o quê? - Aparentamos ser namorados. - Você sabe que eu nunca liguei… você sim? - Não - ele arrastou a palavra, como se ainda estivesse decidindo. - Olha Jake, podemos tentar não criar essa impressão nas pessoas, nos afastar um pouco, se isso te incomoda - falei, receosa.  Não queria fazer aquilo, me afastar de nossos abraços tão naturais só para não dar a impressão errada aos outros parecia tão cruel... - Não - ele se apressou em dizer - eu realmente não me importo com isso. Enquanto rodopiávamos mais algumas vezes, percebi que ele fazia um esforço enorme para traduzir o que pensava em palavras. - É que sei lá, você já é adulta, não pensa em conhecer outro cara, talvez namorar?  Essa pergunta me pegou de guarda baixa, e sem saber porque me lembrei do nosso último encontro na semana passada, quando perguntei a ele porque nunca tinha sofrido imprinting. Eu tinha o direito de não responder, certo? Já que ele havia reagido tão m*l a minha pergunta. Mas sabia que não conseguiria repetir aquela reação, então tentei ser sincera. - Não Jacob, não penso em conhecer nenhum outro garoto, muito menos namorar. - Que bom - respondeu ele para si mesmo, com a voz mais intensa que antes. Nesse momento percebi que havíamos parado de dançar, ou o que quer que fosse o que estávamos fazendo. Afastei meu rosto de seu peito mais uma vez, querendo encará-lo.  Sua expressão era tão intensa quanto seu tom de voz. Suas sobrancelhas estavam franzidas, mas o queixo relaxado. Os olhos eram os mais surpreendentes, ardiam e cintilavam, como um mar quente brilhando pela lua, e olhavam para algum ponto acima de minha cabeça. - Mas por que essas perguntas, Jake? - sussurrei, totalmente submersa em seu olhar, doida por alguma interpretação. Ele encarou meus lábios quando falei e pude sentir o meu e o seu coração acelerando gradativamente. - Tenho medo - confessou, num sussurro. Senti todo o meu corpo arrepiar quando seu hálito quente fez cócegas no meu rosto. Estávamos tão perto agora… Como ele não continuou, não tive outra alternativa a não ser voltar perguntar. - Medo de quê?  Senti sua mão soltar a minha enquanto a outra ainda estava pousada na minha cintura, ele deslizou a ponta dos dedos pelo meu braço bem devagar, traçando uma trilha de fogo onde passava, e parou delicadamente na minha bochecha. Senti a mesma eletricidade deliciosa que senti há meses atrás na praia. - De te perder - sussurrou. Não fiquei surpresa quando aquela enorme vontade de beijá-lo reapareceu, muito menos quando de fato o fiz. No mesmo instante percebi que já estava na ponta dos pés com meus lábios colados nos dele. Pude sentir a surpresa inicial da parte dele, mas ele foi relaxando e me envolvendo ainda mais contra si próprio. Era uma sensação engraçada, como se todas as minhas terminações nervosas estivessem agora concentradas apenas nos lábios. Não demorei a me entregar totalmente nesse momento e o abracei pelos ombros, não queria que nada dele me espancasse. Depois de me recuperar da surpresa com a minha própria coragem, todas aquelas inseguranças, medos e receios que vinham me consumindo desapareceram como uma nuvem de fumaça. Naquele momento ele não era mais meu irmão, amigo, protetor ou qualquer outra definição fuleira… era meu Jacob, era o meu sol. Ele era o ponto mais quente da minha vida, que explodia luz e calor para dentro de mim. A energia dele era tamanha que podia ser comparada ao sol do verão, bem no centro da terra… um sol do meio dia. Aquele beijo tinha tantos significados que nem eu era capaz de quantificar. A sensação era que fogos de artifício estouravam dentro de mim simplesmente pelo fato dele estar retribuindo o beijo com a mesma intensidade e paixão que eu. Seus lábios eram quentes e macios, preenchiam os meus de maneira tão precisa e sedenta, que a floresta inteira poderia pegar fogo só com o calor que eu estava sentindo. Eu sabia que a partir desse dia tudo iria mudar na nossa relação. Não queria pensar nas consequências, mas um horizonte de esperança se abria na minha frente, e eu corria em sua direção. Jacob era o meu futuro, disso eu tinha certeza, ele era tudo que eu já quis na vida, mais que qualquer outra coisa. Então, como se fosse para selar esse compromisso, me afastei do nosso beijo e o encarei nos olhos, ainda segurando seu rosto entre as mãos, para impedir que fugisse. Aquele oceano de seus olhos eram tão magníficos que eu me vi mergulhada neles mais uma vez. Abri um sorriso radiante, ainda o encarando. A respiração dele era acelerada e intensa, como se faltasse oxigênio suficiente no mundo, mas ainda sim ele sorriu em resposta. Suas enormes mãos faziam carinho no meu rosto, nossas testas coladas e ainda rindo um para o outro como dois bobos. - Jake? Jake, graças a Deus! - disse uma voz vinda da floresta.  Aquilo parecia tão estranho e distante do nosso pequeno paraíso que precisei de um minuto para entender que era realmente alguém nos interrompendo. Jacob pareceu demorar para perceber isso também, mas enfim se afastou um pouco de mim e virou de costas, mantendo uma mão envolta da minha cintura. Quando ele se virou, vimos a forma escura de Seth saindo do meio das árvores, trajando apenas uma bermuda velha. Em seu rosto estava uma expressão de surpresa e terror. - O que foi? - sibilou Jacob entre dentes. - No norte da floresta… no limite da reserva - arfava Seth, sem fôlego - Kotah estava fazendo ronda… então… encontrou um lobo… - O quê? Fale de uma vez i****a - pressionou Jacob, querendo acabar logo com aquilo. Seth, que estava se apoiando nos joelhos tentando recuperar o fôlego, se endireitou e nos encarou. - Encontramos um lobisomem ferido na floresta. Não é da daqui, é enorme, branco e está inconsciente. Leah quer trazer para a reserva, mas achamos melhor te avisar primeiro.  - E de onde veio esse maldito lobo? - perguntou Jacob, nervoso. - Ainda não sabemos. Paul está rastreando o cheiro, mas você tem que vir comigo agora cara, o lobo está realmente muito ferido, parece que foi atacado com violência, tem sangue por toda a parte, a respiração está fraca. Senti a tensão aumentar no corpo de Jacob porque sua mão na minha cintura começou a tremer.  - É melhor eu chamar Carlisle - respondi, tentando manter uma voz calma ao afagar seu braço. Ele de repente se assustou, como se tivesse percebido que eu ainda estava ali, então me olhou profundamente e pude ver sofrimento e conflito dentro dele. - Vá com Seth, eu vou chamar Carlisle e me encontro com vocês lá - insisti. - Ótimo Nessie - respondeu Seth, o alívio pela primeira vez transparecendo em sua voz. - Vamos nos encontrar na casa de Billy. Jake, vem logo! Jacob ainda me encarava intensamente, lutando para decidir se me deixava partir para seguir Seth. Acariciei sua bochecha e me esforcei ao máximo para esconder o pânico na minha voz. - Você tem que ir, Jake. - Mas… - ele começou, com uma voz entrecortada e rouca. - Está tudo bem. Fique com a sua matilha agora, eles precisam de você. Ele ainda me encarava com dor e sofrimento quando Seth o puxou pelo braço, mas não apresentou resistência. Sua forma enorme adentrou na escuridão da floresta antes que meus pés criassem força para se mexer.
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