Juan estava muito triste, o homem em que mais confiou em seu negócio havia partido, para ele Bernardo era muito além de um funcionário, ele entendia do negócio, conhecia a sua família, era leal e prestativo, mas pouco sabia da vida do senhor, sabia que era viúvo e cuidava de uma filha, ficou aliviado quando soube que a garota tinha um tio. Ele não queria ter muito contato com a moça, pois a pouco tempo havia se divorciado da mãe de seus filhos para assumir o romance com uma moça de dezenove anos. Ele estava completamente louco pela menina, mas ela era muito ciumenta e não o queria perto de ninguém que não fosse ela.
Todo o seu dinheiro era para agradá-la e mesmo o amigo Bernardo alertando sobre a questão financeira, Juan não conseguia dizer não para os encantos da menina. Ele comprou um apartamento e colocou no nome dela, estava tirando um carro para que ela pudesse ir tranquilamente para a faculdade e lhe presenteou com um cartão de crédito, assim ela estaria sempre maravilhosa para ele. Havia momento em que ele se achava usado, mas realmente estava de quatro pela menina e como o velho amigo lhe dizia, isso ainda vai acabar m*l.
O velório iniciou e por mais que falassem para Amanda descansar, ela não saiu em nenhum momento do lado do caixão. A menina já nem tinha mais forças e nem lagrimas para chorar, ela não conseguia pensar em mais nada a não ser a dor que estava sentindo devido a perda irreparável.
Não havia nenhum familiar, mas muitos bons amigos. Todos preocupados com Amanda, mas não deixariam transparecer essa preocupação.
O velório já havia chegado às sete horas da manhã e logo seria encerrado com o enterro. Amigos se disponibilizaram a levar o caixão até a vala aberta, a pobre moça teria que despedir-se de vez do seu querido pai, agora apenas a lembrança ficaria presente. Todos os bons momentos, toda a força e dedicação, o respeito pelo próximo e a responsabilidade nunca seriam esquecidos pela filha e pelos amigos.
O cortejo ocorreu e quando Amanda jogou sobre as coroas de flores, a terra que havia em suas mãos, sentiu como se o mundo a estivesse punindo por algo de muito r**m que fez, afinal que outro motivo seria? Agora ela estava sozinha.
Sabiamente o seu pai fez uma poupança e Amanda sabia que até iniciar o trabalho não precisaria se preocupar financeiramente, ela também poderia buscar emprego na mesma loja em que o seu pai trabalhou por anos, acreditava que o Senhor Juan não negaria trabalho para ela. Realmente não havia preocupação quanto ao futuro, havia apenas a falta do pai amado.
Abraçada por amigos e vizinhos, ela se sentia sozinha em meio a tanta gente, mas sabia que um café foi feito na casa de Dona Consuelo, a sua vizinha de porta, uma senhora fofoqueira, mas que soube ter empatia em um momento tão triste como esse.
No caminho até a residência de Dona Consuelo, Amanda ouviu o seu nome ser chamado uma única vez de forma forte e até um pouco brusca.
_ Amanda !!! Amanda !!!
_ Oi sou eu, o senhor quem é?
_ Sou o seu tio Claudio, irmão de Bernardo, que tristeza ele partir assim do nada, não é? Vou acompanhá-la até a sua casa para verificar como estão as coisas e em que situação estão vivendo.
_ Não precisa se preocupar, estamos todos a caminho da casa de Dona Consuelo, pois ela preparou um café para todos os presentes do velório e como fiquei a noite toda, estou com fome e cansada. O senhor é convidado, venha conosco e depois poderemos conversar.
_ Nem parece que você perdeu o seu pai!!! Ficou a noite toda velando, pois ele velou o seu sono e as suas enfermidades muitas vezes e no dia seguinte saia para trabalhar. Esta cansada de que? Por acaso trabalha? Sei que você acabou de perder o seu pai, mas ele também era o meu irmão e viajei a noite toda para estar aqui e poder confortá-la. Não seja egoísta, você não tem idade para isso.
Dona Consuelo que presenciou a conversar ficou horrorizada com a grosseira do senhor que estava ali em sua frente. Infelizmente ela nada poderia fazer a não ser insistir para que a garota se alimentasse.
_ Minha querida Amanda, eu levarei um café e algo para que se alimente. Converse com o seu tio, ele está preocupado com você e como não se conhecem bem, essa é uma oportunidade. Senhor, sou a vizinha e amiga de Bernardo e Amanda, quero que o senhor fique tranquilo, pois ela não está sozinha. Bernardo era um homem muito querido e sua filha amada não é nada diferente. Minha casa esta a disposição.
Claudio m*l olhou para a velha senhora, ele sabia que ela seria uma pedra em seu sapato, mas precisa de beneficiar desse momento, e não perderia tempo com isso.
_ Onde é mesmo a sua casa? A tanto tempo não venho aqui que me esqueci completamente, mas sempre que eu conseguia falava com o meu querido irmão. Me lembro de todas as broncas e como ele era turrão comigo. Era assim com você também?
_ Meu pai nunca foi nada do que comentou, era amoroso com todos e sempre tinha uma palavra amiga ou o ombro para quem precisasse.
Em pensamento Claudio pensou que o irmão não havia mudado nada, e que provavelmente era tão bom que achou melhor esconder da filha o irmão que o causou vergonha e que tanto desprezou. Era assim que ele se considerava amoroso?!?! Ele descobriria tudo o que precisava e não sairia de mão vazia de maneira alguma, afinal ele está bem quieto em seu canto, quem o procurou foi essa criança patética.
Mal entrou na casa e olhou para todos os cantos, andou por todos os cômodos e depois de um tempo se deu conta de perguntar:
_ Quanto anos tem? O que faz para contribuir nesta casa?
Amanda nem sabia o que responder, ela não conseguia colocar os pensamentos em ordem, estava triste para pensar em qualquer que fosse a pergunta.
_ Me desculpa tio Claudio, eu não estou com cabeça para responder nada, parece que m*l escuto o que está me falando. Pode reperir, por favor?
Bem a contragosto e sem um pingo de vontade de esconder, ele repetiu a pergunta:
_ Quanto anos tem? O que faz para contribuir nesta casa?
_ Tenho dezessete anos e ainda não trabalho, eu estudo, esse é o meu último ano e logo me formo no ensino médio, por isso eu não trabalho, mas ajudo na casa, eu que faço a comida e mantenho tudo organizado para que meu pai não tivesse problema com nada.
_ Bom, vou ficar com você por algum tempo, me sinto na obrigação de cuidar de tudo, pelo menos até que esteja maior de idade, mas tive um problema em meu negócio e entrarei com os cuidados e as responsabilidades de cuidar de você, mas precisamos de dinheiro, conhecendo Bernardo como eu bem conheço, ele deixou uma poupança para você, afinal ele já estava velho, não é?
A garota sentiu-se m*l pela maneira que o tio se referia ao pai e até mesmo a ela, mas não falou nada, pois a companhia tocou. Dona Consuelo estava com uma garrafa térmica e um prato de lanche e bolo, finalmente Amanda poderia comer algo, ela já tinha a boca seca e o rosto estava ardendo, provavelmente pelo sol quente e o tanto que chorou durante a noite.
_ Venha minha menina, venha comer algo, afinal, como Bernardo dizia “saco vazio não para em pé”. As duas sorriram, e aquela frase desagradou a Claudio.
Havia passado tanto tempo desde a única vez que viu o irmão, e não poderia ser pior, Claudio precisava de dinheiro, muito dinheiro, mas o irmão estava pagando o tratamento de Elisa, e não emprestou dinheiro com a desculpa de que poderia faltar no tratamento e na compra de remédios, e o irmão mais novo roubou as joias da cunhada, ainda assim, não foram suficientes, o que o fez apanhar muito dos cobradores. Bernardo sempre foi assim, nunca queria ajudar Claudio, foi assim quando Claudio perdeu a casa dos pais quando perdeu na aposta, o irmão mais velho tinha a obrigação de ajuda-lo, mas ele não o fez e acabou levando os pais para morarem com ele. Era sempre assim, sempre viu uma maneira de ser o melhor, mas agora ele veria só, a menina pagaria por tudo.
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