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Emile - Emi 🫦
__ no vá tia emi. - Derek um dos meninos que cuido aqui no bengo/África pediu chorando e meu peito apertou de um forma que tudo que eu queria era levar ele comigo para o Brasil.
__ você sabe que a tia precisa ir amor, mas a tia promete que volta, eu sempre volto não? - perguntei pegando ele no colo sentindo o peso levinho do garoto que já tem seus quatro anos, porém pela falta de recursos e comida aqui pesa seus 12 kilos, é de doer o coração.
Ele assentiu mesmo triste e agarrou no meu pescoço ficando por ali, tentando matar a saudade que sentirá nesses cinco meses que voltarei para o Brasil.
Desde que terminei meus estudos aos dezesseis anos, eu sabia que essa seria minha profissão, meu coração clamava por isso, serviço social sempre teve meu coração inteiro.
Meus pais me colocaram muito nova na escola, papo de três anos e consequentemente terminei cedo também, meu pai muito orgulhoso perguntou o que eu queria fazer que ele pagaria qualquer coisa, dito e feito, pagou meu curso que durou dois anos e meio, com quase dezenove anos eu me formei e com uma das professoras do curso eu acabei embarcando em uma jornada.
Uma das professoras tinha uma ong em andamento, a ong em si realizava trabalho só nas comunidades do Rio de janeiro, mas naquele ano estava com um plano diferente, o plano era vim até bengo passar quatro anos aqui e fazer o máximo que podíamos por essa comunidade, de cara fiquei apaixonada pelo lindo trabalho e quis me envolver.
Meu pai de cara não gostou, porque querendo ou não, seriam quatro anos longe, mas era minha escolha, já estava de maior e podia muito bem tomar minhas próprias decisões.
Meti a cara e vim, claro que passar quatro anos longe dos meus pais e da minha família mexeu pra c*****o comigo, nos dois primeiros anos quase que eu jogo tudo para o ar e volto correndo, mas não podia, não podia largar a mão de tantas crianças e famílias aqui.
E apesar de toda saudade, é gratificante ver o tanto que construímos aqui em apenas quatro anos.
O que era apenas casas de chapa, virou casas de tijolos e reboco, dois orfanatos porque infelizmente temos muitas crianças sem pais aqui, escolas incluindo ônibus escolares para levar e buscar sem nenhum custo, creche para os bebês para que as mães e pais possam trabalhar e manter a família, hospital e postos de saúde, luz, água e muito mais.
__ chegou a hora amor, a tia tem que ir. - falei e sentir ele me apertar forte, ele é um das crianças sem pais aqui e infelizmente acabam se apegando muito. - não faz assim com a tia. - falei já chorando. - todo dia a tia vai ligar para a diretoria e pede pra falar com você, vamos nos ver sempre e daqui a cinco meses tia volta pra ficar grudadinha com você. - falei pondo ele sentado no sofá, as outras crianças já estavam todos dormindo, era três da manhã aqui e no Brasil onze da noite.
__ plomete tia, não me abandona não. - falou todo triste e meu coração apertou, é triste ver como eles são vulneráveis aqui.
__ a tia promete amor, agora me dá um último abraço, preciso ir. - pedi e ele se jogou nos meus braços de novo, é tão difícil ir embora e deixar ele aqui, daqui a cinco meses eu volto, mas não vai ser muito tempo, a professora me deixou responsável por ajeitar as papeladas de adoção das crianças, então de cinco em cinco meses eu tenho que vim aqui buscar pelo menos duas ou três crianças para adoção, independente se seja no Brasil ou em outro lugar, as adoção variam de lugar, demora muito, é muita burocracia, mas acaba rolando, então eu fiquei responsável por esse setor, então vou sempre estar por aqui, mas nunca por muito tempo, no máximo duas semanas.
Soltei do abraço enxugando o rosto dele e o meu, dei um beijo na testa dele e finalmente sair do orfanato vendo o pessoal da ong já esperando no ônibus, estava desolada, as lágrimas caiam no meu rosto e meu coração apertado, não quis olhar para trás porque sabia que ele estava ali e iria doer demais ver ele chorando enquanto me olhava ir embora.
Daqui até o aeroporto são longas três horas, ou seja chegaremos no aeroporto com o dia raiando e pegaremos o primeiro vôo, daqui para o Brasil especificamente no Rio, eu pego três aviões, então a viagem seria longa e daria pra dormi e descansar de boa.
Sentei na minha cadeira e encostei a cabeça no vidro da janela vendo o caminho e não demorou muito pra eu pegar no sono.