— Me chamo Victor, prazer. — Falei estendendo a mão para cumprimentá-lo, mas acabei levando um tremendo vácuo.
— O que faz no meu apartamento?
Quando eu ia responder, a Júlia apareceu. Aliviando a minha tensão.
— Desde quando o apartamento é seu, Arthur? E respondendo a sua pergunta: Ele é meu convidado.
— Como assim seu convidado?
— Ele é meu amigo, Arthur. E para de ser antipático. Você não é assim com as minhas amigas.
— Exatamente! Suas amigas. Pelo que sei, ele não é uma delas. — Disse o tal do Arthur lançando-me um olhar de irritação.
— Pessoal, eu estou aqui, ok? − Ambos me encararam. — Se eu estiver causando algum m*l-estar, posso me retirar. A última frase eu falei encarando o Arthur.
— De maneira alguma, Vitinho. Você fica! Meu irmão não precisa aprovar nada.
Nessa hora eu me liguei que o tal do Arthur era o irmão da Júlia.
— Vitinho? — Arthur desdenhou.
— Sim. É o apelido carinhoso que encontrei para o Victor.
Arthur passou por mim batendo seu ombro no meu, fazendo com que eu cambaleasse para trás. Mas parou ao meu lado e reparou um pouco mais em mim.
— Mas que p***a é essa, Júlia? Você traz um amigo para dentro do nosso apê e ainda pega minhas roupas para ele vestir? Pode me explicar que m***a é essa? − Arthur estava ainda mais irritado.
— Aff, maninho. Para de ser chato. O Victor teve suas malas extraviadas e até que chegue amanhã, ele vestirá suas roupas. Não se preocupe que iremos comprar outras para ele.
— Espero que amanhã ele já esteja com as roupas dele. — Advertiu.
— Estarei, Arthur. Pode deixar. — Falei
Arthur me lançou um olhar indiferente e foi rumo ao corredor. Acho que iria para seu quarto. Nesse momento a Júlia aproximou-se de mim e falou no meu ouvido, como se não quisesse que o que ela iria dizer fosse escutado:
— Não liga muito para ele. Desde que nossos pais faleceram que ele ficou assim. Problemático.
— Entendo. Mas ele está certo.
— Certo em tê-lo tratado daquela forma?
— Não concordo com a forma como tudo aconteceu, mas se eu chegasse em minha casa e alguém estivesse usando minhas roupas, eu teria um ataque também.
— Isso até eu concordo, mas não precisava ele agir dessa maneira. Vamos devorar essa pizza logo, vai acabar esfriando. Gostei dessa parte. Estava morrendo de fome.
Nos sentamos à mesa e começamos a comer a pizza. Confesso que com a fome que eu estava, eu não fiz cerimônia e comi cinco pedaços de pizza. A Júlia apenas quatro.
— Ju, não vai chamar seu irmão para comer?
— Se ele quiser comer, ele vai vir pegar aqui.
— Tudo bem.
Falei pegando os pratos e talheres e levando até a cozinha.
— Vitinho, você se importar se eu for me deitar agora? Estou cansada da viagem.
— Claro que não. Pode ir.
— Qualquer coisa você me chama, ou chama o Arthur.
Não incomodaria o Arthur por nada.
— Tudo bem. Boa noite, Ju.
— Boa noite, seu fofo.
Depois disso a Júlia se trancou no quarto. Fiquei sentado no sofá mexendo no meu celular. Ouvi passos vindo do corredor. Era o Arthur.
— Cadê a Júlia? — Perguntou-me em um tom ríspido.
— Foi se deitar.
Por um instante o Arthur fez menção de falar algo, mas recolheu-se. Ele foi até o outro lado da sala para pegar algo. Resolvi o silêncio.
— Arthur?
— Qual foi? Respondeu-me virando em minha direção.
— Deixamos essa pizza aí para você. — Falei apontando para a mesa— Qualquer coisa o refrigerante está na geladeira.
— Beleza, brother.
Arthur veio em minha direção. Senti medo. Não sabia o que viria pela frente. Ele foi aproximando-se e tocou em meu ombro. Não entendi muito o motivo do toque. Ele percebeu pela minha e falou:
— Esqueceu de tirar a etiqueta. — Disse rindo.
Fiquei sem graça, mas tive que retribuir a gentileza.
— Obrigado, brother.
Arthur riu. Não sei se de mim ou para mim.
— Falei algo engraçado, Arthur?
— Sim. Esse seu "brother" soou bem forçado.
— Desculpe. Não tenho outra maneira de chama-lo, visto que não o conheço o bastante para apelidá-lo.
— Arthur. — Ele disse.
— Não entendi.
— Você certamente escutou a Júlia falar meu nome. Não precisamos de apelidos.
— Certo, Arthur.
— Espero que amanhã esteja com suas roupas. Pode ficar com essas daí. − Disse virando-se e indo até a mesa para pegar as pizzas. Antes que ele saísse da sala, eu o contive.
— Olha, Arthur. — Falei dando ênfase em seu nome. — Eu não pedi suas roupas, muito menos mencionei algo do tipo. Sua irmã quem as trouxe para mim. Mas não se preocupe, amanhã mesmo eu comprarei roupas novas e trarei uma nova para você.
Arthur aproximou-se de mim.
— Não quero roupas novas. Não preciso das suas roupas novas. Só quero que não pegue mais nada do que é meu, e muito menos sem a minha permissão, ou então...
— Ou então o quê? — O questionei.
— Boa noite! — Disse o Arthur saindo da sala e indo para o quarto.
Percebi que o Arthur não era alguém de fácil convívio. Teria que me adequar a isso, ou então seria assim em todos os nossos encontros.