O apartamento

1261 Words
Pegamos uma chuva intensa no caminho. Pessoas andavam pelas ruas com guarda-chuvas e os carros se aglomeravam em fileiras por conta da pouca visibilidade. Notei que a Júlia não parava de mexer no celular. Seguimos o caminho todo em silêncio. Não demoramos muito e chegamos à um condomínio maravilhoso. Ele possuía cinco torres com o mesmo número de andares e os prédios eram brancos e azuis. Todos possuíam sacadas que acredito que levavam a uma vista maravilhosa da cidade de São Paulo. O taxista parou o carro e a Júlia pagou a corrida. Fomos até a recepção do prédio para pegar algumas correspondências e logo em seguida seguimos para o elevador. — Vamos, Victor! — Vamos. — Tímido? — Não vou mentir, um pouco.  Ela riu. — E Ainda não me acostumei com a ideia de morar em uma cidade que não conheço. Para piorar a minha situação, a única roupa que eu tenho está toda molhada por causa dessa chuva. — Falei apontando para minhas roupas ensopadas.  — Vamos dar um jeito nisso agora.  Pegamos o elevador e seguimos até o 19°andar. Notei que se tratava da cobertura. Imaginei o quanto os pais dela deveriam ser ricos, afinal eles moravam em um condomínio de luxo e como se não bastasse, moravam na cobertura. A porta do elevador se abriu e dei de cara com um apartamento surreal. O elevador era privativo. Dava direto ao apartamento. Tudo estava nitidamente planejado. Cortinas se espalhavam pelas paredes brancas, o piso possuía um tipo de cerâmica reluzente, a sala bem harmoniosa, com uma tv que não tinha mais tamanho, obras de arte estavam expostas por todos os lados e pelo estilo das peças, nem se eu trabalhasse minha vida toda pagaria por elas. De repente fui interrompido dos meus pensamentos pela Júlia. — Victor, vai ficar aí na porta do elevador? — Falou rindo. — Que apartamento da hora. Mora com seus pais aqui? — Falei entrando no apartamento. — Obrigada! E não. Moramos eu e meu irmão, o Arthur. — Nossa que f**a! — Falei deslumbrado.  — Vou ajeitar o quarto de hóspedes para você, Vitinho. — Vitinho? — A questionei estranhando o apelido. — Sim. Vitinho. É como irei te chamar. Victor é muito formal. — Tudo bem então, Juju.  Ela riu do apelido que a dei. A seguiu para um corredor extenso, que pelo que imaginei, daria aos quartos. Fiquei ali sozinho admirando aquele apartamento por uns alguns minutos, até que ela voltou e me puxou pelo braço, levando-me até o quarto de hóspedes. Quando entramos, o quarto era absurdamente perfeito. Uma cama de casal, um guarda-roupas de solteiro, uma TV que ficava sobre um painel acinzentado e uma escrivaninha. Havia um banheiro enorme dentro do quarto. Era perfeito. — Vitinho, vou deixar você descansando. Se quiser tomar um banho, fique à vontade. Temos toalhas limpas no guarda-roupa. — Tudo bem, Juju. Vou tomar um banho e depois vamos conversar mais um pouco. — Okay. Vou indo. Qualquer coisa é só me chamar. — Certo. A Júlia saiu. Me sentei na cama e fiquei pensando em como meu dia tinha sido louco. Não demorei muito e fui tomar banho. Não tem nada mais relaxante do que um banho após um dia cansativo. Deixei a água cair pelo meu corpo. Peguei a toalha e enrolei a cintura. Vasculhei minha mala de mão para ver se achava alguma peça de roupa, mas não encontrei nada. Tudo havia ficado nas malas extraviadas. Fiquei desesperado. Ouvi a voz da Júlia do outro lado da porta. — Victor, já terminou aí?  — Já. Só tem um probleminha. Ouvi Passos vindo do corredor e logo após os passos, algumas batidas na porta.  — Estou indo.  Abri a porta. — Uau! Que corpo você tem, Vitinho.   Soltei um riso envergonhado.  — Para, né. Assim eu vou ficar sem graça   — Qual o “probleminha” que você estava falando? — Estou sem roupa para vestir. — Falei sem graça. — Vou pegar algumas roupas do meu irmão e amanhã nós vamos ao shopping comprar algumas para você. — Tudo bem.  A Júlia saiu do quarto e ficou alguns minutos no quarto do irmão e voltou com algumas peças de roupa. Me deu para vestir e disse que me esperaria na sala. Vesti uma regata branca, que por sinal ficou enorme em mim e uma bermuda jeans. A Júlia estava na sala. — O que você tanto faz aí, Juju? Antes de responder, ela fez questão de admirar as roupas do seu irmão em mim. — Nossa! Você está todo o Arthur.  — Ai meu Deus! — Respondendo a sua pergunta: Estou conversando com um boy aqui. Pense num homem lindo, charmoso, gostoso e rico. Pensou? — Sim. Christian Grey. — Respondi aos risos. — Seria meu sonho, mas não é esse não. É esse aqui. — Falou mostrando a foto do Boy. E realmente o homem era um espetáculo. — Realmente o homem é “pinta”.  — Pinta? Pelo amor de Deus, Victor. Quem utiliza essa expressão hoje em dia? Ele é um boy magia. Mas enfim, vamos pedir pizza? Não tem nada para comer aqui em casa. Arthur parece que não vive aqui. — Onde estão seus pais?  Nesse momento a Júlia abaixou a cabeça e percebi que seus olhos se encheram de lágrimas. — Eu falei algo de errado? — Não. É que...que... A Julia não conseguia falar muito bem. Sua voz estava trêmula.  — Olha, Ju. — Disse segurando as suas mãos, − Eu não sei o que houve, mas se não quiser falar eu entenderei.  — Não se preocupe. É que meus pais faleceram em um acidente de carro há dois anos. Tudo ainda é muito recente e ainda não nos acostumamos com isso. Estamos cuidando dos negócios da família. O Arthur me ajuda muito. Não era bem o que ele queria, pois sempre foi mimado e agora que está acordando para a realidade. Eu fico responsável pelas finanças. Eles nos deixaram uma herança e estamos tentando manter isso. Por isso eu estava no aeroporto. Era uma viagem de negócio. Aquilo havia me deixado surpreso. Respirei fundo para não transparecer fraqueza e a abracei. — Olha, Deus sabe de todas as coisas. Tenha fé, e sei que vocês irão conseguir passar por isso. — Vamos deixar esse assunto um pouco de lado. Vamos comer? Esse papo me deixou com fome. – Disse a Júlia sorrindo. — Vamos! Onde vocês costumam pedir a pizza? — Tem uma pizzaria Delivery muito boa, e as pizzas são ótimas. Vamos ligar para lá e pedir uma família. Ligamos para a pizzaria e fizemos o pedido de duas pizzas família: Uma de calabresa, portuguesa, quatro queijos e Atum, e a outra pizza metade frango com catupiry e camarão. Passaram-se trinta minutos e o interfone tocou. Era o porteiro avisando sobre a pizza . — Vitinho, vou lá pegar as pizzas. Faz um favor pra mim? Vai até a cozinha e pega os pratos e talheres que estão no armário superior e traz pra sala, por favor. — Pode deixar.  Meu Deus a cozinha era impecável. Digna de novelas. Era tanto armário que eu nem sabia por onde começar a procurar. Tive que ir abrindo um por um. Após encontrá-los, ouvi um barulho na sala. Devia ser a Júlia. — Ju...Julia. — Me surpreendi com um homem parado me encarando. — Quem é você? — Perguntou-me o homem. — E...eu... — Fala p***a! — Vociferou. Nessa hora meu coração acelerou. Eu não soube o que fazer.
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