O voo teve duração de 01h30min. Finalmente havia chegado em São Paulo. Esperei alguns minutos até que pudesse pegar as bagagens. Passaram-se trinta minutos do desembarque e as minhas malas ainda não havia aparecido. Questionei os funcionários da companhia sobre a demora e me falaram que as vezes demora um pouco para colocarem as malas na esteira. Após uma hora de espera, o saguão já estava praticamente vazio. Impaciente, fui até um guichê da empresa aérea.
— Gostaria de saber o motivo de aguardar uma hora para pegar as minhas malas, sendo que os passageiros do mesmo voo que o meu praticamente foram todos embora.
A atendente ficou sem reação.
— Em qual voo o senhor estava?
— No voo que partiu de Porto Alegre para são Paulo. Pousamos há uma hora e todos pegaram suas malas e as minhas até agora não apareceram.
— Vamos entrar em contato com os funcionários responsáveis. Aguarde alguns minutos.
— Ok. — Falei irritado.
Dez minutos depois, a atendente chegou acompanhada de um senhor que aparentava uns quarenta anos.
— Olá Senhor, Victor Drummond. Me chamo Paulo Roberto e sou responsável pelo despache das bagagens. Sinto lhe informar, mas suas malas foram extraviadas.
Não estava acreditando naquilo. Minhas malas extraviadas?
— Como assim minhas malas foram extraviadas e o senhor me fala na com essa naturalidade?
— Senhor, sinto muito. Infelizmente foi o que ocorreu. Estamos tentando entrar em contato com o pessoal da nossa companhia para saber como faremos para resolver o ocorrido.
— Acho que vocês não estão entendendo a real situação. — Disse em um tom de voz ríspido. — Minhas roupas, sapatos, acessórios, livros de estudos, notebook. Tudo está perdido. Estou apenas com a roupa do corpo e felizmente com meus documentos e celular numa cidade que não conheço absolutamente nada nem ninguém e vocês irão ver como farão para resolver o ocorrido?
Nesse momento uma garota loira, olhos azuis, vestia uma calça social preta, uma blusa branca e um blazer por cima, abordou-me.
— Bom dia! Não pude deixar de notar o ocorrido. Posso ajudá-lo em algo?
Estava tão desesperado que nem respondi ao "Bom dia" da garota.
— Minhas malas foram extraviadas. Estou apenas com essa roupa, não conheço nada na cidade e nem ninguém e não sei o que fazer.
— Nossa que h******l! Já falou com o responsável da companhia?
— Falei. Eles não sabem como resolver. — Falei chorando.
— Espere um momento. — Disse a garota indo até o guichê da empresa.
— Bom dia! Meu amigo acaba de passar por uma situação terrível e vocês simplesmente não sabem como resolver a situação deles? Eu exijo que vocês resolvam isso o mais rápido possível.
— Senhora... — A atendente fez menção de falar. Mas a garota a interrompeu.
— Escuta aqui. — Disse num tom ríspido. — Não é nada contra você. Sei que está em seu ambiente de trabalho, mas eu quero falar com alguém superior à você. Acho que esse caso já não faz mais parte da sua ossada. Então quero que em cinco minutos o diretor. — Disse dando ênfase. — Da companhia venha falar comigo ou serei obrigada a entrar com um processo administrativo contra a empresa por negligência.
Nesse momento um dos funcionários correu para uma sala que estava com a porta fechada. Fiquei admirado pela garota tomar a frente da situação, pois eu estava perdido. Fomos levados até uma sala "vip" e aguardamos alguns minutos. Rapidamente apareceu um senhor de cabelos brancos e um corpo robusto
— Bom dia, senhora? — Disse o senhor estendendo a mão e perguntando o nome da garota.
Nem eu sabia.
— Júlia Huback Cornier.
Uau que nome maravilhoso.
— Filha dos Cornier? — Indagou o Senhor.
— Exatamente!
— E o senhor se chama Victor, não é isso? Falou o Senhor encarando-me.
— Isso. — Respondi.
— Me chamo João Carneiro. Sou o Diretor da companhia. Estou ciente do ocorrido e sinto muito por ele. O que pudermos fazer para consertar esse equívoco, pode acreditar que o faremos.
Nesse momento a Julia tomou a frente.
— Senhor, Carneiro. Temos aqui evidentemente um erro por parte da sua empresa. Sabendo o senhor que isso acarretará consequências bem sérias, caso não seja resolvido imediatamente, fica claro também o despreparo por parte dos funcionários, pois nem sequer foi feito o Registro de irregularidade de bagagem. Registraremos também uma queixa no escritório da Agência Nacional de Aviação Civil e exijo que seja feita uma compensação financeira ao meu cliente pelo ocorrido.
Eu apenas observei calado. Eu tinha uma advogada e nem sabia. O Auge!
Nesse momento o senhor Carneiro pediu licença para fazer uma ligação e nos deixou a sós. Dei um abraço tão forte na Julia que até ela se surpreendeu. Não demorou muito e o senhor Carneiro voltou portando um cheque e entregando-me.
— Aqui está senhor Victor. Um cheque que compensará por pelo menos 30 dias o erro da nossa companhia. Prometo que em até dez dias o senhor estará com suas malas em sua casa.
— Então estamos entendidos, senhor Carneiro. Agradeço pela atenção e cobrarei eu mesma a resolução do assunto. Vamos, senhor Victor. — Disse a Júlia me encarando.
— Vamos! — Logo após sair da sala "vip", caminhamos até a área de desembarque. Eu não conhecia absolutamente nada na cidade. Nem sabia como sair do aeroporto. Quando finalmente saímos do aeroporto, percebemos que se formavam nuvens carregadas no céu. Isso era sinal de que viria uma chuva e tanto. Fiz menção de que iria chamar um táxi, mas a Júlia interrompeu-me.
— Aonde pensa que vai?
— Nem eu sei. — Disse rindo.
— Você não tem lugar para ir. Vi que você não conhece nada aqui. Acho que deveria ficar no meu apartamento até tudo se resolver. O que acha?
— Não quero dar mais trabalho.
— Não vai. Vamos! Vou adorar ter sua companhia.
— Tudo bem! Mas até resolver isso.
Então a Júlia e eu pegamos um táxi. O rumo? Nem seu sabia qual era...