— Victor, Victor. Acorda! — Ouço uma voz feminina.
Levantei-me da cama abrindo os olhos e enxergando absolutamente nada. Uma claridade vinha da janela do meu quarto. Quando dou por mim, minha prima está parada na porta. Me encarando com uma cara de quem está questionamento. Olho para o relógio que marcam 10h30min. Dou um pulo da cama, e me dou conta que dentro de quatro horas eu terei que estar no aeroporto embarcando.
Me desculpem se eu não me apresentei. Me chamo Victor. Sim com "C". Tenho dezessete anos. Sou um garoto de pele clara, cabelos pretos curtos, olhos castanhos claros. Tenho lá meus um metro e setenta e dois de altura. Tenho um corpo “normal”. Diga-se de passagem atraente.
Vou ao banheiro e me observo no espelho. Contemplo meu rosto inchado. Tiro minha bermuda, cueca e entro no box. Coloco o chuveiro na posição na temperatura "quente", pois estava fazendo 4°C aqui na cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul. Termino o banho, enrolo a toalha a minha cintura, e saio. Pego a cueca que estava sobre a escrivaninha. Já havia separado a roupa que iria viajar. Visto uma calça preta, uma camisa branca, e por cima um casaco preto. Desço até à cozinha e avisto minha prima Isadora sentada no sofá com uma xícara na mão, e sobre a outra mão um sanduíche.
— p***a, Isadora. Por que não me acordou antes?
— Eu lá sabia que você ainda estava dormindo. — Disse me encarando.
— Se eu estivesse morto você nem saberia.
— Para de drama, né?
A propósito, meus pais desejaram muita sorte e qualquer coisa que você precisasse, poderia contatá-los.
Não contei a vocês, mas meus pais não moram no Brasil. Moram em Massachusetts. Isso faz uns sete anos já. Decidi que não queria ir com eles. Tinha meus amigos aqui, alguns primos e gostava muito de morar aqui, ou pelo menos gostava. E desde os meus dez
anos de idade que moro com os pais da Isadora. E agora eu estaria viajando para São Paulo para estudar. Afinal, eu havia passado no curso de Direito e teria que ir morar lá. Meus pais me apoiaram nessa decisão e ficaram muito felizes em me ver finalmente numa faculdade.
Enfim, olhei para o relógio, marcava 11h00min. Corri para mesa, peguei um copo e o enchi com iogurte, coloquei geleia na torrada, e comi. Meu voo estava marcado para às 14h30min. Chequei meus todos os meus documentos, carteira, notebook e as malas, tudo estava lá. Pedi para que Isadora pedisse um Uber, que não demorou muito e já se encontrava na porta. E aí começou aquela despedida. Isadora com voz de choro, pedindo para que eu ficasse e eu a encarando com uma cara de tristeza, mas por dentro querendo dar altas gargalhadas.
— Primo, tem certeza de que você quer ir?
— Prima, é a vida, né? Tenho que ir.
— Sentirei tanto sua falta.
— Eu também. Você sabe que somos como irmãos. Você é a irmã que eu não tive. Vamos sempre nos falar. Tem meus contatos e quando eu estiver estabilizado, vou querer você comigo.
— Tudo bem, primo. Te amo. Sorte lá! Quando chegar me avisa.
— Certo. Trocamos um longo abraço. Dei um beijo em sua testa e me dirigi ao carro.
Então o motorista acelerou o carro. Fui observando a Isadora sumindo pouco a pouco pela janela do carro. Da casa da Isadora até o aeroporto de Porto Alegre era cerca de 115 km de distância. Daria uma fortuna se eu fosse de Uber até lá. Então pedi que o motorista me levasse até a rodoviária e de lá pegaria um ônibus até o aeroporto. Cheguei ao aeroporto por voltas das 13h45min. Restavam-me quarenta e cinco minutos ainda. Como eu já havia feito o check-in pela internet, apenas despachei as bagagens e fiquei andando pelo aeroporto. Resolvi comer algo. Às 14h10min fui para o salão de embarque. Mandei uma foto para Isadora. Que ainda estava triste com a minha ida para São Paulo. Às 14h30min o avião levantou voo.
São Paulo que me aguarde!!