Depois de toda aquela cena no condomínio do Arthur, finalmente eu e o Rodrigo estávamos indo para o nosso encontro. De repente o Rodrigo começou a puxar assunto.
– Quem era aquele cara que estava com você na portaria, Victor?
– O Arthur, irmão da minha melhor amiga.
– Apenas isso?
– Sim. Por que?
– Porque ele me pareceu gostar de você. Estava parecendo que estava com ciúmes.
Não contive a risada.
– Falei algo de errado?
– Não. Apenas dei risada da última frase. Seria impossível isso, o Arthur é hétero.
– Sei não, hein! Acho que ele gosta de você e não está percebendo.
Aquelas palavras do Rodrigo me deixaram confuso. Como um garoto hétero vai sentir ciúmes de mim?
– Acho que não. Mas não vamos falar sobre ele. – Sentenciei.
– Tudo bem. Como quiser. – Disse o rodrigo lançando-me um sorriso. – E ai, qual a sua idade? –
Pensei em falar a verdade, mas preferi omitir o fato de eu ainda ser menor de idade.
– Eu tenho dezoito. E você?
– Tenho vinte. Você é bem novinho.
– Somos.
– Somos. – Concordou. – E você é bem corajoso. Saiu do Sul para estudar numa cidade que nem conhece.
– Concordo. Mas na vida é preciso enfrentar desafios.
– É verdade.
– Mas e você, tão novo e trabalhando como motorista no Uber. Por que? – Perguntei.
– Independência. Odeio ter que depender dos meus pais.
– Entendo.
– Vamos passear por alguns pontos turísticos de São Paulo e depois vamos num barzinho bem legal. Boa música, ambiente agradável. Pode ser?
– Pode sim.
Passamos pela Avenida Paulista, Museu de Arte, porém este esteva fechado por conta do horário. Passamos pela Catedral Metropolitana e por último Parque Ibirapuera, que estava bastante movimentado. Depois disso fomos para um barzinho situado no centro de São Paulo. Estava bem movimentado também, mas nada muito tumultuado. Era um bar bem aconchegante. Muitas pessoas riam ,as luzes estilo boate se entrelaçavam com os ocupantes do bar. Uma mulher cantava ao fundo num pequeno palco uma música suave e alguns garçons serviam os clientes. Sentamos em uma mesa no canto e prontamente um garçom veio prestar-lhe seus serviços. O Rodrigo pediu uma caipirinha que era a especialidade da casa e eu fui com ele. Não demorou muito e elas chegaram. Estavam ótimas e o sabor então…perfeito! Rodrigo puxou novamente o assunto.
– Gostando do passeio, Victor? – Falou isso dando gole na caipirinha.
– Estou sim, Rodrigo. Obrigado pelo convite.
– Não precisa agradecer. Mas me fala mais de você. Namora? – Nessa hora eu tremi, mas não transpareci.
– Não. Solteiro e você?
– Por enquanto solteiro.
Sorri sem graça.
– Posso te fazer uma pergunta mais íntima?
– Vá em frente. – O encorajei.
– Você é… – Rodrigo pareceu estar nervoso.
– Gay? – Completei.
– Sim.
– Sim. Sou gay. Por quê?
– Porque eu curtir você. Você é lindo sabia?
Se eu estivesse tomando um gole da caipirinha, certamente teria colocado para fora.
– Obrigado, Rodrigo. Você também é lindo. Bastante. – Falei com um sorriso meio que com vergonha.
– Vou pedir mais duas caipirinhas pra nós. – Disse isso chamando o garçom, que prontamente anotou o pedido, e foi providenciá-lo.
– Rodrigo, por que me convidou para conhecer a cidade?
– Porque eu na verdade queria te conhecer melhor.
– Nossa! Bem direto você, hein. – Falei.
– Gosto dessa forma.
As caipirinhas chegaram. Dali em diante, ficamos rindo de algumas coisas que aconteciam no bar, tomamos mais uma caipirinha, e eu já estava ficando tonto. Acho que o Rodrigo percebeu.
– Bom, acho que chega de caipirinha por hoje. – Disse rindo.
– Concordo plenamente.
– Victor, Vamos para um lugar mais reservado?
– Sugere algum lugar?
– Minha casa.
Por essa eu não esperava.
Eu estava com um cara gato, mas desconhecido. Se eu aceitar a sugestão, não vamos ficar só no papo. Vai rolar algo a mais e definitivamente eu não me sinto preparado para isso. Não agora. Sonhei em perder minha virgindade com alguém muito importante para mim. Sonhei com algo inesquecível.
– Nem me conhece e já está me convidando para sua casa?
– Talvez esse seja o motivo do meu convite: Te conhecer melhor.
O Rodrigo sabia como deixar alguém sem saída.
– Tudo bem, eu aceito. Mas com uma condição.
– Qual seria essa condição?
– Que você deixe seu carro aqui e Voltaremos de Uber para sua casa. Não quero terminar nosso encontro no hospital.
– Tranquilo. Vou chamar um agora e amanhã volto para pegar meu carro.
Rodrigo pagou a conta e saímos. Não demorou muito e já estávamos entrando no apartamento dele. Era pequeno, mas bem organizado. Principalmente para um homem que mora sozinho. Quando entramos, notei que a sala e a cozinha eram juntas, uma espécie de cozinha americana. Tinha um pequeno corredor que levava a duas portas uma de frente para outra. Acho que banheiro e quarto. Rodrigo me convidou para entrar. Me sentei no sofá e o Rodrigo foi até a cozinha, acendeu as luzes e depois foi até o quarto fazer algo. Nesse intervalo, aproveitei para colocar meu celular para despertar em vinte minutos, caso as coisas não dessem certo. Eu estava nervoso!
Rodrigo voltou sem camisa, vestindo apenas uma calça. Que visão dos deuses. Rodrigo era loiro, sua pele clara, peitoral definido, liso, cada movimento seu fazia com que seus músculos ficassem enrijecidos. Realmente não posso negar ,Rodrigo era um pedaço de mau caminho.
– A fim de um drink, Victor?
– Acho melhor não. Já estou aéreo. Nem sei se aguentaria tomar mais alguma coisa.
Ele riu.
– Vou preparar um drink para nós dois. Aproveita e faz um favor parar mim, conecta meu celular ao som para ouvirmos algumas músicas. – Disse isso estendendo o celular para mim.
– Tudo bem, Rodrigo.
– E faz outro favor: Não me chame pelo nome. Inventa um apelido, me chame até de cachorro se quiser.
– Tudo bem, seu cachorro.
– Au au. – Disse esbanjando um sorriso lindo.
Conectei o USB do celular ao som e a primeira música começou a tocar. Era Calvin Harris ft Rihanna - This Is What You Came For. Me sentei no sofá e observei o Rodrigo preparando nossos drinks. Ele começou a dançar com as batidas da música. Só observei a cena. Um garoto com corpo de homem. Rodrigo veio em minha direção, colocou os drinks em cima da mesa de centro e me puxou pelo braço. Ele estava querendo dançar comigo. E eu como sempre pagando um belo mico. Enquanto dançávamos, Rodrigo me lançava alguns olhares. O encarei. Seus olhos apreciam ainda mais azuis. Senti sua barba roçar em meu rosto. Ele sussurrou em meu ouvido:
– Quero sua boca na minha.
Nessa hora eu gelei. Pensei no que diria, mas o pensamento fugiu de mim. Rodrigo me colocou contra a parede, me fazendo sentir seu peitoral e seus braços fortes. Ele segurou minha cintura e encostou seus lábios nos meus.
– Me Beija! –Falei.
Nesse momento Rodrigo me apertou contra seu corpo. Então pude sentir sua boca quente na minha. Sua língua ia de encontro a minha em um beijo quente, molhado e com pegada. E que pegada! Cheguei a ficar sem ar e ele continuava me beijando. Rodrigo me colocou sobre o sofá, deitou sobre mim e tirou minha camisa. Estava muito quente ou isso estava sendo causado pela situação? Não sei. Só sei que nossos corpos estavam suados. Rodrigo continuou me beijando, passando sua mão por todo o meu corpo, e em alguns momentos apertava minha b***a.
– Nossa, Victor. Que beijo gostoso.
– Você também beija muito bem.
Continuamos trocando alguns beijos. Pude sentir o volume do Rodrigo e por um momento tive a curiosidade de saber como era, Mas me mantive firme. Aquele homem em cima de mim estava me deixando louco. Passei a mão sobre suas costas, desci, pude sentir seus músculos contraindo. O toque das minhas mãos sobre seu corpo estava fazendo o arrepiar. Rodrigo então me beijou mais uma vez, fazendo seu corpo ficar mais próximo ainda do meu, sentindo seu volume, e então meu celular tocou. Eu sabia que se tratava do despertador. Rodrigo saiu de cima de mim. Retirei o celular do bolso e simulei uma ligação. Fingi que era a Júlia que estava me ligando pedindo para que eu voltasse para casa.
– Foi a Júlia. Ela não está se sentindo bem e precisa de mim.
Rodrigo me olhou desapontado, mas entendeu.
– Foi algo sério?
– Não. Mas ela está sozinha. Preciso ir, Rô.
– Tudo bem. Vou chamar um Uber pra você.
Rodrigo pegou o celular e chamou o Uber. Chegaria em alguns minutos. Antes de sair do apartamento trocamos mais uns beijos. Na portaria nos despedimos. Ele de fato estava desapontado. Mas eu sei que se continuássemos lá, as coisas terminariam de outra forma, e eu ainda não me sinto preparado.
02h30 da madrugada. Esse foi o horário que eu cheguei à portaria do condomínio da Júlia. Tudo estava silencioso. O porteiro liberou a minha entrada, pois já me conhecia. Fiquei esperando o elevador descer. Entrei no elevador e nem percebi que havia chegado ao andar do apartamento da Júlia, se não fosse o fato da porta do elevador está aberta e o Arthur do lado de fora me olhando com uma cara de quem não estava gostando nada da situação.