Arthur Vs Rodrigo

1029 Words
Eram 19h40min quando olhei para o relógio, e logo em seguida para o espelho e pude ver como eu estava lindo. Vestia uma calça bege skinny, uma camisa de manga comprida preta, que estava puxada até a altura dos cotovelos, um sapato preto com detalhes no solado bege, usava uma corrente com pingente de um chapéu que eu havia comprado no shopping, um relógio simples, e um perfume bem suave. Ajeitei a cama, coloquei as coisas no lugar, escovei os dentes, e fui até a sala. A Julia estava sentada no sofá vendo TV.  – Vai aonde todo arrumado, senhor Victor? – Perguntou a Júlia em tom de deboche – Vou conhecer a cidade.  – Como assim conhecer a cidade? Sozinho?  – Não. Com um novo amigo. – Novo amigo? Senta aqui Victor e me conta essa história direito. Eu ainda não havia contado a ela sobre o Rodrigo. – Olha, Ju. É uma pequena história. Começando com o fato de que eu sou gay. Julia se manteve calada.  – Desculpa não ter dito isso antes. – Continuei. – Se é que isso seja um fato para ser dito assim de qualquer maneira, mas enfim. Conheci um cara super legal na minha ida à USP e como não conheço a cidade ainda, fui convidado para conhecer agora a noite. – Olha, Victor. – Disse pausadamente. – Não se preocupe com o fato de ter escondido isso de mim. Sei que não é fácil falar abertamente para todos. Quero que saiba que eu respeito toda e qualquer forma de amor. E aqui entre nós: Eu amo os gays. E com relação ao seu novo amigo, cuidado! Ele é confiável?  Essa resposta nem eu sabia. Só descobriria agora a noite, mas ela me fez pensar se essa seria mesmo uma boa ideia sair com alguém que acabei de conhecer.  – Eu ainda não o conheço totalmente, mas ele não me parece ser um cara ruim – Bom, se é isso mesmo que você quer, arrase. O celular vibrou. Era uma mensagem do Rodrigo: – Estou aqui. Respondi logo em seguida: – Estou descendo. – Bom, vou indo. Não vou demorar, mas caso eu não volte antes de você dormir, boa noite. – Boa noite. E qualquer coisa, me liga. – Pode deixar. Fechei a porta do apartamento e fiquei aguardando o elevador subir. Em questão de segundos a porta do elevador se abriu. Para a minha surpresa, Arthur estava dentro dele.  – Nossa! Tá bonito, hein! – Disse o Arthur me olhando de cima a baixo. – Obrigado, Arthur. Mas pensei que você fosse macho demais para elogiar outro homem. – Desdenhei. – E sou! Mas posso elogiar com certa segurança outro homem. – Que bom. Agora tenho que ir. – Falei entrando no elevador e esperando ele liberar a porta. – Aonde você vai assim cheiroso e arrumado?  –Vou conhecer a cidade.  – À noite? Sozinho?  – À noite. E não estarei sozinho. – Vai com quem, Posso saber?  – Isso não importa não, é? – Claro que importa. Agora você está sob nossa responsabilidade. – Sou grandinho, Arthur. Sei me cuidar. – Você só tem dezessete anos, Victor. Acha que pode sair por aí confiando em todos? Ainda mais com essa carinha de bebê que você tem. – Falou tocando em meu rosto. – Escuta aqui, Arthur. Tenho dezessete anos sim, mas se i me cuidar. Além do mais, faço dezoito nas próximas semanas. – Falei aumentando o tom de voz. – Xiiiu! Fala mais baixo. – Falou encostando o dedo na minha boca. O encarei. – Tire o seu dedo sujo da minha boca. Sabe lá onde você o colocou.  – Calma ae, cara. Coloquei em um lugar que você deve adorar.  – Não estou brincando, Arthur! – O adverti. – E tira a mão da porta. – Calma bebê. Deixo você ir, se me levar junto. – Como assim te levar junto? – Ué! Não é apenas um passeio pela cidade? Quero ir também. – Não! Agora tira a mão da porta. – Nesse momento meu celular tocou. Olhei para a tela, era o Rodrigo. – Então ele se chama Rodrigo? – É sim. Agora tira a mão, por favor. – Falei quase que implorando.  – Vou descer com você. Quero ver a cara desse tal de Rodrigo. – Arthur falou isso entrando no elevador. – Arthur, não precisa disso.  – Não estou perguntando se precisa ou não. Vou descer e pronto. – Arthur estava decidido. Uma coisa que eu admirava no Arthur era a sua firmeza. Quando queria algo, o fazia de qualquer maneira. Descemos até o térreo. Eu estava apreensivo. Não sabia como lidar com essa situação. Chegamos a portaria e pude avistar o carro preto do Rodrigo. Rodrigo saiu do carro em sua maior perfeição.  Estava um gato! Ela vestia uma calça preta, camisa branca, uma jaqueta preta por cima, sapatos brancos, e um relógio que aparentava ser de ouro. Ele veio até a nós. – Boa noite, Victor. – Boa noite, Rodrigo. – Quem é esse cara? – Perguntou o Rodrigo. Mas antes mesmo de eu responder, Arthur me cortou. – Esse cara se chama Arthur Cornier. Senti um clima tenso entre eles. Ambos apertaram as mãos, mas não desgrudaram. Era uma espécie de quebra braço, mas com as mãos. Então interrompi esse momento. – Já chega, garotos! Vamos Rodrigo, não quero sair daqui tarde. – Concordo. – Falou o Rodrigo encarando o Arthur, que por sua vez não se fez de rogado.  – Vamos indo. Arthur. Qualquer coisa tem meu número, e tenho o seu também. Boa noite. – Tranquilo, Victor. Qualquer coisa me liga. Qualquer coisa mesmo. – Disse o Arthur lançando um olhar para o Rodrigo. Rodrigo abriu a porta do carro para mim. Ao fechar, olhou par ao Arthur e sorriu. Que logo virou as costas e saiu. Nessa hora eu pude perceber o desapontamento dele, mas a essa altura eu não poderia desistir do passeio com Rodrigo. Ambos não mereciam isso. Mas não tinha muito o que ser feito, era apenas curtir o passeio com o Rodrigo e ver o que me restava ao longo da noite...
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