Não é um cachorro?

1364 Words
Luana narrando Termino de arrumar as coisas completamente atrasada. Já são seis e quarenta, eu quase dormi em pé no banho e nem fiz a mala. Corri para a cozinha e virei um Danone na boca antes de sair correndo. Meu vizinho, um senhor de idade, sorri para mim: — Bom dia! — falo, e ele ri de mim. — Minha filha, você vai viajar de pijama? — ele pergunta, e me olho no espelho. — Droga, tenha um bom dia. — aperto o andar seguinte e saio correndo. Subo as escadas e invado meu apartamento na pressa. Visto um jeans preto e um cropped fofo, calço um tênis branco e tranco a porta novamente às pressas. Vejo que estou mais de vinte minutos atrasada. Meu Deus, vou ser demitida antes mesmo de começar. [...] — Bom dia! — falo mais alto para o porteiro enquanto corro para fora do prédio. Vejo a dona Melinda encostada em seu carro grande. Ela olha para o relógio e sorri quando me vê: — Me desculpa, dona Melinda. Se você quiser me demitir, eu entendo. Deve estar zangada. — sou cortada quando ela levanta o dedo. — Estou zangada, mas só por você me chamar de dona. Já falei que é só Melinda. — ela fala, e sorrio aliviada. — Hoje, como é seu primeiro dia, a gente releva. — Obrigada. — agradeço, e ela leva minha mala para o porta-malas. Espero ela autorizar e entro no banco do passageiro. Ela dá a volta e entra no carro, já saindo com ele. — Olha, eu não falei muito no dia, mas eu te contratei por achar que você é uma pessoa bem alegre, animada, e só alguém assim pra aguentar o Max. — Mas o cachorrinho é tão r**m assim? — pergunto, e ela ri, entrando em uma rua deserta. — Gostei desse termo. — não entendo, mas não pergunto mais nada. Entramos em um condomínio fechado que tem várias casas, ou melhor, mansões... são gigantes e muito lindas, e provavelmente caras. Ela para o carro em frente a uma casa cinza e preta. Descemos, e ela me entrega a mala: — Eu vou entrar com você e te mostrar a casa. Vamos primeiro para o seu quarto. Entramos, e olho encantada para tudo. Percebo que ela anda, e corro atrás dela. Entramos na cozinha, e vejo uma senhora limpando: — Bom dia, Fátima. — ela beija a bochecha da mulher, que sorri para mim. — Luana, essa é a Fátima. Ela é funcionária da nossa família há muito tempo. Ela que cuida e mantém tudo em ordem aqui. Ela cozinha também, mas as coisas saudáveis da dieta do Max você que vai ter que fazer. — Sim, prazer, dona Fátima. Pode me chamar de Lua se preferir. — ofereço minha mão, mas ela me abraça. — Prazer, menina. — Vamos, Lua, depois você fala com a Fátima. Vamos conhecer a casa. Entramos em um corredor pela cozinha, que tem dois lados. Uma porta dá para o quintal, que é de vidro, e outra está aberta e vejo ser o banheiro. No fim do pequeno corredor, tem o meu quarto. Ela abre, e eu esperava apenas uma cama de solteiro, mas o quarto é gigante. Tem uma cama de casal, TV, penteadeira e uma cômoda grande: — Depois do fim do tour, você pode arrumar suas coisas e esperar o almoço. Hoje, até às 13h, você está livre. — Quando vou conhecer o pequeno Max? — pergunto, e ela olha no relógio. — Ele deve ter ido treinar na academia hoje. Na hora do almoço, ele chega. Eu vou precisar falar com ele e você mesmo, então fico aqui esperando. Seguro uma risada imaginando como deve ser engraçado um cachorrinho na academia. A casa da dona Melinda é enorme. Andamos pela sala, escritório, lavanderia e quintal. Estranho não ver nenhuma bolinha ou brinquedo, mas fico na minha. O andar de cima tem uns dez quartos, academia e uma sala de instrumentos. Descemos para o primeiro andar novamente, e ela fica na sala de jantar enquanto vou arrumar minhas coisas. [...] Guardo a última coisinha na cômoda e me sento com sono na cama. Não gosto muito de acordar cedo: — Lua, a dona Melinda está te chamando na sala de jantar. — Fátima fala, e me levanto na hora. — Obrigada, dona Fátima. Sigo quase correndo e paro de andar ao ver o rapaz tatuado de ontem com um cara mais velho, mais tatuado, mais alto e também m*l humorado pela sua cara. Ele está sem camisa: — Max, conheça sua babá. — a Amélia fala, e olho para o chão, me agacho vendo embaixo da mesa. — Dona Melinda? — chamo baixinho, me aproximando. — Cadê o cachorro? Ela dá risada e até se curva na mesa de tanto rir: — Me desculpa, eu achei que você tinha percebido. Ele é o cachorro, meu irmão. — ela aponta para o cara grandão, e arregalo os olhos. — Minha babá? Melinda! p***a, eu não preciso disso. — Precisa sim. Você sabe muito bem o que você já fez e por que precisa. Agora, sentem-se todos, por favor. — ela manda, e me sento em frente ao Martin. — Oi. — ele sussurra, e assinto. — Vocês dois assinaram o contrato ontem. Nas entrelinhas fala que ele não pode ser quebrado de jeito nenhum, até a próxima luta do Max, que vale o cinturão dele, que quase foi perdido em sua última luta. Lua, me desculpa por te prender n isso, mas eu preciso de alguém pra colocar ele na linha e sem se contaminar com o m*l humor dele. — ela fala, e estou confusa. — Mas ele já é adulto, o que eu tenho que fazer além de cozinhar as coisas saudáveis que você comentou? — Impedir meu irmão de fazer merda, de t*****r com prostitutas e ter DSTs, de beber, de dar festas. — o Martin fala, e arregalo um pouco os olhos, mas tento disfarçar. — Eu acho isso um absurdo, eu sei cuidar de mim. — ele fala na outra ponta da mesa, e o encaro finalmente, mas pela sua cara, me olhando abaixo da cabeça, com medo. — Nas regras está claro que só pode cortar o contrato se houver violência física contra o outro. E também está escrito que o Maxuel deverá obedecer você, Lua, e você só deve aceitar os serviços extras se quiser. — Eu não quero t*****r com ela. — o Maxuel fala, e minhas bochechas ficam vermelhas, mas não me contenho de responder. — Ela fala de cuidar de você aos fins de semana e à noite, i****a. — respondo, e me olham um pouco em choque. — Seu horário de trabalho vai até às 18h, quando tem que deixar a refeição pronta, e como começa às 6h, pedimos que durma aqui, para não ocorrer atrasos. — Melinda fala, e assinto. — Já que tudo foi explicado, eu já vou, e o Martin também porque temos que trabalhar. Eles se levantam, e eu também. Martin anda até mim e me abraça, me deixando surpresa. Ele me entrega um cartão com seu número discretamente e se afasta: — Me liga. — ele pede, e rio negando. — Obrigada, mas não. Não sou tão boba, e sei que você é um galinha. — ele recusa o cartão e sai correndo atrás da irmã. Me viro e acabo batendo a testa, levando minha mão ao local fazendo careta. Vejo que bati no peito nu e suado do Max. Ele me intimida claramente: — Eu vou deixar bem claro. — ele fala, dando passos à frente, e eu ando devagar para trás. — Eu não quero que fale comigo, eu faço o que eu quiser. Eu odeio dedo duro, então fique de boca calada. Eu espero te ver minimamente pela casa. Você não precisa realmente trabalhar comigo. Ele fala, e bato minhas costas na parede, suspirando com medo. Ele me olha de cima a baixo e dá um sorrisinho de lado antes de sair e subir as escadas rapidamente. Ótimo, pelo que estou vendo, esse tempo trabalhando aqui vai ser incrível.
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