Maxuel narrando
Odeio ser reprimido ou decepcionar minha irmã. Ela falou que vazaram fotos de eu recebendo a mulher ontem na porta e dela saindo hoje cedo. Especularam sobre a Lua que estava na porta no momento e depois de eu correndo com ela, a mídia perguntou se ela seria minha nova personal trainer. Mas isso não teve tanta importância.
E sim a mulher. Digamos que por um acontecimento minha fama já não estava muito boa, e agora está pior ainda com a notícia de prostitutas saindo e entrando em minha casa. Mesmo em um condomínio privado conseguiram tirar fotos minhas. Tentei falar, mas ela só sabia brigar comigo.
Mas quando ela citou que eu não podia desobedecer a Lua ou deixá-la em situações igual a de ontem, eu entendi tudo. Ela que deve ter vazado tudo isso, tudo porque eu chamei ela de empregadinha?
Saí igual um doido, naquele momento eu poderia ter feito uma loucura, queria matar ela, mas quando olhei para ela, ela estava com medo de mim, e por algum motivo aquilo me preocupou, mas como eu sou graduado em como ser um i****a ainda gritei com ela.
Eu poderia ter revidado à minha irmã quando me puxou ou ficou me empurrando, mas nunca que eu levantaria a mão pra ela, além dela me castrar depois ela é meu maior exemplo, pelo menos de como eu queria ser.
Vi a Fátima tirando a Lua de perto de mim, eu nem prestava mais atenção no que a Melinda falava, só pensava que agora ela podia ir, porque teve quase uma agressão física, teve a verbal de qualquer maneira. Ela me fez ir pra fora e respirar fundo, para eu não apanhar dela, algo que ela nunca fez, mas eu também não impediria.
[...]
Entro no quarto dela e vejo o quão pequeno é, até o teto daqui é baixo, e que TV pequena, viu. Tento me distrair olhando para as outras coisas para disfarçar o medo que tenho de olhar em seu rosto.
Levo um tapa na nuca e olho pra minha irmã:
— Luana, sei que no contrato está escrito que com agressão você pode ir e não tiro seu direito se quiser se demitir e ir embora agora, mas te peço, Lua, por favor...
— Mas por que é tão importante eu ficar aqui? Ele já é adulto — ela fala e isso eu penso igual.
— Ele nunca realmente cresceu, e precisa de foco para essa próxima luta. Se não, ele irá perder tudo. Ele acha que sabe se cuidar e o escambal, mas só faz merda. Na última luta, dormiu com várias prostitutas na noite antes e drogaram ele. Elas colocam droga nas bebidas para viciarem os clientes e acharem que é nelas, e isso desclassificou ele da luta. Fora que estava bêbado no momento e não conseguir aceitar um soco.
— Eu já disse que não irei fazer de novo.
— E fora que na próxima luta ele precisa se manter fora de encrenca na mídia, e conseguiu entrar em uma com a mulher que entrou e saiu daqui. Esse filho da mãe tinha sido esquecido um pouco.
Ela parece pensar e decido falar algo antes de ela gritar um lindo não na minha cara:
— Eu prometo que vou mudar, mas preciso de ajuda, por favor — ela me olha e respira fundo.
— Ok, eu sempre acredito no melhor e na mudança das pessoas, então eu aceito continuar no emprego mais um tempo, mas não aceito o que rolou hoje aqui.
Não me aguento de felicidade por ela ficar e a abraço, sinto seu cheiro e fecho meus olhos contente.
Quando percebo o que estou fazendo, me afasto rapidamente. O que deu em mim pra abraçar ela? Ela ainda é sua babá, Maxuel.
— Obrigado — falo simples e me viro saindo, quando chego na frente da escada me surpreendo ao ver o Martin entrar correndo e olhar em volta.
— Ué? Cadê a briga?
— O que você está fazendo aqui? — pergunto e ele me ignora indo pra cozinha correndo.
Ando atrás dele e vejo no corredor pela porta aberta ele abraçando a Lua. Ele tira ela do chão enquanto a abraça e minha irmã sai do quarto vindo até mim.
Sinto raiva por outra pessoa encostar nela. Melinda me leva pra sala e se senta ao meu lado:
— Eu não queria ela só pra ser sua babá, ou pra te ajudar com uma rotina, foi apenas um pretexto — ela fala e fico confuso.
— Mas? Então pra que inventou tudo isso?
— Eu queria encontrar alguém pra você, você nunca realmente namorou ninguém, ou dormiu com alguém bom, e como não gosta de se aproximar com ninguém e só dorme com prostitutas eu tive que dar o meu jeito. Mas você fez merda e quase foi pra cima dela, eu achei que ela sendo boazinha ia quebrar seu coração de gelo e vocês ficariam juntos, quando você a abraçou eu até pensei que eu fosse um gênio e estivesse certa o tempo todo, mas pelo menos eu acertei nela só errei o irmão.
— O que? — estou totalmente confuso, então ela quis bancar uma de cupido o tempo todo?
— Não sei o que vai rolar, nem se vai ser bom ela se ajudar esse tempo, mas vou mandar o Martin vir aqui de vez em quando, essa menina é como ele, adora a diversão, rir e felicidade, mas achei que com pessoas muito parecidas só rolava amizade, quem sabe estou enganada.
Estou totalmente confuso, surpreso e indeciso. Eu sinto algo? Eu poderia sentir algo? O Martin vai ficar com ela? Só de pensar que ele pode ficar com ela me dá raiva e sinto vontade de levantar e ir matá-lo.
Mas eu gosto dela? Só quero dormir com ela? Ou sofri uma lavagem cerebral e fui manipulado pela minha irmã?
— O que foi? — ela pergunta me olhando. — Vai demitir ela? Eu posso contratá-la pra empresa e ficar perto do nosso irmão.
— Não! — sou duro no jeito de falar, surpreendendo até a mim mesmo. — Ela vai continuar aqui, quem sabe uma rotina não me faz bem, não é?
Eu não sei o que quero ou qualquer coisa do gênero com a Lua, mas não quero ela com meu irmão ou outra pessoa. Então ela vai ficar aqui, perto de mim, e sempre que o Martin vier aqui vou atrapalhar.
— Bora sair? Deixar eles à vontade? — ela pergunta, levantando-se, e eu n**o.
— Não mesmo, LUANAAAAA! — grito, e em alguns segundos ela aparece de mãos dadas com meu irmão, fazendo-me olhar e tremer de raiva.
— Soltem a mãozinha que ninguém vai rezar agora, não — mando, e ela sai andando. Puxo meu irmão pelo gorro do seu moletom colorido.
— Fica longe dela — falo baixinho, e ele n**a sorrindo.
— Foi m*l, maninho, mas poucas mulheres valem a pena no mundo. Não podemos deixar uma escapar.
— Aonde vamos comer? Você ainda está de dieta.
— Que se f**a, só não vou deixar esses dois sozinhos no quarto. Vou me trocar.
Subo correndo e me visto com o básico pra ser mais rápido, uma calça preta rasgada com uma regata e moletom da mesma cor, um tênis qualquer, e desço.
A Lua está demorando de mais, acho que vou ir lá no seu quarto. Quando ia dar um passo pra ir atrás dela, ela aparece pronta, linda na verdade.
— Vamos logo — falo, e antes que meu irmão chegue nela, pego em sua mão, levando-a para o carro da minha irmã atrás. Se eu fosse na frente, meu irmão mão boba ia ficar do seu lado.
— Que milagre você ir atrás — Melinda estranha, mas fico quieto. Estou bravo por cair nas manipulações dela.
— Senhor Max — a Lua sussurra, e a olho. Nem percebi, mas estou com meu braço em torno de seu pescoço.
— Hum — mexo minha cabeça pra ela falar.
— O senhor ainda está segurando minha mão — ela fala sussurrando.
— Deixe assim — sussurro de volta, e minha voz fica mais grave que o normal por eu falar baixo.