Luana narrando
Acordo no meio da madrugada escutando barulhos estranhos na casa, será que é um ladrão? Olho a hora e são uma da manhã.
Me levanto e saio do quarto de fininho, penso em acordar a Fátima, mas melhor não. Pego uma faca da cozinha, aproveito e pego um veneno, se não tem spray de pimenta isso serve.
Entro na sala agachada e de fininho, escuto barulho de mastigação de boca aberta? Vejo duas sombras no braço do sofá e entendo o que está rolando, ele está com uma mulher.
Eu atrapalho ou não? No contrato está escrito que eu tenho que proibir, acho melhor eu ir embora.
— Vamos lá pra cima — escuto a mulher falar, e me viro para ir embora, mas acabo esbarrando na parede e acendo o disjuntor, que ascende toda a sala os atrapalhando.
— Eu achei que era ladrão — falo, e eles me olham. O Max está com o rosto todo sujo de batom vermelho e ela sem vestido, seu peito parece da Jojo Toddynho, mas esse totalmente silicone.
— Vá embora, você é só uma empregada e não tem que ficar me atrapalhando — ele fala grosseiramente, me assustando um pouco.
Viro e me retiro do ambiente, voltando pro quarto. Paro na cozinha e deixo o que peguei no lugar.
Já na minha cama, penso se mando uma mensagem pra Dona Melinda ou não. Decido apelar pro meu lado certinho e mando:
"Oii Dona Melinda, desculpa te mandar mensagem essa hora, mas não sabia se eu deveria avisar ou não. Está no contrato que ele não deve receber 'visitas' tarde da noite, mas recebeu. Como eu não sabia o que fazer ou falar, apenas deixei passar. Preferi não interferir em suas relações."
Mando e reflito. Será que ela vai me demitir? Talvez eu não deva ter que passar por esse desafio e não seja tão legal. Talvez seria o melhor. Guardo o celular na gaveta e me deito no travesseiro.
Vou tentar amanhã pela última vez. Pode parecer exagero, mas não me sinto bem aqui ou perto dele, então nem sempre é bom eu ficar tentando.
[...]
Já com roupa de corrida e tendo tomado café, subo as escadas em direção ao seu quarto. Foi difícil dormir a noite com gemidos tão altos.
Bato na porta e grito:
— Desça em 15 minutos pra correr, está atrasado! — escuto resmungo e logo escuto a resposta.
— Vá embora, empregada — ele grita, e decido me divertir.
— Eu sou sua babá e estou mandando, ande logo! — grito e saio correndo, rindo ao escutar ela perguntar se ele ainda tem babá.
Me alongo na frente da casa e vejo a mulher sair toda borrada e fedendo da casa. Ela tenta se aproximar dele, que n**a. Ele está de bermuda e tênis de corrida.
— Você é um saco — ele fala, e jogo uma garrafa com batida de banana com whey pra ele.
Coloco meu fone de ouvido com toda a Ariana Grande e corro mais animada ainda. Correr é o único exercício que sei fazer, mas gosto muito.
Vejo que ele me alcançou e deve estar falando algo, mas minha música está muito alta pra eu ouvir. Tiro meu fone com muita tristeza e o escuto:
— Vamos correr em silêncio?
— Senhor Maxuel, eu sei que você não gosta de mim, e ontem refleti... — respiro fundo e volto a falar. — Não vou tentar mais ser sua amiga, apenas fazer o meu serviço do jeito que você mandou ontem nas primeiras palavras que falou comigo. E pra evitar conversas como essa, eu vou escutar música.
— Você é paga para me fazer companhia — ele fala grosso.
— Não, sou paga pra fazer você seguir uma rotina, e eu estou correndo com você... mas agora em silêncio — coloco meu fone e a música parece me dar mais energia.
Damos a volta no condomínio e paro na frente de casa exausta. Ando pela lateral e sou puxada, meu fone arrancado.
— Aonde vai? — ele segura em meu ombro.
— Entrar?
— A entrada é por aqui — ele aponta para a entrada principal.
— Ontem você falou que sou só uma empregadinha, e eu realmente sou sua empregada, então entro por aquela entrada.
Ele me solta e sigo meu caminho.
[...]
Saio do meu banho ainda cantando e ando pra cozinha. Vejo a Dona Fátima mexendo algumas coisas nas panelas e a abraço.
— Bom dia, pequena Lua.
— Bom dia, Dona Fátima — falo, pegando uma laranja e descascando enquanto danço a música da minha cabeça.
— Ainda está animada? Achei que tinha visto o menino Max de manhã — ela dá risada e sorrio pra ela.
— Eu vi, mas decidi que não vou mais me importar, sabe. Estou aqui pra trabalhar, e vou fazer isso apenas. Não podemos tentar e insistir em uma amizade com quem não quer.
— Cadê ele? — Melinda chega furiosa perguntando pra Dona Fátima, que aponta pra cima, e ela sai. Seus passos são tão pesados que escutamos.
— Ela é irmã dele, mas cuida quase igual uma mãe, na verdade até melhor, já que ele só obedece e tem medo dela — Fátima fala, e chupo minha laranja.
— Até eu tenho um pouco de medo.
— SAI
— CALA A BOCA, VOCÊ SÓ FAZ MERDA?
— QUEM TE CONTOU? FOI ELA NÉ?
Escutamos gritos e arregalo meus olhos, ia perguntar se isso é normal pra Fátima, mas a cozinha é invadida e ele anda furioso até mim. Saio da cadeira com medo e quando ele ia me bater parece que uma divindade o para pq ele abaixa a mão:
ão:
_ VOCÊ É UMA INÚTIL, SUA IMPRESTÁVEL_ ele grita a todos pulmões na minha cara e tento controlar as lágrimas, o que eu fiz
_ SEU i****a_ Dona Melinda chega gritando e o puxo fazendo bater as costas na parede. _Tá doido p***a? Você ia bater nela?
Ele tenta sair mas ela fica empurrando seu peito o fazendo voltar pro lugar.
Ele me olha furioso e sinto vontade de chorar, isso tudo foi pela mensagem que mandei? Eu achei que seria demitida se não avisasse, mas pensando bem era melhor ter sido.
A Fátima me puxa pro meu quarto e tranca a porta por dentro. Me sento na cama e não consigo poupar as lágrimas, ela me abraça e deita minha cabeça em seu colo:
_ Calma, menina, ele só se descontrolou. Provavelmente acha que levou bronca dela por sua causa, ele odeia decepcionar a irmã.
[...]
Depois de muito tempo batem na porta, acho que eu vou ter que me demitir, nunca me senti tão desprotegida dessa forma.
A Fátima abre e sai dando espaço pra Melinda entrar, ela respira fundo e me olha com pena:
_ Me desculpe pelo meu irmão.
_ Dona Melinda, eu não quero mais trabalhar aqui, quero demissão — falo, e ela respira fundo fechando os olhos.
_ Por favor, Lua, preciso de você trabalhando aqui, ok? Pela fama dele ninguém aceitou esse emprego, só você teve essa coragem e eu não posso perder você. Sinto muito por ontem e hoje, não irá se repetir.
_ Dona Melinda, eu nunca tinha sido ameaçada e me sentido assim antes de hoje.
_ Lua — ela pede, e mesmo me sentindo tensa por ela, não consigo a olhar.
A porta é aberta e ele entra por ela de cabeça baixa.