Treino juntos?

1263 Words
Luana narrando Visto uma legging e um blusão, fico descalça mesmo, não vou fazer exercícios. Minha única obrigação física é correr de manhã. Entro na sala, e ela olha-me questionando com o olhar, mas ignoro: — Vamos treinar. — ele fala, e n**o. — O máximo que eu faço aqui é uma esteira. — Mas tem que me fazer companhia como uma boa babá. — Estou aqui, não estou? Se quiser conversar, manda bala. — falo, sentando no chão em frente ao espelho e arrumando meu cabelo. — Por que aceitou o trabalho? — ele pergunta, enrolando uma faixa na mão. — Era uma das minhas metas para esse fim de ano. Estamos em novembro, e tenho pouco tempo para fazer o ano valer a pena. E sua irmã paga bem. — sou sincera e me levanto para me alongar. Será que ainda sei fazer estrelinha? Me alongo antes de fazer qualquer coisa e vejo ele me olhar pelo espelho. Quando é flagrado, volta a se concentrar em sua mão: — Por que demorou a realmente começar seu ano? — Meu pai morreu. — falo e faço a estrelinha, sorrindo em pé novamente. — E fiquei muito tempo de luto até acordar para a vida, arrumar meu apartamento, e conseguir um emprego. — E conseguiu comprar um apartamento? — Eu já tinha, na verdade. — Então, por que está trabalhando aqui? Por que não um emprego com menor carga horária? — Não tenho muita coisa para fazer no restante do dia, senhor. — Não me chame de senhor. Quantos anos acha que eu tenho? — 30. — respondo sinceramente, e ele joga um peso no chão, me assustando. — Eu tenho 24 anos, não sou velho. — Se você acha trinta anos velhos, então não vai viver muito. — falo, e ele bufa, começando a socar um saco de luta grande. — Você treina sem música? — Por que você é tão curiosa? Primeiro invade meu quarto e agora quer mexer no meu treino? — Você me mandou ficar aqui fazendo companhia para você, então sim, não quero ter que ficar olhando para sua cara o tempo todo. — Isso te incomoda? Qual é, meu corpo é incrível. Muitas pessoas pagariam para ter um momento igual ao que você está tendo agora. — E que bom que não faço parte disso. — dou risada, e ele pega o celular, colocando música nas caixinhas de som. — Não reclame. — ele manda, e subo na esteira, ligando-a baixinho para me distrair. Cantarolo baixinho enquanto caminho lentamente, escuto ele se aproximar e ele me encara irritado, homem doido: — O que foi?— questiono e sem me questionar primeiro ele aumenta a velocidade do aparelho —Você tem problema? —Andando assim você não vai ter resultado nenhum, se mexa— ele é grosso e se retira indo fazer um exercicío em que suas costas ficam em evidência Ele é até bonitinho... tá legal, não posso mentir, ele é um gostoso, seu corpo é totalmente bem trabalhado, suas tatuagens o dão um ar sombrio e perigoso, mas ele é tão... sensual, não sei explicar Sua fisionomia apenas me irrita mais, como alguém tão bonito pode ser tão m*l-educado? Ele tem tudo, não tem motivo para ser tão grosso e irritante. Continuei a treinar na esteira enquanto ele socava o saco de luta, cada um imerso em seu próprio mundo. O som dos passos ritmados na esteira se misturava com o impacto dos socos no saco, criando uma espécie de trilha sonora peculiar para aquele momento. Após algum tempo, o treino terminou e ele saiu da academia, aparentemente de mau humor. Fiquei um pouco confusa com sua mudança de comportamento, mas decidi não dar muita importância. Sai da academia e desci para a cozinha em busca de água. Abri o armário e, de repente, fui cutucada: — Desculpa, menina. — Dona Fátima falou, e sorri para ela. — Eu me assustei. — Percebi. O que está procurando? — ela perguntou, e então um Maxuel molhado e preocupado apareceu, correndo e com cara de preocupado. — O que aconteceu? — Eu só dei um susto nela, menino. O que está fazendo aqui? E assim? — Dona Fátima falou, e ele olhou para mim, com uma expressão que me deixou com raiva. — Ele não me quer aqui, não gosta de mim, e acho até que me odeia. Infelizmente, já que gosto de ser amiga de todos. — falei, e ela fez um barulho de surpresa. — Ele é difícil mesmo. Acredite, que é assim desde pequeno. Nunca gostou de conhecer pessoas novas. — Dona Fátima disse, e ele apareceu, puxando-a. — Até depois, querida. — ela falou, saindo. Saí no jardim a tempo de ver o pôr do sol. Deitei-me no chão e fiquei olhando o sol ir embora pouco a pouco. Em um dia, ele conseguiu mexer com o meu psicológico para pior. Sou sempre alegre, ou tento ser... mas hoje foi difícil, com ele testando meus limites. Enquanto observo o sol se pôr , minha mente divaga por lembranças do meu pai, que já partiu. Ele era minha âncora, minha fonte de inspiração, e sua ausência deixou um vazio em meu coração. Mas eu fiz uma promessa, teho que ser feliz. Eu achei que ia me divertir sendo babá de uma criança... ou cachorro, mas de um adulto? Ainda mais esse adulto, já nem sei o que estou fazendo. Tenho que me planejar melhor, principalmente aprender rapidamente a como me portar e responder ao Maxuel, talvez até a metodologia que eu usaria com uma criança funcione Às vezes, me pego pensando se aceitar esse emprego é o caminho certo. Será que conseguirei lidar com a personalidade difícil de Maxuel? E se não for capaz de cumprir as expectativas? Mas rapidamente afasto essas dúvidas. Já assinei o contrato, e não há como voltar atrás. Tenho que ser forte, enfrentar os desafios e provar a mim mesma que sou capaz. Afinal, sou uma pessoa determinada e não desistirei facilmente. Levanto-me do chão, decidida a não me deixar abalar pelas atitudes de Maxuel. Não permitirei que sua irritação afete minha autoestima ou minha autenticidade. Resmungo para mim mesma sobre a inconveniência do contrato, mas, ao mesmo tempo, lembro que estou aqui por uma razão. Preciso desse emprego, não só pelo dinheiro, mas também para provar a mim mesma do que sou capaz. —Eu consigo— sussurro para mim mesma, buscando forças internas. —Seja forte, mantenha sua autenticidade e não se deixe levar pelos caprichos de Maxuel. Sou mais do que capaz de lidar com isso. Com esse pensamento reforçado em minha mente, respiro fundo e me preparo para enfrentar os desafios que estão por vir. A noite está apenas começando, e estou determinada a enfrentá-la de cabeça erguida, com coragem e resiliência: —LUANAAAAA —escuto o grito e resmungo, me levanto respirando fundo e buscando toda minha paciência e alegria nesse momento Sigo até onde ele está com algumas castanhas e um iogurte que eu havia separado mais cedo: — O que é isso?— ele me olha iritadissimo e não entendo, estou seguindo o que a dona Melinda mandou — Seu lanche, desculpa não entendo o que não está do seu agrado —Luana olha o meu tamanho, eu não posso comer só isso, três castanhas? É sério? —Olha é isso que está escrito senhor, eu não devo te servir mais, mas não posso te impedir de procurar. — Eu odeio isso— ele diz e se vira saindo para longe de mim.
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