O Louro. - Ep.1

1222 Words
Heloísa Britto Tudo começou com um gole de cerveja num barzinho próximo de Paraisópolis o meu pai estava furioso comigo, ele pediu para decorar um texto e falar no leilão beneficente do BKB eu recusei e não compareci ao salão principal, ele passou uma vergonha enorme e o pior foi ver eu saindo do lugar aos seus gritos. Sentei-me numa cadeira de aço e pedir uma Brahma gelada, os olhares de homens depravados sentados na redondeza do bar cercavam-me, não julgo, eu perto de uma das maiores favelas do Brasil usando um vestido de grife e um colar banhado a ouro, seria impossível não olharem. Tomei-lhe um gole da cerveja gelada com os olhos fechados. Ah! Eu precisava deste momento sozinha. Quando abri os olhos eu o vi chegar, um homem másculo e sem camisa, apenas com uma jaqueta de couro preta, ele deixava à mostra o seu peitoral definido com um tanquinho de invejar e uma tatuagem tribal que cobria todo o seu peito esquerdo. Ele é muito alto, o seu rosto não era muito juvenil, com certeza havia passado dos 30 anos, os seus cabelos castanho-claros mantido por um corte curto, olhos verdes e muito atraente. O homem desceu de uma moto honda CB 300R dourada e passou por mim indo até o balcão. Como assim ele não me olhou? Como não notou a minha beleza? Foi o único homem que não me notou neste bar de copo sujo. Admito, isso deixou-me exc.itada e pensativa, um homem como ele andando numa moto de onze mil reais e sem capacete? Dava pra ver que ele era uma pessoa importante por aqui. - O mesmo de sempre o seu João. - sua voz grave foi ouvida por todos no bar. - Seus homens andam bebendo demais, cuidado. - o velho entrega dois fardos de cerveja dentro de uma bolsa transparente. - Uma hora os cães da lei bate lá em cima e leva todo mundo! - Seu João... Eu já falei milhares de vezes, pra polícia invadir o nosso lar precisa passar por cima do meu cadáver! - Cuidado Louro, o pior erro do homem é ser orgulhoso demais. - Qual foi seu João? Fica sussa aí e deixa o resto com nós! - ele passa por mim na mesa e dá dois passos para trás. O meu corpo estremeceu, mas a única coisa que ele fez foi retirar um latão de cerveja da bolsa e colocar sob a minha mesa, depois encarou o meu rosto com aqueles olhos verdes, deu uma piscadela e seguiu o seu caminho. - Acha que não posso pagar mais uma cerveja? - quando disse isso todos me encararam preocupados. - Como? - o homem alto colocou a bolsa na garupa da moto e voltou para frente da minha mesa. - Deixou a cerveja na minha mesa, porquê? Pensa que não tenho mais grana pra pagar outra? - Acho que a patricinha entendeu errado, eu te achei muito gata e dei a cerveja como presente. - ele sorriu frouxo. - Entendi... Então é mais um homem fingindo ser o fo.dão na frente dos outros! - levantei-me da mesa e deixei uma nota de cem em baixo da lata que tomei. - Fique com o troco ''seu João''. - passei por ele sem encarar os seus olhos novamente. - Que isso Louro, deixou uma novinha te humilhar em! - escutei alguns homens do bar rindo da sua cara. Depois daquele dia eu visitei o bar com mais frequência, eu queria ver aquele rostinho sensual e aquele corpo selvagem, mas foi perda de tempo. Sempre aparecia outro homem, com o nome ''Davi'' ele pegava as cervejas, montava na moto e subia o morro da favela. Talvez o destino quisesse pregar uma peça, pois aquele homem não saía da minha cabeça, procurei por dias as suas redes sociais com o nome ''Louro'' afinal, era a única pista que tinha sobre ele. - É assim que somamos o capital para ver se as finanças subiram mais neste mês, assim o prejuízo é menor... Heloísa, está prestando atenção? - meu pai encara o meu rosto que viajava olhando para a tela do computador. - Sim. - respondo saindo do devaneio. - Não podemos ter nenhum prejuízo. - sorrio e ele revira os olhos. - O que aconteceu? Vai fazer 24 anos em breve, precisa ter responsabilidade para governar isso tudo! - Papai, o senhor sabe que gráficos, planilhas e finanças não combinam comigo. - levanto da sua poltrona de couro marrom e saio andando pela sala. - Mas precisa combinar, estamos falando de bilhões e que no futuro precisa atingir trilhões, então governe isso com mais atenção e carinho. - Certo... - suspiro com as mãos na cintura e escutamos a porta bater. - Pode entrar. - ele responde e em seguida o homem que mais tenho evitado aparece. - Olá senhor Britto! - o moreno passa por mim e aperta a mão do meu pai. Miguel Fortunato, um dos empresários mais galã do Brasil, solteiro aos 28 anos é um homem egocêntrico e bastante inteligente. É formado em direito e administração, fala cinco idiomas diferentes e quando completou 25 anos assumiu o lugar do pai sendo um dos principais sócios da Petrobras e atualmente se tornou CEO de uma empresa de colchões ortopédicos da marca ''Orthofrin''. Eles são podres de ricos, temos quase a mesma quantidade de patrimônios. É um homem bonito, cabelos castanhos escuros com um corte social que exibe um topete de gel, barba rala, olhos castanhos mel e pardo. - A família Fortunato está fazendo uma estadia por São Paulo? - meu pai pergunta com um sorriso largo. - Na verdade estamos pensando em nos mudar pra cá, a maior fábrica da Orthofrin fica aqui, então...- o moreno se vira e encara os meus olhos com um sorriso largo. - Como você está senhorita? - ele se aproxima e beija a minha mão. - Eu estou ótima, como anda os negócios da família, Miguel? - sorrio torto e ele só confirma com a cabeça um ''sim''. - Está tudo como deveria ser. - Mas sente-se Miguel, vamos tomar um whisky juntos... Querida, pode ir a nossa aula acabou por hoje. - Certo, com licença. - sorrio de leve e saio daquele lugar sufocante. Poderia passar no bar antes de ir embora pra casa, mas acredito que a chance de ver aquele homem outra vez não vai acontecer, então saio da empresa e caminho pelo estacionamento em busca do meu carro quando de repente uma moto para na frente do veículo. Ele retira o capacete e consigo ver o seu rosto mais uma vez. - Então você voltou mais vezes no bar...- ele sorri frouxo. - Não seja convencido, eu apenas gostei do lugar. - digo com os braços cruzados. O homem desceu da moto e deu alguns passo ficando há poucos centímetros de mim, ele me puxou pela cintura fazendo nossos corpos se chocarem. - Vou te dizer uma coisa, mulher nenhuma falou daquele jeito comigo... - Tudo tem a sua primeira vez. - respondi com um sorriso debochado. - Afrontosa… É uma das coisas que gostei em você. - ele sorri encarando os meus lábios. - Ah, é? - indaguei relando o meu nariz no dele. - O que mais você gosta em mim? - sorri provocando.
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