Heloísa Britto
- Qual foi Heloísa? Do quê cê tá falando?
- Pois é, eu sei que tá ficando com uma tal de ''Rute'', não vou ser mais uma na sua lista de mulheres! - digo encarando os seus olhos.
''Encurralado'' acho que essa seria a palavra usada por ele agora! O Louro ficou em silêncio por alguns segundos, em seguida bufou e os seus olhos mel passaram dos meus e avistaram aos de Ayla que só deu de ombros e continuou procurando uma roupa.
- Pelo jeito esbarraram com a Rute...- ele colocou as duas mãos na cintura e mordeu o lábio inferior.
- Positivo, eu ''esbarrei'' com a Rute e percebi o quanto você é mentiroso e descarado, vagab...- respirei fundo e dei um sorriso debochado. - Não vou deixar um palavrão sair da minha educada boca, afinal não somos da mesma laia.
- Achei esse vestido platinado, ele vai ficar coladinho no seu corpo! - Ayla sorri e me mostra a peça de roupa.
- Ótimo, você poderia dar licença ''Louro''? - digo encarando o seu rosto sério.
- Heloísa, Heloísa, Heloísa... Você tá brincando com o fogo...- ele sorriu e se aproximou do meu rosto.
- Digamos que eu queira me queimar, vai fazer o quê? - indaguei mordendo os lábios.
- Se cuida Ayla, Davi falou que vai te esperar no baile, perto do palco. - ele sai andando sem olhar para trás.
- Tu gosta de provocar ele, né? - Ayla sorriu de lado e encostou o braço esquerdo na porta do guarda-roupa.
- Não é questão de provocar e sim de mostrar o lugar dele, nós mulheres precisamos sempre mostrar quem manda, caso contrário eles sempre vão mandar e pensar serem donos de nós! - sorri observando o vestido prata. - Cresci vendo a minha mãe pedir dinheiro ao meu pai para comprar joias, não quero ter que depender de homem, nunca!
- Bom vou deixar você se trocar, já volto! - a morena sai do quarto e fecha a porta.
O que eu estou fazendo aqui? É uma das várias perguntas que faço para si própria, eu não deveria ter subido aquele morro, mas agora que estou aqui, não posso retroceder. Encarei o vestido e gargalhei, a senhora Carla Britto ia cair pra trás e visse eu colocando este vestido. Respirei fundo e tomei a iniciativa de tirar a minha calça jeans, em seguida estava pronta para tirar minha blusa, quando ouvi o meu celular tocar Sinfonia n.º 5 de Beethoven, era o meu pai ligando.
- AONDE VOCÊ ESTÁ? - indagou o senhor Fernando.
- Olá, tudo bem, papai? - sorrio.
- Heloísa, eu preciso de você aqui! Vamos jantar com a família Fortunato, a sua mãe já ligou para a cabeleireira.
- Eu adoraria participar deste jantar, mas eu não posso...- sorrio forçado.
- Aonde você está?
- O senhor iria acreditar se eu falasse que estou em Paraisópolis?
- Até parece! - ele gargalhou alto. - Quero você aqui, te dou apenas quinze minutos! - o homem desliga sem deixar eu falar nada.
Quando ele vai perceber que não sou mais uma criança? Sinceramente, o Miguel Fortunato é o último homem que desejo ver agora. Sorri tirando a minha blusa, em seguida vestir o tal vestido platinado e arrumei ele no meu corpo encarando o espelho grande atrás da porta. O vestido prata não cobria os meus joelhos, ele é bastante curto e colado, ele só tinha uma manga cumprida do lado esquerdo, calcei um salto nude que a Ayla havia separado e estava perfeito.
- Uau! - ela entrou aplaudindo. - O vestido ficou mara! - a mesma sorriu largo. - Agora senta aqui, vamos arrumar esse cabelão ondulado!
Ela começou a pentear o meu cabelo, enquanto eu cuidava do meu rosto, a mesma deixou os cachos mais definidos com o babyliss e eu fiz uma maquiagem com glitter nas pálpebras e passei um batom vermelho vinho. Depois de pronta, Ayla vestiu um short jeans curto e colocou um cropped transparente que mostrava o seu sutiã preto, ela soltou as tranças e fez uma maquiagem parecida com a minha, calçou um salto preto e colocou argolas douradas.
- Tá na hora! Bora pro baile, vou te apresentar uma das melhores coisas do Brasil! - ela saiu do quarto rebolando a cintura.
- Já vou...- dei uma última olhada no meu celular antes de guardar ele na bolsa de prataria que Ayla havia emprestado, já tinha registrado mais de 17 chamadas perdidas do meu pai.
Sinto muito, papai. Não vou jantar com os Fortunato, pelo ou menos não hoje! Saí correndo atrás da mais nova.
??Cheiro de perfume bom
Ei, tu tá na gaiola
Cheiro de marola boa
Ei, tu tá na gaiola
Para a malandragem eu ganho
Ei, tu tá na gaiola
Os amigos faturando
Ei, tu tá na gaiola
Vem sentando e rebola
Ei, tu tá na gaiola...??
Era muita gente! Parecia que todo o morro estava dentro de um galpão com quatro metros quadrados, na frente existia um palco pequeno com o Dj no comando e de um lado um camarote lotado de homens e mulheres rebolando com a bun.da pra fora, alguns usavam correntes de ouro e balançavam os braços com garrafa de cerveja nas mãos, do outro lado tinha outro camarote com o povo dele e ele em pessoa. O Davi e o Lucas estavam dançando animados com algumas mulheres ao lado deles, mas o Leonardo estava sentado bebendo um gole de cerveja na garrafa, seus olhos foram ao encontro dos meus e no mesmo instante seu maxilar trincou e ele desviou o olhar.
- Pelo jeito ele não acreditou que você iria vim... - Ayla disse perto do meu ouvido enquanto rebolava.
- Como assim?
- O Leozin odeia baile funk, ele sempre fala que já tá velho pra essas coisas e quando vem, fica sentado perto dos meninos... - ela sorriu. - TU TÁ NA GAIOLA! Bora lá, se não aquelas branquelas vão dar em cima do meu macho...- a mesma saiu puxando o meu braço e subimos até o camarote.
- Pensei que não ia brotar aqui, maluca! - Davi sorriu e beijou com força Ayla do meu lado.
- Se divirta, Heloísa. Pois eu já tô! - ela gargalhou entre os beijos do Davi.
Encarei os olhos provocativos do Leonardo que só bebia a cerveja em silêncio.