Heloísa Britto
Eu sabia, ele é só mais um homem qualquer, ainda fui tonta o suficiente para cair naquele papinho de ser ''única''! O desgraçado só cansou de brincar com o coração de outra mulher e resolveu investir em mim, ele acha que vai conseguir algo? Está muito enganado! Como a vovó sempre dizia, deste mato não vai sair coelho para você, Leonardo.
- A Rute é a pira.nha das pir.anhas... Ela se acha a dona de tudo e de todos, tem que tomar cuidado com ela! Aquela maluca já deixou uma menor careca só porque ela olhou pro Louro. - Ayla se encosta na parede do beco e retira do bolso um maço de cigarro. - Quer um?
- Não, obrigada. - sorrio leve observando a mesma colocar um cigarro nos lábios e acender.
- Então, ele é popular com as mulheres? - indaguei me afastando um pouco daquela fumaça.
- Ele é sensual, mostra aquele tanquinho pra todo mundo, acha mesmo que ele não seria popular? Até eu já dei uns pegas nele!
- Você?
- Sim, mas quando o gato do Davi apareceu no morro... o meu coração fez aquelas paradas loucas, sabe? Ele dançou calypso dentro do meu peito, foi amor a primeira sentada! - ela sorri cabisbaixa.
O Davi é um rapaz bonito, mas bastante jovem. Ele deve ter 1,74 de altura, a sua pele morena, olhos escuros e o cabelo cortado na régua, mas pelo que observei os seus dentes são bastante brancos e certos, ele tem um sorriso bonito e uma barba pequena no queixo. Agora o Lucas que subiu comigo o morro, é branco, com o cabelo liso cortado social, usa uma corrente prata no pescoço e tem um bigode bem feito, olhos pretos e a sobrancelha bem desenhada e a sua estatura era de 1,85 por aí.
Vai entender porque essa louca escolheu o mais feio dos três...
- Quantos anos, vocês quatro tem? - indaguei.
- Eu tenho 23, o Davizinho tem 20 anos e o Lucas tem 25 anos...
- Mas e o Leonardo?
- O Leozin é o mais velho da turma, ele tem 32 anos.
Um homem na casa dos trinta, só de imaginar quão experiente ele pode ser, me dá calafrios!
- Tá escurecendo, você quer ir ao baile, certo? Trouxe alguma roupa?
- Na verdade eu só vim com essa...- sorrio largo.
- Vou te emprestar um vestido, vou te deixar bem cachorra pro Leo, vamos! - a mesma sai andando pelo beco fechado.
- E quem disse que eu desejo ficar ''bem cachorra'' pra ele? - revirei os olhos e seguir ela em silêncio.
Não tinha jeito, aonde nós passávamos todos olhavam, principalmente as mulheres, parece que ser mulher do braço direito do dono tem as suas vantagens. Imagina se eu me transformar na mulher do Leonardo? Seria como iniciar uma guerra neste lugar, mas se eu ganhar todas as batalhas, vou ser uma pessoa de respeito e prestígio aqui... Só de imaginar dona deste lugar o meu coração até erra as batidas.
- Olha só! Se não é a namorada do Davi...- uma mulher loira para de frente para nós, no meio da rua.
- Falando no diabo...- Ayla revira os olhos.
Foi aí que conseguir notar, a mulher na frente, é loira de olhos verdes e pele clara, ela usava um top vermelho colado no corpo e bastante decotado, no canto inferior da alça fina da roupa existia uma tatuagem escrita ''Rute''. A mesma aparentava ter em média 1,60 de altura, usava um gloss rosa na boca e uma saia rodada branca que mostrava quase a sua calc.inha.
- Estavam falando de mim? - ela parou de sorrir quando encarou o meu corpo e rosto. - Quem é você?
- Eu sou a...
- Ela pertence ao Louro. - Ayla diz com um sorriso debochado.
- Como é? - a mulher se aproximou encarando os meus olhos.
- Eu me chamo Heloísa Britto, moro aqui perto e vim fazer uma visita a minha grande amiga Ayla! - sorrio abraçando a morena.
- Pensei ter escutado outra coisa...- ela dá de ombros e sorri. - Já que é namorada do braço direito do meu amorzinho, sabe aonde eles foram?
- Ele não é o seu ''amorzinho''? Se vira e procura por ele, garota! - a mesma sai andando e eu sigo novamente.
Chegamos na varanda de uma casa, ela arrancou as chaves do bolso e abriu uma porta de vidro a nossa frente. Quando entrei conseguir observar a casa da mesma, era simples, mas aconchegante. Tem uma televisão smart, sofá com um forro por cima e tapetes espalhados pela cerâmica branca.
- Mãe, já estou de volta! - ela grita abrindo a porta de um quarto todo rosa com ursos nas prateleiras da parede.
- Você vive saindo, não gosto nada deste relacionamento! - uma mulher aparece com um pano branco no ombro, pela fisonomia dela, a mesma deve ter quase a idade da minha mãe e se parece muito com a Ayla. - Ah! Olá...
- Olá, me chamo Heloísa, muito prazer...- sorrio.
- Que estranho, nunca te vi por essas bandas...
O linguajar da mãe é igual ao da filha!
- Ela veio conhecer o morro hoje, pertence ao Louro! - Ayla abre o armário com várias roupas e joias penduradas.
- Eu não pertenço a ninguém! - digo com as mãos na cintura.
- Bom, então está perdida igual a minha filha...- ela respira fundo e fecha a porta do quarto.
- Ela continua achando que estou perdida! - Ayla sorri separando algumas roupas.
- Vocês moram sozinhas?
- Sim, a minha mãe namorou um traficante, o meu pai morreu nos braços dela, quando ela ainda estava grávida de mim...
- Entendo...
Escuto alguém bater na porta de vidro e a mãe da Ayla atende a pessoa, era uma voz máscula e ele fez a senhora soltar algumas gargalhadas.
- Tô entrando! - homem disse abrindo a porta.
- Você...- disse encarando aqueles malditos olhos castanhos.
- Pensei que ia demorar mais...- Ayla diz com um sorriso largo e o Leonardo se senta na cama dela sem tirar os olhos de mim.
- Foi só eu aparecer que o velho pagou na hora!
- Como se isso fosse vantajoso...- digo revirando os olhos.
- Vamos voltar lá pra casa? - o mais alto se levantou com um sorriso frouxo.
- Não, eu vou ao baile... - sorrio debochando dele.
- Já disse que não vai!
- Por quê? - me aproximo ficando há poucos centímetros dele. - Tá com medinho da sua namoradinha raspar a minha cabeça?
- Qual foi Heloísa? Do quê cê tá falando?
- Pois é, eu sei que tá ficando com uma tal de ''Rute'', não vou ser mais uma na sua lista de mulheres! - digo encarando os seus olhos.