Ayla, a morena. - Ep.4

1045 Words
Heloísa Britto - Eu quero isso também. - digo com os braços cruzados e um sorriso largo no rosto. - O quê? - ele perguntou e o seu sorriso foi desfeito. - Olha só tudo isso! - me aproximei da janela grande de vidro e observei todo morro. - Eu quero isso também, a sua liberdade, um lugar só seu...- respiro fundo e sorrio para o homem atrás de mim. - Eu tenho inveja de você, Louro! - É, muitos tem...- ele se aproxima ficando ao meu lado. - Mandar neste lugar não é nada fácil. - Olha! É a primeira vez que escuto você falar sem gírias. - gargalhei. - Eu pesquisei sobre os morros das favelas, soube que existem muitos bailes, eu quero, não... Eu ordeno que você me leve em um! - Não vou levar uma bonequinha feito você um lugar daqueles. - ele sai andando até o cozinha e procura algo na geladeira. O mais alto retira uma cerveja gelada de garrafa e se senta no sofá, em seguida liga a televisão e ignora completamente a minha presença. - Por quê? Eu quero conhecer as pessoas daqui! - digo me aproximando do sofá. - Eu disse quando você me conheceu! É uma mulher diferente, basicamente única... Não vou deixar as outras te contaminar. - Fala sério! - gargalhei. - Se não vai me levar, eu vou encontrar sozinha! - saio pisando fundo e quando toco na maçaneta de uma das portas o mesmo dá uma tosse seca. - Se sair por essa porta e levar uma bala perdida, a responsa não vai ser mais minha! - Acredita que não consigo me virar sozinha? Não preciso de macho escroto mandando em mim! - abro as portas e saio sem fechar nada. Baile funk conforme as minhas pesquisas, os bailes funk não são um desdobramento direto dos bailes black, mas herdam os seus elementos principais como música tocada em alto som, público de maioria n***a, criatividade nas danças e uma moda única de shorts curtos e vários tops diferenciados. Eu sempre via esses eventos pela tv e admito, nada reportado era bom, pois acontecia muitas mortes e brigas, mesmo assim eu quero presenciar um baile funk acontecer, então é só eu andar de boa pela Paraisópolis e quando escutar batidas é só seguir o som. Passo um beco mais fechado e desço algumas escadas, quando viro a direita encontro uma cena um pouco inusitada. - Seu saf.ado! Cachorrão meu! - uma mulher morena de joelhos tocando no zíper da bermuda de um rapaz jovem, quando ambos me olharam ela levantou-se e colocou a mão na cintura. - Qual foi fia? Perdeu alguma coisa? O dialeto deste lugar é sinceramente o pior do mundo! - Ah, olá! Muito prazer... - sorrio dando dois passos para frente. - Eu me chamo Heloísa Britto e a senhorita? - Ih, ela é toda diferenciada... Pensando bem, nunca vi a vossa senhoria por essas bandas, tu mora aonde? - Bom... - viro para o lado e aponto o dedo. - Eu moro no Morumbi... - Morumbi? Heloísa Britto? - o rapaz abaixa a cabeça e permanece pensativo. - Então é a madame daquele dia? Na empresa! - Você me conhece? - indaguei. - Claro, sou o Davi. - o rapaz sorri e a mulher se aproxima mais dele e segura a camisa branca com a imagem do ''Seu Madruga'' com uma folha de ma.conha na boca. - O meu cachorrão é braço direito do Leozin. - a mesma sorri. Como se isso fosse um cargo de muito prestígio... - Leozin? - abaixei a cabeça e logo soltei um sorriso frouxo. - O nome do Louro é Leonardo? - Sim, mas ainda não entendi, o Lucas não deixou a senhorita na porta do Louro, o que tá fazendo cá pra baixo? - Eu estou procurando um baile funk, nunca estive em um... - Rapaz! Hoje o baile vai ser mais tarde, lá pras onze. - a mulher responde com um sorriso largo. - Ayla meu bem, podia cuidar da senhorita Heloísa? Não é bom ela andar sozinha por essas redondezas, ainda mais por ser alguém desconhecido. - E se perguntarem quem ela é? - Diga que ela pertence ao Louro! - Leonardo aparece atrás de mim com a sua jaqueta de couro e como de costume, sem camisa. - Olha só o que temos por aqui?! - me virei e encarei ele com ironia. - Pensei que eu não era ''responsa'' sua! - Eu poderia passar o resto da tarde descutindo com você, gostosa! - ele dá uma piscadela e encara o tal Davi. - Mas eu e o Davi precisamos ir, o senhor Claúdio tá negando pagar a contribuição de novo! - De novo aquele velhote! - o menor bufa e revira os olhos. - Aylinha, cuida dela, pode ser? - o mesmo encara a mulher que só confirma com a cabeça. - Pó deixar! - Cuidar de mim? Você é um tosco! - reviro os olhos de braços cruzados. - Fui! - o mesmo sai andando e o Davi segue em silêncio. Encarei a tal ''Ayla'' e pude negar que ela também era jovem, a mesma tinha a pele morena e os olhos castanhos-claro, o seu cabelo era de várias tranças box da cor loiro mel. A mesma usava uma maquiagem com as sobrancelhas bem marcadas, um batom nude nos lábios e brincos de argolas, além do cropped cinza escrito ''california'' ela usava um minúsculo short jeans escuro. Não pude deixar de notar que no seu pescoço ela usava uma gargantilha de ouro escrita ''Davi''. Sinceramente, é como se ela fosse um cachorrinho nas mãos daquele garoto? - Tá olhando o quê, pira.nha? - a mesma perguntou com um sorriso debochado. - Pir.anha? Viro a esquina e vejo você pronta para fazer algo totalmente proibido na rua e eu sou a pir.anha? - indaguei levantando uma das minhas sobrancelhas. - É, digamos que nós duas somos isso! - ela pisca. - Então você pertence ao Leozin? Gosta tanto assim de concorrências? - a mesma pergunta com um sorriso. - Concorrências? - Bom, até ontem o Leozin tava ficando com a Rute, mas agora apareceu você... - ELE TAVA FICANDO COM QUEM? - perguntei com os punhos cerrados.
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