Talibã narrando Eu consigo ver. Tá estampado na cara dela. O desespero. O medo. Aquela sensação de que o mundo acabou. Eu conheço esse olhar. Já vi antes. Já senti também. Mas, diferente dela… na minha vida, ninguém teve pena de mim. Então, eu também não tenho de ninguém. Porque aqui é assim. Pagamento é pagamento. E eu não quero saber. Não interessa como eu vou receber. Se vai ser com dinheiro, com trabalho, com dor… desde que eu receba. No prejuízo eu não fico. Nunca fiquei. E não vai ser agora que vai ser diferente. Olhei pra ela pelo retrovisor mais uma vez. Ela desviou o olhar na hora. Sempre desviam. Respirei fundo e foquei na estrada. Já tava quase chegando no morro. Os caras em silêncio. Ela quieta atrás. O clima pesado dentro do carro. Do jeito que eu gosto. Sem conversa. Sem d

