capítulo 17

564 Words
Gabriel Ferraz Eu já estava na casa da Melissa quando a raiva começou a tomar um lugar perigoso dentro de mim. Não era aquela raiva explosiva, que grita. Era a silenciosa. A que fecha o maxilar, endurece os músculos e faz a cabeça funcionar frio demais. Ela estava sentada no sofá, encolhida, os braços marcados, o rosto abatido. A imagem da minha irmã daquele jeito era algo que eu nunca ia conseguir apagar. Eu andava de um lado pro outro na sala, passando a mão pelo cabelo, tentando não perder o controle. — Ele esteve aqui — falei, mais pra mim do que pra ela. — Dentro da sua casa. Melissa não respondeu. Só abraçou os próprios joelhos, o olhar perdido. Peguei o celular. Nem pensei. Disquei o número do Gustavo. Ele atendeu no segundo toque. — Gabriel? — É o Hugo — falei direto. — Ele veio aqui. Bateu na Melissa. Ameaçou ela. Do outro lado da linha, o silêncio durou meio segundo. — Me passa o endereço — Gustavo disse, a voz completamente diferente. Fria. — Tô a caminho. — Gustavo… — Agora, Gabriel. Passei o endereço. Desliguei e respirei fundo, tentando me preparar pra qualquer coisa. Eu sabia que aquilo não ia acabar ali. Alguns minutos depois, estávamos na cozinha. Eu tentava fazer Melissa beber um pouco de água. Ela tremia. — Ele não pode mais entrar aqui — falei firme. — Isso acabou. Foi quando ouvimos. A porta da sala sendo aberta. — Melissa! — a voz dele veio carregada de raiva. Meu sangue ferveu. — Gabriel… — Melissa sussurrou, assustada. Larguei o copo no balcão e corri. Hugo estava na sala. As mãos dele estavam nos braços da minha irmã, sacudindo ela com força, o rosto colado no dela. — Você acha que pode me desafiar?! — ele gritava. — Você é minha! — Solta ela! — gritei. Mas antes que eu chegasse perto, Gustavo surgiu como um raio. Ele não hesitou. Não falou nada. Foi direto pra cima do Hugo. O impacto dos dois batendo contra a parede fez um barulho seco. Hugo tentou reagir, mas Gustavo o acertou primeiro. Um soco. Depois outro. Raiva pura, acumulada. Melissa gritou. — Para! — ela chorava. Eu avancei. Os dois estavam no chão agora, trocando golpes, móveis sendo arrastados, a sala virando um caos. — Gustavo! — gritei, agarrando-o pelos ombros. — Chega! Foi difícil separar. Ele ainda tentava avançar, o peito subindo e descendo rápido, os olhos escuros, perigosos. Hugo estava no chão, sangrando, xingando. — Se você encostar nela de novo — Gustavo rosnou, tentando se soltar de mim — eu juro que te enterro. Consegui empurrá-lo para trás. — Some daqui, Hugo — falei, apontando para a porta. — Agora. Antes que eu faça algo que não tem volta. Ele nos encarou, derrotado e furioso, depois cuspiu no chão e saiu batendo a porta. O silêncio que ficou foi pesado. Melissa caiu sentada no sofá, chorando. Fui até ela imediatamente. — Acabou — falei, segurando seu rosto com cuidado. — Ele nunca mais chega perto de você. Gustavo estava parado no meio da sala, respirando fundo, as mãos ainda fechadas em punho. Naquele momento, eu tive certeza de duas coisas: Hugo tinha ultrapassado um limite que não existia perdão. E Gustavo… não estava ali só como amigo. Ele estava ali como alguém disposto a tudo para protegê-la.
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