PROLOGO
ANALU narrando
O morro nunca foi um lugar de segunda chance. Aqui, ou você sobrevive, ou você desaparece.
Cinco anos longe foram suficientes para me fazer esquecer o cheiro da pólvora no ar, o som dos tiros cortando a madrugada e os olhares desconfiados em cada esquina. Mas não foram suficientes para apagar as cicatrizes. Algumas estão na pele, outras eu carrego por dentro.
Fui expulsa como uma traidora, mas a verdade é que fui vítima de um jogo que nunca soube jogar. Perdi tudo naquela noite: meu lar, minha honra e o único homem que amei de verdade. Mas levei comigo um segredo. O maior de todos.
Agora estou de volta, porque o destino quis assim. Porque fugir já não é mais uma opção. Porque a vida me obrigou a encarar meus fantasmas e os olhos de quem me condenou.
Douglas—ou melhor, Morte—ainda reina no Morro da Paixão. Ainda carrega no olhar a fúria de quem se sente traído. Só que ele não sabe de tudo. Ainda não.
E quando a verdade vier à tona, pode ser que nem o morro inteiro seja suficiente para conter a tempestade que está por vir.
Morte narrando
Cinco anos sem olhar na cara dela. Sem ouvir sua voz. Sem sentir o cheiro que um dia ficou impregnado no meu peito. Cinco anos tentando enterrar um amor que nunca morreu de verdade.
E agora ela está de volta.
Analu pisa no morro como se ainda tivesse direito a alguma coisa. Como se o passado não estivesse escrito a sangue e pólvora. Como se eu tivesse esquecido a cena que queimou minha alma naquela maldita noite.
Mas eu não esqueci. Nunca vou esquecer.
Ele voltou.... e trouxe ela junto!
Meu irmão. Meu inimigo. O homem que destruiu tudo que era meu e agora tem a audácia de encarar meus olhos como se tivesse vencido.
Só que essa guerra ainda não acabou.
No Morro da Paixão, lealdade tem preço. E quem trai... paga com a vida.
Metralha
No morro, respeito não se pede. Se toma.
Passei cinco anos esperando esse momento. Cinco anos assistindo Morte reinar sobre algo que deveria ser meu. Cinco anos ao lado de Analu, segurando firme para não deixar escapar o que conquistei.
Agora estou de volta. E não foi à toa.
Morte sempre achou que era melhor do que eu. Sempre teve tudo nas mãos: o comando do morro, o respeito de todos... Analu. Mas ele foi burro o suficiente para deixar tudo escapar. Eu só precisei abrir os olhos dele para uma verdade que ele não queria enxergar.
Agora, ele tem que me aceitar aqui. Tem que dividir o trono comigo. E, no momento certo, vai perceber que essa guerra já tem um vencedor.
Porque eu não voltei para ser sombra de ninguém.
Eu voltei para tomar o que sempre foi meu.
Zayra
Eu sempre soube que a presença dela aqui mudaria tudo. Mas, sinceramente, pensei que Morte tivesse aprendido a lição. O morro é nosso. Ele é o líder, e eu sou a mulher ao lado dele. Ninguém vai mudar isso. E muito menos Analu.
Essa p**a acha que pode voltar para o morro e ter alguma chance de reconquistar o que perdeu? Ela já foi tudo para ele, mas eu? Eu sou o que ele precisa agora. Eu estou ao lado dele, firme, pronta para enfrentar qualquer um que tente tomar o que é meu.
Ela pode até achar que tem um lugar no coração dele, mas eu sei o que Morte realmente quer. Ele vai me escolher, porque eu sei manipular o poder. E ela? Ela é apenas uma sombra do que foi. Só que uma sombra que eu vou esmagar com minhas próprias mãos.
Se ela tentar se aproximar dele, se ela tentar destruir o que construímos, eu vou fazer ela desaparecer. Não vai restar nada para Analu, a não ser as lembranças de um tempo que já passou. E quando isso acontecer, Morte vai me agradecer por ter limpado o caminho para ele.
Eu não sou fraca. Eu não sou descartável. Eu sou Zayra, e ninguém tira o que é meu.