Capítulo 2
Morte narrando
Meu pai observa Analu saindo da boca, naquele momento ele me encara e me fez sair do lugar dele e me sentar na frente dele.
— Você precisa repensar esse relacionamento – ele fala
— Isso está fora de cogitação – eu respondo firme e ele me encara
— Primeiro precisa comandar o morro, você será o futuro dono desse morro, não pode dar mole e nem mesmo ficar de romance para cima e para baixo com essa garota, isso não mostra firmeza aos moradores e nem mesmo aos inimigos.
— Eu vou me casar com ela! – eu respondo
— — Eu quero que você ponha a cabeça no lugar, Morte! — ele gritou, batendo a mão na mesa com força. — O comando do morro não é brincadeira! Não é hora para ficar pensando em casamento e em mulher!
Eu respirei fundo, tentando manter a calma. Ele não entendia. Ele nunca iria entender.
— Eu vou me casar com Analu, sim. Não vou adiar, e não vou desistir disso — falei, com firmeza. – eu consigo as duas coisas, casar com a mulher da minha vida e estar no comando do morro também.
— Você tá ficando maluco? — Petroleo gritou, o rosto vermelho de raiva. — Você é o sub do morro agora, Morte! O futuro líder do morro! E está pensando em casar? Vai se casar com a filha de quem, hein? Você acha que o comando vai ser fácil com essa distração? Vai colocar a sua cabeça no lugar, ou eu vou ter que fazer isso por você?
Ele estava furioso, e eu sabia o que isso significava. Mas, em vez de me sentir intimidado, algo dentro de mim queimava.
— Eu não vou adiar o casamento, pai — respondi, com os dentes cerrados, o olhar firme. — Não importa o que você diga. Vou me casar com ela, e será o mais rápido possível.
— Você está me desrespeitando, Morte! — ele gritou, dando um soco na parede, a raiva transbordando. — Você não está vendo o que está em jogo! Eu dei minha vida por esse morro, e você vai acabar com tudo por causa de uma mulher? Uma mulher nessa etapa que você está, é distração e pode acabar com você! Casamento não, ficar durante o baile, t*****r, se envolver é uma coisa, agora criar família, está muito cedo!
Eu me aproximei dele, sem medo, sem hesitar.
— Eu não estou acabando com nada, pai — falei, com a voz firme. — Eu sou o sub do morro agora. Eu vou fazer as coisas do meu jeito, e não importa o que você pense. Eu vou te provar que posso ter a minha família e comandar esse morro.
Petroleo olhou para mim, com os olhos cheios de fúria.
— Então é assim que você quer fazer? — ele perguntou, com a voz rouca, cheia de raiva e dor.
— Sim — eu respondi, sem hesitar. — Eu vou me casar com Analu. E vou fazer isso do meu jeito.
Ele ficou em silêncio por um tempo, e eu pude ver a luta interna acontecendo dentro dele. Ele queria gritar, queria me obrigar a ouvir, a ceder, mas, no fundo, sabia que não poderia mais me controlar. Eu já tinha tomado minhas decisões, e não importava o que ele dissesse. Eu era o sub do morro e não iria obedecer ordens de ninguém.
— Se você acha que vai dar conta de tudo isso, vai em frente — Petroleo disse, a voz mais baixa, mas ainda cheia de ressentimento. — Mas, lembre-se, Morte, você está lidando com o futuro do morro. E não vai ser fácil. E depois quando não der certo, quando esse casamento não for para frente, não diga que eu nãoa visei!
— Eu sei o que estou fazendo, pai — falei, com mais confiança. — Eu vou dar conta e Analu é a mulher da minha vida!
Com essas palavras, ele saiu da sala, deixando-me ali, em silêncio, com o peso daquilo tudo. O futuro estava mais perto do que eu imaginava, e eu sabia que não seria um caminho fácil. Mas, no fundo, havia algo em mim que me dizia que eu estava no caminho certo. Eu não ia deixar que o morro e meu pai decidissem o que eu deveria fazer da minha vida. Eu escolheria meu destino, e eu faria isso ao lado de Analu. Eu comandaria o morro, quando meu pai morrer, eu seria o dono dele e teria a minha família, ao lado da mulher que eu amo, não iria abrir mão disso!
A porta se fechou atrás dele, e eu fiquei ali, sozinho, encarando o futuro com uma determinação que nunca havia sentido antes. Eu sabia que essa batalha estava apenas começando.