A Morte não chega para todos

4997 Words
Pov Sofia Cabello – Vai viajar sem malas pirralha? – Dinah perguntou confusa. Revirei os olhos. – Grandona, aprenda uma coisa: Quando você viaja não leva malas, pois vai comprar tudo o que tem no país que esta para ir. – Aahh. – Sofi, você tem certeza que quer ir sozinha? – Shawn estava triste com minha partida. – Eu sei que não posso ir, mas que tal levar algum dos Jauregui com você? – Não Shawn, já avisei meus tios que eu vou sozinha, preciso de uns dias com minha família. Vou ficar só uma ou duas semanas e já volto. Shawn não aprovava muito a ideia. – É muito tempo longe, meu amor. – Ele resmungou. Bufei começando a ficar irritada. – Shawn, que tal você ir visitar La Push enquanto Sofi estiver fora? – Lauren sugeriu ao meu lado. – Está me expulsando? – Shawn arqueou uma sobrancelha fitando a Mommy. – E ainda pergunta? Não se preocupe quando você voltar farei questão de comprar uma casinha pra você. – Mani disse travessa. Meu lobinho rosnou para minha tia. – Normani tenha modos! – Clara brigou com a mulata. Mani bufou e veio até mim empurrando Shawn para o lado com os ombros. Fico imaginando se a briga entre os dois vai ter uma trégua algum dia. – Duvido. – Lauren respondeu meus pensamentos. Olhei para ela divertida. É acho que até para uma imortal, vou cansar de esperar em pé. Ela abriu um sorrisinho com meu pensamento. – Sofi, se cuide lá. Tome muito cuidado e aproveite para encontrar um companheiro que não fede tanto. Nem ousei a olhar pro meu lobinho. Dinah riu enquanto se aproximava de nós. – É Sofi, talvez um que não cheire tão m*l não seja uma má ideia. – Ela disse me dando um abraço de urso. – Vou sentir saudades. – Não se preocupe volto logo. – Credo! Esses abraços do Dinah algum dia vai me partir ao meio. Ela me soltou e instintivamente levei minhas mãos nas costas para ver se estava tudo no lugar. Ufa, nada de errado. Ninguém merece ter uma vampira torta andando por aí. Lauren riu ao meu lado e sorri ao vê-la assim. Era raro às vezes vê-la desse jeito. Na hora que pensei nisso seu riso morreu. – Não sou só eu. – Ela sussurrou me encarando. Desviei os olhos do seu. “Eu sei.” foi o que respondi. Mani me abraçou tirando dos meus pensamentos. – Ligue assim que chegar. – Ela pediu. – Claro. – Sofia sentiremos sua falta. – Michael disse vindo me abraçar carinhosamente. – Juízo! – Falou Clara me abraçando ao mesmo tempo que seu marido. – Qualquer problema não hesite de nos ligar. – Pode deixar. Obrigada por tudo. – Falei olhando para todos. – Não vai levá-la até o aeroporto, Lauren? – Shawn perguntou. – Não, vá você. – Mommy respondeu, então ela me deu um abraço apertado. – Qualquer coisa vou estar com o celular ao meu lado o tempo todo. – Ela murmurou no meu ouvido e se afastou sem antes dar um beijo na minha testa. Ela me encarava com os olhos vazios. – Vou sentir saudades. – Eu também. Vê se alimenta enquanto estiver fora. Ela fez careta, mas logo abriu um meio sorriso. – Espero quando você voltar. – Ela piscou com um olho e sumiu subindo para seu quarto. Ela nunca mudava, mas quem sou eu para animá-la se nem mesmo eu consigo ser do mesmo jeito que antes. Fiquei olhando a escada por onde ela subiu até ver uma baixinha saltitante descendo por elas com Troy em seu encalço. – Tome. – Ela jogou em cima de mim um papel dobrado. – O que é isso? – Perguntei confusa. – Umas coisinhas que eu quero que traga da Itália para mim. – Ela disse dando de ombros. Desdobrei o papel e ele foi desenrolando o restante até próximo aos meus pés. Nele tinha uma lista do que pedia para trazer. Fiz careta enquanto lia o papel e bufei contrariada. – Tem muito pouco aqui, Allycat. – E eu não sei? Mas disseram que eu tinha exagerado. – Ela disse brava cruzando os braços enquanto encarava Troy. – Não se preocupe, pequena Allycat. – Disse enquanto dobrava o papel e guardava na minha bolsa. – Trago o dobro do que está aqui. – AAHH. – Ela gritou pulando e vindo me abraçar. Ally era bem menor. Eu era uma cabeça maior que ela. – Eu sabia que você não desapontaria sua titia aqui. – Ela deu um beijo estalado no meu rosto. Troy só revirou os olhos. – Não devia fazer essas coisas, Sofi. – Ele falou. – Você que não devia. Para compras não há limites! – Respondi com firmeza. Ele ergueu os braços como se rendesse. – Não está mais aqui quem falou. – Ele disse sério, mas acabou rindo por fim e vindo me abraçar para se despedir de mim. – Volte logo. – Pode deixa, tio Troy. Me soltei dele e fui até meu lobinho entrelaçando os dedos nos seus. – Mande lembranças a Simon. – Michael pediu e eu sorri assentindo. Parando em frente a porta só que do lado de fora coloquei meus óculos o dia estava ensolarado com poucas nuvens no céu, apesar de Vancouver ser frio, aqui geralmente fazia mais sol comparado com Forks. Por sorte o carro tinha vidros escuros e tinha estacionamento no subsolo do aeroporto, ou seja, era só evitar as janelas do embarque que eu não teria nenhum problema. – Seu cheiro é maravilhoso para mim. – Falei para Shawn quando ele já tinha partido com o carro. Ele sorriu e deu um beijo na minha mão. – E o seu é o melhor do mundo. Shawn tinha crescido mais, se fosse possível. Antes ele era forte, mas um pouquinho mais baixo que Mommy, agora ele já havia ultrapassado a altura e continuava musculoso de sempre. E a barba para fazer o deixava com um ar de homem de uns 26 anos. A viagem de carro foi bem curta, quando me dei conta já estávamos entrando no subsolo do estacionamento. Shawn dirigia rápido, mas não tão rápido quanto nós vampiros. Ele me levou direto para o elevador que dava para o saguão. – Vai voltar para nossa casa? – Perguntei. Ele fez careta. – E ter que aturar aquela loira oxigena e a morena do demônio? Claro que não. Tenho amor pela minha vida. Revirei os olhos e me aconcheguei no seu corpo assim que entramos no elevador, ele passou os braços em volta da minha cintura. – Não empreste nosso carro para Seth novamente. Juro que se eu ver mais um arranhãozinho não vai ser ele que vou matar e sim você. Shawn me apertou contra ele. – Eu não tive culpa dele ter pego as chaves escondido da última vez. – Então não se separe delas, pois se algo assim acontecer. Compro um carro só para mim e saio sozinha. – Falei dando de ombros. Shawn rosnou. O único jeito que eu convenci de dar um carro para ele foi usando essa desculpa, mas se ele não cuidasse do carro eu iria fazer isso mesmo. – Você não precisa fazer isso, porque não vai acontecer nada. – Ele resmungou. Sorri satisfeita. O elevador abriu e eu me afastei do seu corpo deixando somente nossas mãos entrelaçadas. Conforme caminhávamos pelo saguão muitas pessoas nos encaravam descaradamente. Não posso reclamar, nós chamávamos mesmo atenção. Nós somos mesmo um casal perfeito. Eu sendo uma vampira a beleza é parte do que eu sou ainda mais que eu puxei os detalhes da mulher mais linda que já existiu nesse mundo e sem falar que o vestido que eu usava combinava lindamente com o meu salto. E Shawn... Bom meu Shawnzinho era um gostoso por completo. Moreno, alto, forte e lindo não tem quem não babe. Ainda mais quando ele usa essas regatas coladas no corpo e uma jaqueta por cima. Ah é de deixar qualquer um quente, incluindo eu. Só me enfureço quando algumas tem a ousadia de ainda elogiá-lo ou dar indiretas nele na minha frente, para minha sorte meu lobinho não dá trela para nenhuma delas. Sempre que alguma se aproxima ele me envolve nos seus braços demonstrando que ele já tinha dona, mas ele não fazia isso só com as mulheres, oh não. Ele também fazia quando um homem tentava se aproximar de mim a diferença é que quando são homens ele demonstra posse que eu era dele. Confesso que não me importo nenhum pouco, amo ver que ele me ama. Shawn ficou comigo até dar a hora do embarque. Felizmente demorou quase uma hora para a chamada do meu vôo, então aproveitei esse tempo e fiquei agarradinha com meu lobinho. Ficamos num grude que chamou atenção de muitas pessoas, mas pouco me importava com os humanos só queria aproveitar meu namorado. – Mande um abraço para Nate diga que só não estou com saudades porque ele não me manda notícias sempre. – Pedi para ele. Pois é, Nate acabou ficando em La Push. Depois da morte da mamãe, Nate ficou muito m*l e parece que isso tocou o coração duro de Leah. Ela sofreu vendo ele triste e acabou ficando ao seu lado, ajudando na sua dor. Depois disso os dois não se desgrudaram mais e depois de um ano de amizade eles finalmente acabaram se resolvendo. Por incrível que pareça meu primo deixou de ser aquele pegador geral e agora só tinha olhos para Leah. Confesso que fiquei chocada no começo, mas completamente emocionada. Leah finalmente não sofreria por amor, pois os dois se amavam verdadeiramente, assim como Shawn e eu. – Não se preocupe amor, eu aviso. – Ele sussurrou segurando meus cabelos e colando seu lábio abrasador no meu gélido. Uma combinação perfeita de fogo e gelo. A chamada do meu vôo anunciou mais uma vez. Era hora de ir. – Se comporte. – Falei com a testa colada na dele. – Digo o mesmo, não tenha olhos para ninguém. – Assim como você. – Eu te amo. – Ele disse sorrindo. – Eu também te amo. – Dei mais um beijo nele e saí dali. Rapidamente entrei no avião evitando as janelas e finalmente sentei na poltrona da primeira classe e tirei meus óculos de sol. Eu jamais andava na classe econômica, é r**m . Aqui eu tinha mais espaço e não ficava presa com tantos humanos grudados a minha volta. Minha garganta sempre doía quando entrava em aviões e ficava muito pior na classe econômica. Sem falar que primeira classe é outra coisa. Fechei os olhos e apoiei a cabeça no encosto da poltrona. Uma leve movimentação indicou que alguém se sentou ao meu lado, mas nem dei bola. – Olá, gracinha! – Abri um olho para observar um homem de terno na casa dos trinta e pouco mexendo comigo. Bonito devo dizer, mas humanos não me atraia nenhum pouco. Fechei os olhos me acomodando novamente na poltrona e ignorando esse ser do meu lado. – Hum... Além de linda é difícil. Gostei de você. – Ele tentou dizer sensual, mas pouco me interessou. Coloquei de volta meus óculos numa tentativa de mostrar que não queria nada. – Que tal me dizer seu nome bonequinha. Bonequinha? Por favor, né! Ergui minha mão e mostrei o dedo do meio. O homem riu ao meu lado e para minha surpresa colocou sua mão sobre a minha abaixando meu dedo. Olhei incrédula para ele por trás dos óculos. Quem esse humano pensa que é para tocar em mim. Puxei minha mão me soltando dele. – Nunca mais toque em mim! – Disse ríspida. Ouvi seu coração disparar um pouco assustado, mas não o impediu de encher o saco. Qual é? Os humanos não tinha mais senso de preservação, não? – Ah gracinha que tal começar a ser boazinha com o papai aqui? – Ele ergueu sua mão para tocar no meu rosto, mas antes que me tocasse segurei seu pulso. – Eu disse para não me tocar. – Falei irritada e comecei a apertar seu pulso. O sorrisinho malicioso que ele tinha no rosto começou a sumir conforme ele foi sentindo dor. – Posso ajudar em algo? – A aeromoça apareceu na nossa frente nos encarando atentamente. Soltei a mão dele e sorri cínica. – Na verdade, gostaria que trocasse o cavalheiro de lugar. – Posso saber por quê? – Ela arqueou uma sobrancelha me olhando com desdém. Humanos. Revirei os olhos. – Porque se não tirarem ele daqui, além de processá-lo por abuso s****l, eu processo a companhia aérea por não terem feito nada. – O que? Você está louca? – O homem gritou. – Eu não fiz nada! A aeromoça que até então me olhou assustada respirou para manter a calma. – Não se deve chamar atenção menina, se não se comportar você deve se retirar do avião. Arqueei uma sobrancelha. – Muito bem. – Ergui o celular na minha mão. – Farei questão de mostrar aos meus advogados a pequena gravação da conversa que eu tive com esse rapaz ao meu lado, incluindo a sua, por sua falta de educação e atendimento. Balancei o celular na minha mão. Eu não tinha gravado conversa nenhuma, mas eles não precisavam saber e humanos caiam pateticamente no que os outros dizem. Os dois arregalaram os olhos. – Por favor, senhorita! – Não disse, agora a aeromoça estava tentando ser educada. – Agora sou senhorita? – Disse debochada. – Esqueça, só se livre dele e quero que outra aeromoça me atenda e isso fica guardado comigo. Entendidos? Ela assentiu apressadamente. – Senhor, por favor. – A mulher pediu. O homem me encarou furioso e dei um sorriso debochado. Ele saiu espumando dali. Voltei a olhar para frente e coloquei os fones de ouvido do avião. Agora que eu estava em paz e sozinha longe de todos, me permiti que a dor me atingisse. A saudade que eu tinha da minha mãe não tem fim. Eu sempre tentava me fazer de forte perto dos Jauregui, mas às vezes era quase impossível de disfarçar. Uma simples lembrança dela me desmoronava e aqui agora ninguém me notaria. Não tinha eles para sofrerem por me ver assim. As horas de viagem me daria um tempo para me prender e sofrer nos meus pensamentos. Tinha que ser o suficiente para não mostrar para minha família da Itália os meus verdadeiros sentimentos e seria muito difícil, ainda mais porque eles vão tentar fazer me sentir bem. Eu sei que eles querem me ajudar, mas só vai piorar. Só existia uma pessoa que eu odiava mais que Zayn, essa pessoa era Taylor. Não me importo que ela seja minha irmã. Ela matou nossa mãe, que tipo de monstro faz uma coisa dessas? Por isso não sentia nada por ela. Depois que tio Chris me contou tudo e disse que eu tinha uma irmã quando era uma bebezinha ainda o mundo pareceu pesar nos meus ombros. Eu nunca imaginei que tinha uma irmã, aliás uma irmã gêmea e que mamãe nunca me contou. Era para minha irmã estar morta, bem era isso que mamãe e tio Chris pensavam, mas pelo visto Zayn agiu antes e enganou a todos muito bem, principalmente os dois, do mesmo jeito que manteve tia Laura presa esse tempo todo. Os únicos que sabiam da existência da minha irmã além de tio Chris eram meus avós e meu pai biológico. Parece que ninguém dos Estrabão tinha tal conhecimento. Meu pai me levou da minha mãe sem ninguém ver nós duas. Ele precisava ir para seu reino antes que uns mercenários que estavam atrás dele o pegasse e levou eu e minha irmã com ele, pois mamãe não teria chances de nos salvar se ficássemos. Para piorar ela não pode ir com a gente porque sua gravidez foi de risco, dar a luz para duas crianças naquela época é quase certeza da morte, por sorte ela conseguiu sobreviver e os mercenários passaram longe da vila. Depois disso ela passou a se recuperar e guardar mantimentos para viajar até as terras do meu pai, mas tudo desencadeou quando teve um terremoto e depois sua suposta morte. Depois que meu tio contou toda a história. Senti uma raiva profunda. Senti raiva pela minha irmã ser a suposta assassina da minha mãe. – Pelo menos os fatos apontavam para ela. Eu tinha certeza que era ela. – Senti raiva por Zayn ser um desgraçado. Senti raiva por enganarem a nós esse tempo todo e senti raiva da minha mãe por ter me escondido à verdade. Sim, senti raiva. Ela não tinha o direito de esconder algo assim de mim, mas com o tempo fui percebendo que talvez ela só não me contou porque não queria sofrer por se lembrar. De acordo com meu tio ela nunca superou a “morte” da minha irmã, por isso de certa forma ela era vazia. Apesar dela me amar e dar carinho mais que tudo nesse mundo. Eu às vezes a via meio perdida, não ela nunca me demonstrou. Eu percebi isso durante os milênios via o vazio que tinha nos seus olhos. Ela disfarçava perfeitamente, mas se existe algo que não conseguimos disfarçar é o olhar. Depois da raiva o sentimento de culpa me atingiu em cheio. Como eu pude sentir raiva da mulher que mais amei e mais me amou nesse mundo? Ainda mais que ela tinha partido poucas horas. Naquele momento vi que eu era pior que minha irmã. Sentir raiva da minha mãe? Meu mundo desabou depois daquele dia. Dor, magoa, ressentimento, culpa e raiva de mim mesma. Era tudo que eu sentia. Senti vergonha de mim, foi por isso que me afastei de tudo durante uma semana. Eu nunca me perdoei por aquele pensamento egoísta e nunca vou me perdoar. Senti o avião dar um solavanco e a aeromoça pedindo para que apertássemos o sinto que íamos pousar. Durante a viagem inteira fingi dormir para que não interrompessem meus pensamentos. Eu queria divagar um pouco enquanto tinha chance. Afinal, não é mais sempre que fico sozinha por bastante tempo. […] As enormes portas do salão onde ficava os tronos dos reis abriram para minha passagem e a primeira visão que eu tive foi de Simon e Antônio sentados em seus tronos majestosos. Mesmo depois de todos esses anos eles ainda viviam como reis da idade média. A primeira coisa que senti foi um cheiro muito, mais muito de leve da minha mãe. Como pode depois de tantos séculos o cheiro dela ainda estar no local? Ou será que é só minha imaginação? Não importa só senti meu coraçãozinho morto se comprimir dentro do meu peito. Ah, que saudades mamãe! O único trono que estava vazio era de Marcus. Me perguntei se meu tio Chris chegou a falar com meus tios que Laura estava viva? Desconfio que não, já que Zayn tinha sequestrado ela de volta. Só faria tio Marcus se machucar mais e se bem que talvez se ele soubesse ele mudaria aquele seu comportamento tedioso com todos a sua volta. – Sofia, querida quanto tempo. – Simon disse se levantando graciosamente do seu trono. – Simon! – Dei um sorriso. – Nunca mais nos deu notícias, menina. Sentimos saudades. – Antônio disse, porém sério. Olhei em volta tinha alguns guardas dos Estrabão no salão além dos meu primos Noah, Naia e Felix. Ao encarar a loirinha baixinha na minha frente não consegui conter um sorriso presunçoso. – Naia! Parece que não cresceu desde a última vez que nos vimos. – Alfinetei enquanto tinha oportunidade. – Sofia! – Sua voz melodiosa saiu ácida. Contive a vontade de gargalhar. Vi Simon balançar a cabeça e os guardas que não faziam parte da guarda principal se espantaram com minha ousadia e retiram imediatamente. Meio segundo depois que fecharam as portas senti um impacto contra mim e cai no chão, com uma loirinha em cima de mim. – Na próxima uso meu dom quando fizer esse comentário insolente na frente da guarda Estrabão. – Ela disse me encarando séria, mas não aguentou e acabou rindo. Acompanhei-a na risada. – Estou falando sério, onde você acha que vai ficar minha moral se a fria Naia não faz nada contra uma vampira que ousa desafiá-la? – Ela fez careta. Ri alto. – Se não tivesse esse jeito turrona poderia me provocar a hora que quisesse. – Gosto que os outros me temem. – Ela deu de ombros. Não aguentei mais e puxei minha prima para um abraço apertado. Sei que na verdade meus primos daqui e meus tios são na verdade parentes de primeiro grau da minha mãe e segundo de mim, mas amo tanto eles que considero-os como meus primos e tios e não primos de segundo grau ou tios-avôs. Ninguém merece ficar chamando tio Simon de tio-avô. – Saudades de você loira! – Eu também. – Ela me apertou forte contra seu corpo. – Não tem lugar para mim aí não? – Ouvi a voz de Noah soar um pouco distante dali. – Claro que tem seu chato. – Estendi meu braço que envolveu meu primo assim que ele me abraçou. – Acho que posso ficar assim por um bom tempo. – Ele disse esmagando nós duas em seu abraço. Então nós três caímos na risada assim que matei um pouquinho minha saudade deles nos levantamos. – Oi Felix, Demitri! – Cumprimentei os dois que tinham os braços cruzados e a postura ereta no canto do salão, mas ambos sorriram para mim. – Sofi, querida que tal um abraço no seu tio? – Simon abriu os braços. Hesitei por um instante se ele tocasse em mim veria todos os meus pensamentos, antes nunca precisei me preocupar com isso, já que mamãe sempre protegeu minha mente, mas agora apenas um toque e ele poderia saber tudo. Quer saber dane-se. Corri até ele e o abracei. Para meu contentamento e alivio tio Simon não tocou suas mãos na minha pele e sim no meu vestido. Ele como sempre se precaveu para que não invadisse minhas memórias. Separei dele sorrindo e ao invés dele tocar no meus cabelos como sempre fazia quando me via, se contentou em mexer com as pontas do meu cabelo. – Linda como sempre, adorável Isabella Sofia! – Simon sussurrou me fitando sorridente. Mesmo depois de todos esses anos, Simon mantinha seus longos cabelos pretos do mesmo jeito. – Encantadora é a palavra ideal. – Antônio falou enquanto dava passos vagarosamente na nossa direção. – Sabe que nos deixou muito triste por não falar conosco nesses últimos anos. Suspirei dando um abraço. – Eu sinto muito. – Disse ao encarar. – Mas esses últimos anos não foram fáceis para mim. Vi Antônio trocar um olhar estranho com Simon, mas rapidamente disfarçaram. – Tudo bem, querida. – Simon sorriu plenamente. Olhei meio desconfiada para os dois, mas deixei de lado. – Como está sendo sua nova vida, você me contou que está vivendo com os Jauregui! Vejo que aderiu até mesmo a alimentação deles. – Simon disse encarando meus olhos. – Tenho meus motivos. – Dei de ombros. – Ah vovô Michael mandou seus cumprimentos. Simon e Antônio arregalaram os olhos surpresos. – Vovô? – Simon repetiu como se talvez não tivesse escutado direito. – Por quê? – Antônio perguntou. – Ah é que Michael é pai de Lauren e ela era a companheira da minha mãe. – Expliquei fazendo gestos com a mão. – Espera sua mãe tem uma companheira? – Naia perguntou boquiaberta. – Sim, quem diria hein? – Sorri de forma irônica. – Quando ela finalmente acaba amando alguém o destino resolve tirar o que ela nunca imaginou sentir. Eles ficaram em silêncio estranhamente um olhando para outro. – Eu sei, para quem a conhecia é chocante saber que ela finalmente descobriu tal sentimento. – Oh sim, claro. – Simon concordou, mas ele não estava prestando exatamente atenção no que eu dizia. – Esta tudo bem por aqui? – Perguntei estreitando os olhos. Definitivamente tinha algo errado. Eles estavam escondendo algo. – Mais é claro querida. – Simon deu um sorriso um pouco forçado. – Sei. – Encarei de Simon para Antônio procurando algo suspeito. Eles estavam estranhos desde a hora que cheguei aqui. – E onde está tio Marcus? – Questionei arqueando uma sobrancelha. – Ele já deve estar voltando. Já deve ter sido avisado que está aqui. – Antônio respondeu. – E o que ele está fazendo? – Eles não me enganavam sabia que tinha algo de estranho e isso envolvia tio Marcus. Os dois trocaram olhares rapidamente, e por fim Simon suspirou se rendendo. – Sofia... – Ele falou me encarando profundamente. – Marcus está com Laura. Meu queixou foi pro chão. Laura estava esse tempo todo aqui? – C-como? – Perguntei ainda aturdida. – Bom, Laura supõe que você sabia que ela estava viva, não é mesmo? – Simon me olhou recriminador. Engoli em seco, mas por que me olhar assim se ele já sabia esse tempo todo e eles que não avisaram nem a mim e meu tio que ela tinha se salvado. Cruzei os braços ficando séria e batia o pé no chão. – E vocês também pelo visto. – Acusei-os. – Fez tio Chris e eu pensar que ela estava esse tempo todo nas garras de Zayn, enquanto ela estava esse tempo todo aqui com vocês. – Minha voz alterou. – Vocês sabiam que tio Chris está até hoje atrás dela? Eles arregalaram os olhos diante da minha explosão. – Sofia. Laura só apareceu alguns meses. – Simon disse vagarosamente. – O que? – Agora eu quem arregalei meus olhinhos. E antes que alguém me explicasse o que estava acontecendo aqui, a porta do salão se abriu e dele apareceu uma vampira que há muito tempo não via ao lado de tio Marcus. Ela estava linda e graciosa como uma verdadeira rainha. Seu longo vestido branco impecável caia perfeitamente nela. Sua elegância e postura digna de uma verdadeira dama exalavam em seu ser. E suas feições delicadas. Fiquei sempre em duvida em qual das três rainhas era a mais linda. – T-tia Laura? – Perguntei e pisquei os olhos varias vezes como se eu estava tendo uma ilusão na minha frente. – Tia. – Gritei escandalosamente e corri para abraçá-la. – Oi, querida? – Ela me apertou contra seu corpo. Não acredito que ela estava aqui, depois de tanto tempo. Toquei seu rosto para ter certeza se ela era real. – Eu sou real, Sofi! – Ela disse divertida. Ops! Acho que a emoção foi tanta que até esqueci de controlar meu poder tirei minha mão rapidamente do seu rosto. – Não se acanhe, meu amor. – Ela disse rindo abertamente. – Senti saudades desse seu jeito espontâneo. – Ah não acredito que você está aqui! – Pulei animada segurando suas mãos. Arranquei risos dos vampiros que estavam ali. – Eu também não acredito. Senti tantas saudades. – Ela tinha os olhos brilhantes de felicidade. – Como? Quando? Tio Chris já sabe? – Ligamos para ele pouco depois que ligamos para você, ele também virá, mas vai levar um tempinho a mais para vir aqui. – Tio Marcus sorriu ao dizer essas palavras. Olhei para ele incrédula. Ele está mesmo sorrindo? Marcus nunca sorri. E mais uma vez todos ali riram. Qual é, virei palhaça agora? Se bem que gosto de ver todos sorrindo, isso me fazia bem. Balancei a cabeça. – E vocês já contaram para ele? – Ainda não. Olhei eles de cara feia. – Isso foi errado ele está te procurando desesperado até hoje Laura, mas nunca conseguiu nenhuma pistas sua. Ela arregalou os olhos. – Por que ele tem me procurado esse tempo todo? – Porque ele estava tentando te salvar de Zayn. Não era onde estava esse tempo todo? – Perguntei confusa. – Tio Simon disse que você chegou só meses atrás. Espera estou completamente confusa. Se tia Laura não estava presa esses últimos anos onde ela esteve? Agora todos trocaram olhares. O que é que eu não estou sabendo aqui? Não estava gostando nenhum pouco de ficar por fora. – E então? – Pressionei. – Não é melhor esperar Christopher chegar para dar a notícia juntos? – Antônio perguntou hesitante. – Que notícia? – Seja lá o que for estava começando a me deixar nervosa e olhando em volta percebi que todos sabiam do que se tratava. Tanto que Naia e Noah não olhavam para mim. – Ela não vai aceitar esperar. – Simon respondeu me olhando cauteloso. – Da pra parar de falarem como se eu não estivesse aqui. – Disse ríspida. Laura se aproximou colocando suas mãos nos meus ombros afagando-os. – Sofi, eu não estive sequestrada nesses últimos anos, estive pelo mundo com uma vampira. E bem... essa vampira não é receptiva, pelo contrario, ela não gosta muito dos vampiros e tão pouco dos humanos. – E o qual o problema? – E o que tinha demais nessa vampira? Talvez seja ela quem ajudou Laura a fugir. Tinha que agradecer ela. Laura encarou dentro dos meus olhos com os seus mais vermelhos que sangue por longos segundos. – Essa vampira é sua mãe! – Ela disse cautelosa. O que? Espera eu devo ter imaginado ela dizer coisas, porque acabei de ouvir algo impossível. É Sofi sua mente está mais ferrada do que você imaginava. Vendo que eu ainda esperava pela resposta Laura suspirou profundamente antes de dizer: – Camila não morreu! Essas suas palavras foram a confirmação do que acabei de ouvir segundos atrás, não era minha imaginação. Senti uma avalanche de sentimentos caindo em cima de mim. Suas palavras me acertaram tão em cheio que cai sentada no chão. Tudo a minha volta sumiu, somente as palavras de Laura rodava na minha mente. Mamãe está viva? Até logo... ?
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