Choque I

2065 Words
Pov Isabella Sofia Mamãe está viva? Eu não podia acreditar no que tinha acabado de ouvir, depois de todos esses anos sofrendo e magoada por uma mentira. Não, não isso é possível! Senti uma mão tocar delicadamente meus ombros e me chacoalhar levemente tirando-me do transe. Finalmente meus olhos voltaram a ter foco e vi Laura agachada na minha frente. - Por que estão brincando comigo? - Senti a dor e desolação me atingir. Como eles tinham coragem de fazer uma brincadeira de m*l gosto como essa? Será que eles querem reviver tudo que eu sofri nos primeiros meses? Eles eram maus por fazerem isso comigo. - Jamais brincaríamos com uma coisa dessas, querida. - Laura disse acariciando meu rosto. Testemunhando a veracidade de suas palavras, eu soube ali que eram verdade. Minha mãe estava viva. Senti uma felicidade inflamar dentro de mim e parecia que eu ia explodir a qualquer momento de tanta alegria. Minha mãe estava viva. VIVA! Todas as tristezas, dor e perda ressentida parece ter sumido imediatamente. Depois de tantos anos. Eu pude reencontrar a felicidade novamente. Não resisti o impulso e gritei alto de alegria assustei todos com minha reação, ninguém estava esperando por isso, mas pouco me importava. Então me joguei nos braços da minha tia. - Ela está viva! Eu não acredito. - Gritava animada. Parecia que eu estava sonhando pela primeira vez depois de tanto tempo. - Sim, querida. Ela está viva! - Laura ria da minha euforia. Levantei imediatamente e quicava no lugar. - E onde ela está? Eu preciso vê-la, falar e tocar nela. Preciso do seu colo depois de tanto tempo. Nesse momento vi o sorriso de todos sumirem. Percebendo que tinha algo de errado parei de pular e meu sorriso foi morrendo. - O que foi? Ela está bem? - Perguntei preocupada. Será que tinha acontecido algo com ela? Não sei, mas se ela não veio até agora para me ver com certeza tinha. Se não por que ela não tinha ido me ver nesses anos? Mamãe nunca me deixaria sofrer, sempre me amou. - Ela está bem Sofi, mas... - Mas? - Eu não gostei nenhum pouco desse "mas". Só confirmava que minha teoria estava no caminho certo. - Acho melhor começar desde o começo, minha irmã. - Simon sugeriu. Fiquei observando minha tia para começar a explicar. Ela suspirou. - Há cinco anos atrás quando sua mãe foi te salvar de Zayn. Uma pessoa de certo modo conseguiu matá-la. Lembrei que Mommy viu toda a cena. - Sim, Lauren viu tudo. - Sussurrei. Eles me olharam surpresos. - Quem é Lauren? - Marcus perguntou curioso. - Companheira da Camila. - Quem respondeu foi Antônio. Laura me olhou surpresa. - Karla tem uma companheira? - Laura questionou. - Depois explicamos... - Simon falou. - Isso vai ser interessante. - Antônio murmurou. - Então, você sabe quem tentou matar sua mãe? - Laura perguntou hesitante. - Sei, mas não é por causa de Laura. Ela não conseguiu ver o rosto da assassina. - Cuspi a última palavra. - Encachando uma peça aqui e outra ali tio Chris descobriu tudo e só contou para mim. Ninguém mais sabe além de nós sobre minha querida irmã. - Debochei. - Falamos sobre sua irmã depois. Vamos nos focar na sua mãe agora. - Claro, claro! - Era o que eu mais queria saber. - Então, sua irmã chegou a dar o golpe final na sua mãe, mas antes que eles botassem fogo na casa eu consegui entrar e tirar sua mãe de lá. Salvei sua mãe no último segundo, se eu não tirasse ela de lá... Bem, você sabe o que teria acontecido. - E esse golpe deixou sequelas? - Não. - Então, o que aconteceu? - Perguntei confusa. Se ela estava viva e não tinha nenhumas sequelas, não via nada de r**m que podia acontecer a mamãe. - Taylor tem um dom. Ao contrário de você que pode implantar pensamentos ou imagens na mente dos vampiros, sua irmã consegue bloquear a mente deles. - Laura explicou. Minha irmã tinha um dom também? Mas e daí? - Laura, mamãe é imune a dons mentais. - Falei o óbvio. - E ela é imune ao seu? - Ela questionou arqueando uma sobrancelha. Oh merda! Mamãe nunca foi imune ao meu dom, nunca soubemos o porquê, mas se ela não era imune ao meu dom tem chances da minha irmãzinha conseguir usar seu dom. Cara, quer dizer que... - Minha mãe perdeu a memória? - Terminei meu pensamento falando alto. - Mais ou menos. - O quê quer dizer? - Fiquei confusa. - Sua mãe não perdeu suas memórias. A mente dela foi bloqueada e a única que tem a chave para desbloqueá-la é sua irmã. - E isso não é a mesma coisa que perder a memória? - Era. Não era? - De certo modo, sim! - Ela pensou no assunto e acabou concordando. Puta merda! Se mamãe não se lembra de nada, então ela não se lembra de mim? Poxa, s*******m e agora como é que fica? Como posso ajudá-la. Só há um jeito, encontrar Taylor e exigir que ela desbloqueia a mente da mamãe. Tá, tudo isso estava uma droga. Mas eu podia falar com mamãe, se aproximar e ser amiga dela ainda hoje. Isso era o começo. Ela é minha mãe, vai me amar assim que me ver! - Tudo bem, mamãe não se lembra de nada. Então que tal eu ir lá e ser amiga dela hoje mesmo? - Falei ansiosa. Pelo menos mamãe não estava morta como imaginava. Meus tios mais uma vez trocaram olhares. Fala sério, isso estava começando a dar nos nervos. - Sofi, tem mais um problema nisso tudo. - Mais? - Não acredito que tinha mais. - Sua mãe não é exatamente a mesma pessoa. Fiquei confusa, não entendi. - Ela não é mais a mesma pessoa porque perdeu a memória? - Esse é o motivo, mas ela não é mais a mesma pessoa amorosa que você conheceu durante todos esses milênios. - C-como? - Engoli em seco. Mamãe não era mais a mamãe? - Olha, Sofia... - Laura segurou minhas mãos. - Eu não sei exatamente porque, mas quando ela se recuperou não voltou... digamos que amigável. Simon postou-se ao lado de sua irmã. - O que sua tia quer dizer querida, é que sua mãe não gosta muito dos vampiros. - Ele suspirou. - Ela não gosta que fiquem perto dela e muito menos gosta de conversar. - Mas comigo pode ser diferente. Eu sou a filha dela! - Murmurei. - E todos nós somos a família dela, Sofi e mesmo assim ela pouco se importa com a gente. Por pouco ela não matou Felix! Olhei para o vampiro grandão que assentiu com o que Simon disse. - Mila matou muitos vampiros da guarda nesses meses que está aqui. Tivemos até que afastar ela de todos para que não matasse todos só por olharem-na estranha ou por ter insistido em se aproximar. - É por isso que não dei notícias durante esse tempo. - Laura começou a explicar. - Sua mãe não confia nem mesmo nos Estrabão, ainda mais depois que ela ouviu de vampiros nômades falar sobre eles. Custou quase minha cabeça para convencê-la de vir para cá. Minha sorte é que sua mãe confia em mim da maneira dela, mas confia e se eu saísse de perto dela ou fizesse algo por suas costas. Perderíamos todas as chances de trazê-la de volta. Eu ouvia tudo que eles diziam e confesso que me assustei com tudo o que disse. Mamãe apesar de ser má com seres que não mereciam perdão, ela sempre foi amorosa e compreensiva com aqueles que ama. Então como ela pode ter mudado? Mesmo que perca sua memória, ela não devia continuar ser a mesma vampira? Quero dizer, manter sua personalidade? Porque sinceramente, eu não sei. Não importa como minha mãe seja agora. Eu só precisava vê-la. - Posso ir vê-la agora? - Perguntei ansiosa. - Você ouviu o que acabamos de dizer Sofia? - Sim. - Bufei. - Mas isso não quer dizer que vou deixar de vê-la. Laura suspirou. - Tudo bem, Sofi. - Tem certeza, querida? - Marcus perguntou encarando a esposa. - Sabemos como Sofi é. Ela não vai descansar até ver sua mãe. - Ótimo, então vamos? - Eu nem acredito que ia ver minha mãe. - Quando vê-la não faça nada imprudente. Deixa eu falar com ela primeiro e depois se ela disser que está tudo bem, você fala. Entendeu? Revirei os olhos. Mamãe nunca faria m*l a mim. - Claro. Vamos? - Insisti mais uma vez. - Acho melhor irmos acompanhá-la irmã. - Antônio sugeriu. - Nós também? - Naia tinha os olhos brilhantes. - Vocês, não! Esse é o momento de Sofi vamos só nós quatro, para assegurar que tudo ficará bem. - Simon explicou a filha. A loira bufou irritada. - Cuide de tudo enquanto não estivermos aqui, sim? - Tudo bem, pai. - Ela resmungou e saiu do salão irritada. Laura e Marcus saíram acompanhados de mão dados e segui os dois atrás. Era nítida a mudança de Marcus depois que sua esposa voltou. Fico feliz pelos dois. Principalmente por ele. Tio Marcus achou que esse tempo todo sua companheira estava morta e mudou da água para o vinho. Se tornou desinteressado por tudo e quase nunca saia de seu trono. Agora não, ele caminhava e sorria o tempo todo. Seus olhos que estiveram apagados durante esses anos, agora tinha um brilho especial. Chelsea devia estar tão radiante quanto ele. Ainda não a vi, mas sei que seu jeito eufórico deve estar mais divertido que nunca com sua mãe ao seu lado. Me pergunto como toda a guarda está reagindo com a volta de Laura e a mudança de comportamento de Marcus. Acho que quando tivesse tempo iria dar uma volta por aí e descobrir o que os vampiros falam sobre isso. Os vampiros sempre faziam reverencia quando os reis passavam por eles. Muitos desses vampiros eu conheço, poucos são novos, mas todos me encaravam curiosos. Atravessamos vários corredores. Virando para um lado, virando para outro e descendo as escadas. Nossa, parece até que o castelo deles aumentou mais desde a última vez que estive aqui. Onde será que mamãe estava? Ainda tinha tantas passagens que podia dar para vários caminhos que não sabia ao certo onde dizer que íamos. - Onde mamãe está? - Perguntei olhando que a medida que afastávamos começava a diminuir a quantidade de vampiros. - Está nas masmorras. - Simon disse tranquilo ao meu lado. Parei bruscamente e olhei para ele incrédula. - Você a deixou nas masmorras? Você prendeu ela? - Guinchei. - Calma, Sofi! Claro que não. - Simon se apressou a dizer. - Nas masmorras quase nenhum vampiro vai para lá e bem, Mila estava matando muitos e tivemos que levá-la para um lugar mais tranquilo e ela gostou de ficar aqui embaixo afastada de todos. - E agora mantem ela presa aqui? - Questionei zangada, não via nada de bom nisso. Simon sorriu e colocou as mãos nas costas voltando a caminhar. Apressei meus passos para chegar até ele. - Nunca! Ela pode sair e voltar à hora que bem entender, mas ela sempre prefere voltar para cá quando sai. Fiquei surpresa agora. Mamãe gostava de ficar naquela prisão? Credo, que mau gosto. Tantos quartos luxuosos que tem no castelo e ela prefere lá? É, vai entendê-la. - Por que ela ainda está aqui se não gosta de ficar com as pessoas? - Eu perguntava enquanto olhava o caminho que agora sabia qual era. - Ela só ficou para conhecer a filha dela. - Simon disse sorrindo. Fiquei boquiaberta. - Ela sabe que estou aqui? - Sabe que viria e mesmo não demonstrando percebemos que ela está ansiosa para conhecê-la. Além disso foi o único jeito de trazê-la até Volterra. Fiquei radiante mamãe queria me conhecer. Sorri como uma boba. Poucos minutos depois entramos nas masmorras. O lugar frio e silencioso tinha um tom sombrio. Fiz careta conforme andávamos. Santiago vinha sempre aqui para torturar vampiros a pedido dos reis, mas não tinha nenhum vampiro gritando. Duvido que ele esteja aqui enquanto mamãe estiver aqui, creio que os reis até mandaram ele para outro lugar e continuar com suas seções malucas de tortura.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD