Gabriel Narrando Eu tava evitando a casa. Evitando tudo que me lembrava ela. Desde que a Vanessa saiu da boca chorando, e depois foi embora com o Léo, eu não consegui mais pisar naquela casa sem me sentir sufocado. Ficar sozinho naquele lugar... onde cada canto tem o cheiro dela, o rastro dela, os detalhes que ela cuidava... era insuportável. Fiquei na boca direto. Dormindo no sofá da sala de comando, com rádio estourando o tempo inteiro, os vapores entrando e saindo. Fingindo que o movimento me impedia de pensar, mas era mentira. Cada pausa era ela. Cada segundo de silêncio, era o eco da voz dela me dizendo que precisava ficar sozinha. E aí hoje… era começo de noite, o céu começando a escurecer, quando vi. Vanessa. Correndo pela rua principal do morro. Ela sempre gostou de se cuidar,

