Gabriel Narrando A boca tava começando a esvaziar. Já passava das oito da noite, e os vapores mais experientes cuidavam do movimento que ainda restava. Fiquei sentado na sala de comando, cabeça encostada na mão, olhando pro rádio mudo. O morro tava estranhamente quieto. Ou talvez fosse só eu que tava com essa sensação. Desde que a Vanessa saiu correndo e eu fiquei parado no meio da rua, parecia que o mundo todo tinha perdido a cor. Ouvi passos na porta. Reconheci na hora. — Entra, Léo. — falei sem levantar a cabeça. Ele entrou em silêncio, mas o olhar dele tava direto em mim. — Preciso trocar uma ideia contigo. Assunto sério. Assenti e fiz sinal pra ele sentar. Ele puxou uma cadeira, largou o boné em cima da mesa e respirou fundo. — Vai rolar uma reunião grande do CV. — ele começou

