Gabriel Narrando A madrugada tava fria, e o morro… mais silencioso do que de costume. Eu desci a viela principal sozinho, sem rádio, sem escolta. Só eu e a mente fervendo. A kitnet da Vanessa ficava ali, no cantinho que eu já conhecia tão bem. A primeira vez que pisei ali foi pra resolver problema com o antigo dono. A segunda, foi pra ver ela. A mulher que virou minha casa. Quando cheguei na porta, não pensei duas vezes. Nem bati. Girei a maçaneta e entrei direto. O cheiro doce me atingiu primeiro. Chocolate. Brigadeiro. E lá estava ela. Vanessa, sentada no sofá velho, de pijama de algodão azul claro, cabelo preso de qualquer jeito, uma panela no colo e a TV ligada num filme qualquer. Ela tava igualzinha à primeira vez que vi ela ali. A diferença era o peso no ar… e no coração. — Já

