Gabriel narrando A música mudou. Ficou mais grave, mais intensa. As luzes diminuíram um pouco, criando sombras longas sobre o palco. O desfile tinha acabado. Agora, começava o que todo mundo ali esperava: o espetáculo real. Vi as meninas começarem a descer uma a uma. Saltos batendo firme no chão. Olhares escondidos por trás das máscaras. Corpos entregues ao papel que foram forçadas a interpretar. Uma delas, loira, foi direto pra mesa do chefe do Vidigal. Outra, morena, se sentou no colo do crânio da Maré. Cada homem tinha uma mulher em seu território, como se fosse uma posse, um prêmio. No centro da boate, três hastes de pole dance desceram do teto, e logo elas começaram a se revezar, dançando, girando, exibindo cada curva como se isso fosse parte de um teatro que todos fingiam a

