Acordei nos braços dele, estávamos juntos no sofá, eu tive muita vontade de não sair dali, mas decidi levantar e fazer um café da manhã, claro que só achei ** de café e açúcar nos armários, até a geladeira dele estava completamente vazia.
Servi o café para Edu que me olhava confuso mas quando me aproximei dele, percebi que estava tremendo, tocando em sua testa, notei que a febre estava alta, então fui procurar um termômetro, tirei a jaqueta e a camisa dele antes de usar o termômetro, eu não queria pensar nisso, mas me deu até um calor quando vi aquele corpo lindo, só que nem pensei mais nisso quando constatei que era grave, mandei ele direto para um banho gelado (algo que eu deveria fazer também ja que ele até sem querer me deixava em chamas). Depois o fiz deitar e fui até a farmácia, preparei o chá de envelopinho, dei um antitérmico e ele dormiu.
Fiquei ali observando seu sono enquanto fazia um pedido de mercado pelo celular, eu precisava fazer uma sopa para ele, pelo menos era assim que eu tinha aprendido a cuidar de quem está muito resfriado. Decidi que ia ficar ali e fazer aulas online, não ia conseguir prestar atenção de qualquer forma, minha cabeça estava a mil, tanto de preocupação como também por causa de como ele me fazia sentir vulnerável.
Meu peito até doía, o sentimento que eu cultivava por ele estava me corroendo e só eu sabia, mas não era um sentimento recente, eu sempre tive sentimentos por ele, claro que como criança eu não sabia identificar, mas andava atrás dele feito boba, queria só ficar perto dele e até dizia que ia me casar com ele quando crescesse... quando fiz dez anos, isso começou a soar estranho para meus pais e eles pararam de insistir para que o Tio Edu viesse nos visitar, foi assim que nos afastamos, foi porque eu já cultivava sentimentos por ele e meus pais sabiam disso.
Fui para a cozinha assim que as compras foram entregues na portaria. Fiz a sopa e o servi me aproximando da cama com cuidado.
- Oi- Eu disse sem graça- a febre finalmente cedeu, tome sua sopa, vai se sentir melhor.
- Você que fez? Mas… como?- Ele perguntou sabendo bem da realidade da sua geladeira.
- Posso não ser da capital, mas sei usar aplicativo para pedir compras do mercado.- Eu brinquei, ele sempre dizia coisas assim quando eu era criança… que eu não sabia tal coisa porque não era da capital, mesmo com coisas pequenas.
- Obrigado Carol.- Ele disse sem graça, desviando seu olhar.
- Eu que agradeço, você esta doente por minha causa, não devia ter dormido com as roupas molhadas, aliás, já mandei para a lavanderia do prédio, coloquei na sua conta, tio. - Eu disse brincando tentando aliviar o clima.
- Tudo bem, sobrinha.- ele respondeu enquanto terminava a sopa.
Fui pegar a tigela da mão dele e ele segurou meu braço.
- Me desculpa por ontem, Carol, eu fui inconsequente.- ele me olhava com intensidade, mas que d***a, ele estava se desculpando mesmo?
- Pelo que exatamente? - Eu perguntei me sentando na cama e deixando a tigela na mesinha de cabeceira.
- Eu não devia ter te beijado, nem ter saído depois, na verdade nada nunca deveria ter acontecido entre nós e eu estou muito envergonhado, eu deveria cuidar de você e não ser o b****a que eu fui ontem.
- Você se arrepende?- Eu perguntei sem pensar… mas que coisa, se ele tava dizendo que nada deveria ter acontecido, eu devia concordar com ele e pronto, mas estava ali, piorando tudo.
- Só de ter te deixado sozinha ontem.- Ele respondeu me olhando sério.
- Mas sua namorada não podia esperar né- Falei magoada me levantando mas ele foi mais rápido e me puxou para si, eu caí sobre o peito dele e ele girou ficando por cima de mim.
- Ficou com ciúme do tio?- ele começou a me fazer cócegas.
- Pára- eu reclamei o afastando e fugindo dali.- Não tem graça.
Fui emburrada para a sala, liguei a televisão e coloquei uma série enquanto ele tomou outro banho e depois veio sem camisa sentar ao meu lado.
- Porque você me beijou ontem Edu?- eu perguntei sem olhar para ele.
- Só respondo se você olhar para mim.- Ele disse virando meu rosto na sua direção.
- Então pronto, pode responder.- Olhei para ele e meu coração estava quase saindo pela boca.
- Porque eu não tive um dia de paz depois que te beijei naquela festa e quando você confessou que também pensava naquele dia, eu perdi o controle, me perdoe, não vai mais acontecer.- Ele disse mas o seu olhar nos meus lábios dizia que na verdade o que ele queria mesmo era me beijar de novo.
- Pare de se desculpar, é tão hipócrita isso.- Falei ressentida sem desviar meu olhar.
- Como assim hipócrita?- ele agora me olhava nos olhos.
- Você esta me pedindo desculpa mas estamos prestes a nos beijar novamente- eu disse quando estavamos a centimetros de distância.
- Tem razão, você vai me enlouquecer, Carol… eu não posso fazer isso.- Ele disse enquanto encostava seus lábios suavemente nos meus.
- Eu…- Desviei dos lábios dele para seu pescoço e escondi meu rosto, eu sentia meu coração batendo descompassado e o dele também. - Sabe quantas vezes eu imaginei aquele beijo se repetindo? - Confessei baixinho. Ele me abraçou com força.
- Eu não tenho namorada- Ele confessou e eu me afastei assustada olhando para ele.
- Não tem?- Perguntei surpresa.
- Eu só queria ficar longe de você, manter você longe de mim, da confusão que esta minha cabeça desde que descobri que beijei minha sobrinha.- Ele se levantou e foi até a cozinha tomar água.
Eu fiquei ali com cara de boba pensando o que ia ser da minha vida se eu estivesse realmente apaixonada pelo tio Edu.