Saí o mais rápido que pude depois de fazer o que eu tinha prometido a mim mesmo que não faria de forma alguma, eu havia beijado novamente minha sobrinha. Eu precisava tirar ela da minha cabeça e não o contrário, mas ela me atraía como ninguém.
Para falar a verdade, meus amigos sempre questionaram minha masculinidade porque eu não era como eles que sempre estava com alguma garota pendurada no pescoço, eu não queria me envolver com ninguém, até aquele terrível dia da festa, Carol me deixava sem rumo e se eu não desse um jeito nisso agora, seria pisoteado pelo tal “elefante na sala”.
Fui para um barzinho onde encontrei meu amigo Jordan.
- Cara, o que aconteceu com você, nunca te vi com essa cara e nunca te vi num bar, ainda mais bebendo.- Ele disse preocupado.
- Sabe aquela garota, minha sobrinha?
- A que você beijou? Como eu ia esquecer uma história dessas né.
- Pois ela está no meu apartamento agora, e claro, ela também lembra do beijo e ao invés de facilitar minha vida e fingir que nada tinha acontecido, ela faz exatamente o oposto, me pergunta se eu pensava nesse beijo.
- E qual o problema de ela estar afim de você, cara? Ela nem é sua sobrinha de verdade.
- Vai dizer isso para o meu irmão, Jordan. Ele confiou em mim, mandou a filha para ficar na minha casa o final de semana porque acredita que vou cuidar bem dela.- Falei derrotado virando o copo daquela bebida doce.
- Você esta bebendo Amarula? Você é muito estranho- Jordan constatou- Olha, se está tão preocupado, só evita chegar perto dela até domingo e pronto.
Olhei para ele com cara de “tarde demais” e ele entendeu o que eu queria dizer.
- A não ser que você ja tenha feito alguma besteira.
-Ela me provocou, eu cedi, dei um beijo nela, mas antes avisei que nunca mais ia acontecer… que tipo de i****a eu sou?
-Pelo visto é um daqueles que esta apaixonado e age sem pensar… mas me conta, e depois do beijo?
- Depois eu decidi que ia afastar ela de mim custe o que custar, disse que estava saindo para ver minha namorada e que não dormiria em casa.
- Você é um mané, Edu. - Ele me deu um t**a na testa. - Vai dormir na minha casa então né?
-Sim- eu disse derrotado virando mais um copinho de bebida e me sentindo tonto.
Vamos logo então, essa sua bebida aí pode até ser docinha, mas dá uma tremenda ressaca no outro dia.- Ele pegou as chaves no bolso da minha jaqueta de aviador- E eu dirijo.
Fiquei no carro pensando na Carol, o que ela estava fazendo, como estava se sentindo, eu não devia ter beijado ela novamente, mas ela estava ali, praticamente pedindo para ser beijada, pedindo para relembrar aquele dia e eu não pude resistir.
Mas não era só isso, não era só desejo, desde aquiele primeiro beijo nosso eu tenho pensado em muito mais, eu queria que ela fosse minha esposa e isso é muito maluco. Como eu poderia explicar uma coisa dessas para o Theo? E para nossos pais? Como seria o jantar onde eu ia apresentar minha namorada e de repente eles veem ali a sua neta?
É muita coisa para processar, isso que nem sei qual interesse da Carol, quem sabe seja apenas algo de momento, uma fantasia com um cara mais velho ou com amor proibido. Como posso saber? Perguntar não é uma opção, ja vi que conversar sobre o assunto só acende mais essa chama em nós então vou manter distância, tentar manter a cabeça no lugar, arrumar uma namorada de verdade e esquecer essa maluquice.
Tem a Sofia, ela sempre quis namorar comigo, ela é uma garota que as vezes sai comigo, a gente se dá bem em todos os sentidos, é uma boa amiga, divertida e sexy. Acho que devo dar uma chance a ela e aproveitar para tentar esquecer esse furacão chamado Carol que nesse momento esta dormindo na minha cama.
Depois de tomar um banho gelado, o efeto do álcool ja estava passando e um sentimento fraternal me invadiu... será que Carol não estava com medo sozinha numa cidade estranha em um apartamento estranho?
Para ajudar, uma tempestade começou, fiquei imaginando ela sozinha lá e fiquei preocupado. Larguei o carro na casa do meu amigo e fui a pé até o meu apartamento que era no outro oposto da rua XV, andei na chuva pelo famoso calçadão iluminado pelas luzes de natal que ja estavam brilhando essa época do ano.
Cheguei enxarcado, raios e trovões começaram a ficar cada vez mais fortes e quando entrei no apartamento, me deparei com Carol chorando na sala, ela tremia tanto que deu para ver de longe. Quando me viu ela correu me abraçar (sem se importar que eu estivesse molhado) como fazia quando era criança… é claro! por isso tive a sensação de que precisava voltar, ela tinha medo de tempestade, muitas vezes eu cuidei dela quando era criança e ela sempre se escondia nos meus braços chorando quando havia uma tempestade.
-Graças a Deus você voltou, eu estava com muito medo Edu.- Ela se escondeu no meu peito, nesse momento parecia apenas aquela criança por quem eu tinha um amor fraternal.
Eu a acolhi, peguei no colo e a levei para o sofá onde permaneci com ela escondida nos meus braços até que nós dois adormecemos. Acordei deitado no sofá com um cobertor sobre mim e um agradável cheiro de café, olhei curioso na direção da cozinha e Carol vinha com uma caneca de café na mão a qual me entregou.
- Você tinha razão quando disse que não tinha nada em casa, pelo menos achei café.- Ela me deu a caneca.
- Obrigado.- Respondi confuso, mas logo me deu uma crise de espirros, claro, eu havia dormido com aquela roupa molhada da chuva.
- Eu tenho aula hoje o dia todo, então, vou comer na rua, volto só a noite, esta bem?
- Tudo bem.- Respondi com uma dor de cabeça imensa.
- Você não parece nada bem, deixa eu ver- Ela aproximou-se e colocou a mão na minha testa- Meu Deus, você tem um termômetro?
- Acho que sim, no banheiro.- Eu estava tremendo de frio e nem notei.
- Achei. Deixa eu ver.- Ela foi abrindo minha jaqueta e tirando sem se importar com mais nada, tirou inclusive minha camiseta que ainda estava molhada. - Aqui, coloca isso. - Ela me entregou o termometro e eu obedeci deitando novamente no sofá, quando apitou ela pegou antes que eu o visse e me olhou assustada.
- Já para o chuveiro.
- Ta bom, mãe. - Fui tirando a calça pelo caminho e entrei no chuveiro só de cueca, ela fez questão de deixar a água gelada, foi a sorte porque mesmo febril a proximidade com ela não estava sendo fácil.
- Termina seu banho e deita, vou buscar remédios na farmácia aqui em baixo, ja volto.
- Mas e as suas aulas?- Perguntei preocupado.
- Eu faço online, não vou te deixar sozinho aqui, é muito perigoso com essa febre.- Ela estava com o olhar preocupado e meu coração se derreteu por ela ainda mais.
Carol voltou, me deu o remédio e um chá que eu tomei meio dormindo, acho que dormi algumas horas porque quando acordei, ela havia feito uma sopa para mim. A chuva lá fora agora era bem fraca, mas era um típico dia cinza de Curitiba.
- Oi- Ela disse sem graça- a febre finalmente cedeu, tome sua sopa, vai se sentir melhor.
- Você que fez? Mas… como?
- Posso não ser da capital mas sei usar aplicativo para pedir compras do mercado.- Ela brincou.
- Obrigado Carol.- Eu falei sem graça, desviando meu olhar do olhar preocupado dela.
- Eu que agradeço, você esta doente por minha causa, não devia ter dormido com as roupas molhadas, aliás, já mandei para a lavanderia do prédio, coloquei na sua conta, tio. - ela disse travessa
- Tudo bem, sobrinha.- eu respondi enquanto terminava a sopa que a propósito estava muito boa.