Final de Ano

1728 Words
EDU Como gratidão por ter cuidado bem da Carol quando esteve em Curitiba para o vestibular, recebi o convite para a festa de natal da família Thomaz, mas que ótimo não é mesmo? Carol não saia da minha cabeça, o jeito triste dela quando foi embora partiu meu coração mas eu tinha que esquecer dela e, se ia nessa festa, era hora de apresentar minha nova namorada à família, convidei Sofia para ir comigo e ela ficou toda animada entendendo que eu estava me comprometendo com ela ja que finalmente tinha decidido levá-la comigo. Eu sei, você deve estar me julgando por querer esfregar outra garota na cara da Carol, mas antes de ficar irado comigo, saiba que ela esta namorando, esta em todas as redes sociais dela, lindas fotos a propósito com um cara da idade dela, ele também estará lá para o natal, será uma linda e alegre festa. (sim, contém ironia, ja que não vou suportar vê-la com esse cara, ele tocando nela, beijando-a e sei lá mais o quê). Para diminuir o sofrimento, decidi descer a serra até Paranaguá somente no dia 23, eu também não era louco de viajar na véspera, mas também ja havia avisado que não ia me hospedar na casa do meu irmão, eu ia ficar no maior e mais famoso hotel da cidade onde também poderia esfriar a cabeça na piscina toda vez que precisasse. Durante a viagem, Sofia conversava animadamente enquanto eu apenas respondia o básico, logo ela notou que eu não estava muito afim de conversar e acabou dormindo, era fácil a convivência com Sofia, ela era muito tranquila, não criava confusão, não era ciumenta e nem fazia tempestade em copo d´água, era a garota mais “de boa” que eu conhecia, por isso pensei que poderia dar certo. Decidi que só ia para a casa do meu irmão no dia 24 perto do horário do jantar, assim evitaria passar muito tempo. Para aumentar a nossa alegria, nossos pais estariam presentes, eu não sei bem o que houve mas eles se tornaram amargos e críticos, era impossível a convivência então normalmente evitávamos confraternizar com eles, o que realmente é muito triste, tenho lembranças ótimas da nossa infância, mas acho que foi algo quando saímos de casa…o Theo para se casar e eu logo depois para estudar um tempo fora, depois nunca mais voltei morar com eles pois quando tentei, já eram essas outras pessoas, muito diferentes dos pais que tivemos na infância. Eu e Sofia chegamos cedo, quando entramos no portão, ja vi Carol no jardim com o namorado, ele parecia que ia devorá-la, ela estava desconfortável com a forma que ele passava a mão no corpo dela e estava tentando afastá-lo, e eu… oras, eu fiquei muito irritado, então, o que mais poderia fazer… agi como um tio, ao descer do carro e passar por eles eu disse: - Deveria ter mais respeito na casa dos seus pais, pirralha. Carol deu um salto e se afastou do namorado que me olhou com petulância respondendo. - Fica de boa, tio.- ele disse e se levantou do banco onde estava, ficando na minha frente, era um moleque com boné virado para trás e calças largas de skatista, não me pergunte o que Carol via nele porque eu não faço ideia. - E você- coloquei o dedo na cara dele- Devia aprender a respeitar uma garota. - Quem é você pra me dizer o que fazer, cara, se liga tiozão, vai arrumar uma garota pra você porque essa ja é minha.- Ele agarrou Carou pela cintura a puxando para si de forma possessiva. Carol colocou a mão no peito dele e o afastou, ela estava envergonhada. - Ele é meu tio, Caio. Melhor você ir agora. Sofia se aproximou colocando a mão em meu ombro. - Um tio ciumento demais- ele criticou.- mas prazer em conhecê-lo, tio- Ele teve a audácia de estender a mão para mim enquanto me olhava cínico então eu segurei a mão dele e apertei até que ele gemeu de dor. - Você não faz ideia do quanto sou ciumento, e se eu vir você desrespeitando a Carolina novamente, vou quebrar a sua mão.- Eu disse com os olhos firmes nele. - Ta bom cara- Ele xoramingou.- Ja estou indo Carol.- Ele saiu rapidamente segurando a mão. - Você esta bem?- Sofia se aproximou de Carol com gentileza. - Tudo bem, obrigada.- Ela falou triste.- Sou a Carol, sobrinha do Eduardo, você deve ser a namorada dele. - Sim, sou a Sofia, prazer em conhecê-la e… que cabelo lindo você tem.- Ela sorriu gentil. - Obrigada.- Carol sorriu tímida- E agora será que eu ganho um abraço, tio? - Vem cá, pirralha.- Eu a abracei e meu coração logo começou a bater descompassado, tentei afastá-la mas ela me segurou e falou no meu ouvido. - Desculpa por isso, Caio é um i****a. Eu só assenti com a cabeça contrariado enquanto ela já puxou Sofia para dentro apresentando a todos. Ela estava indo melhor do que eu nessa coisa de fingir que nada havia acontecido e ao invés de achar ótimo, eu estava me corroendo por dentro. CAROL Eu reuni todas as minhas forças para fingir que estava tudo bem quando ouvi a voz do Edu, o conflito dele com o Caio pelo menos me ajudou a ter um tempinho a mais para me recompor. Decidi que seria amiga da namorada dele, assim eu teria mãos um bom motivo para não dar lado para meus sentimentos conflitantes. Após nos apresentarmos, peguei Sofia pela mão e fui apresentá-la para o restante da família. Todos estavam encantados com a moça, até mesmo eu, ela era doce, gentil e parecia gostar mesmo do Edu. Meus avós foram os únicos que não demonstraram muita simpatia, eles eram tão frios…sempre achavam defeito em tudo, claro que estavam procurando defeitos na Sofia também. -Então você não tem uma graduação?- Meu avô perguntou. -Isso mesmo, não pude fazer uma faculdade porque tinha uma empresa para fazer funcionar.- Sofia tinha uma empresa que valia milhões, digamos que ela começou o negócio certo na época certa. -Mas isso não é desculpa, veja nossa neta, ela faz faculdade online.- Minha avó disse. -Pois é vovó, mas se eu tivesse uma empresa que vale milhões como a da Sofia, eu não estaria gastando meu tempo em algo que não fosse a empresa também.- defendi Sofia que me olhou agradecida. -Eu simplesmente não entendo esses jovens, na minha época um diploma valia muito.- Meu avô reclamou. -Eu entendo sua frustração vovô, mas realmente são outros tempos, o conhecimento prático vale tanto quanto um diploma hoje em dia. Se alguém mostra que sabe fazer algo, essa pessoa hoje em dia é reconhecida, mesmo que não tenha nem terminado os estudos. -É verdade- meu pai disse entrando na sala- tem um jovem que conheço, ele nem terminou o fundamental, mas ele descobriu um negócio chamado “dropshiping” e ganhou rios de dinheiro, as vezes ganha mais do que eu. -Oi Theo- Edu cumprimentou meu pai mas enquanto o abraçava, olhou para mim e engoliu seco, acho que inclusive vi uma lágrima, seria culpa o que ele estava sentindo? -Oi irmão, e essa deve ser a Sofia. -ele a cumprimentou- É um prazer conhecê-la querida, seja bem vinda à nossa casa. -Obrigada.- ela respondeu sem graça. -Sofia, queria uma dica sua, você pode me ajudar? - eu disse para tirá-la de perto dos meus avós, mas também porque queria sair dali, olhar para o Edu e ver seu olhar triste estava acabando comigo. -Claro.- Ela me seguiu pelo corredor e fomos até meu quarto. -Me desculpa por isso, eles são pessoas difíceis. - Eu justifiquei. -Eduardo tinha me falado deles, que são presos à pensamentos antigos, rígidos na mente… mas são boas pessoas, dá para ver. -Você que é uma ótima pessoa, Sofia, da para ver porque meu tio gosta de você.- eu disse enquanto escolhia alguns vestidos no armário, ainda não havia me decidido o que usar no jantar. -nos damos bem, mas eu sei que o coração dele não me pertence.- ela disse um pouco triste. Puxei Sofia pela mão e a fiz sentar na cama comigo. -Porque está dizendo isso? Ele te trouxe até para conhecer a família, ele nunca trouxe ninguém antes.- eu juro que estava sendo sincera, se fosse para ver Edu com outra garota, que fosse alguém como a Sofia. -Você também o ama, Carol?- ela perguntou sem rodeios me olhando nos olhos. Dei um salto e me levantei da cama saindo de perto dela assustada. -Eu não…não sei do que você está falando. - Eu disse contendo as lágrimas. -Eu só aceitei vir com ele para ver com os meus próprios olhos e ter certeza de que não havia espaço para mim na vida dele.- Sofia disse se levantando também.- Quando chegamos e ele fez aquela cena com seu namorado eu tive essa certeza. -Mas…não entendo onde você quer chegar. -A noite é com você que ele sonha, Carolina. Várias vezes ele fala dormindo, ele está sofrendo. Aquilo era demais para mim, porque eu estava me falando tudo isso, será que ela não sabia que era um amor impossível? -Porque Sofia? Por que você está me falando tudo isso? - comecei a falar chorando- Por que não o conquista? O leva pra outro país, sei lá… -Não é a mim que ele quer, Carol e se você me acha mesmo tão incrível, também deve concordar que mereço a chance de ser amada- ela também estava chorando- faz anos que tento ganhar o coração dele sem sucesso e me cansei de ser um step. -Sinto muito Sofia, você tem razão, você com certeza merece ser muito feliz.- eu a abracei. -Você não respondeu minha pergunta, você o ama?- ela perguntou ao se afastar do abraço. -Você viu nossa família, é impossível.- eu disse fugindo da pergunta. -Não foi o que perguntei.-Sofia me olhou séria. -Não importa o que eu sinto.- sentei na cama, escondi meu rosto nas mãos e chorei amargamente. Sofia sentou ao meu lado, pegou uma das almofadas da cama e colocando em seu colo, me deitou ali, ela acariciava meus cabelos enquanto eu tentava sem sucesso regular minhas emoções que estavam mais do que confusas… era mesmo a namorada do Edu ali me consolando? Que coisa mais maluca.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD