Saímos da suíte. Nossa conversa, encerrada. O corredor estava deserto. As malas já tinham sido levadas. Nossos passos no piso de pedra ecoavam com uma finalidade sombria, como o bater de um martelo em um prego de caixão. Não olhei para trás. Não olhei para a cama onde tínhamos dormido separados por abismos e unidos por pesadelos. Não olhei para a janela onde vi o sol nascer tantas vezes, perguntando-me se aquele dia seria o meu último. Descemos a escadaria principal. A casa estava imersa naquela quietude tensa que precede as tempestades ou sucede as tragédias. Quando cruzamos o portal de entrada e o ar da noite tocou meu rosto, vi a cena montada no pátio de cascalho. A frota estava pronta. No primeiro carro, uma limusine preta com vidros tão escuros que pareciam poços de piche,

