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A Virgem da Máfia Vermelha

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Blurb

Vendida por sua família. Forçada a um casamento.

Emanuele Santos, 18 anos, é arrancada da sua vida no Brasil e levada para a Sicília, direto para a fortaleza da Máfia Vermelha. Seu novo dono: o impiedoso Don Vittorio Rossi.

Sua missão: casar-se com Dante, o filho quebrado do Don, e gerar um herdeiro para a Famiglia. Um herdeiro com o sangue do Novo Mundo.

Mas Dante é um homem atormentado que ama outra mulher. Em um pacto desesperado, ele jura não tocar em Emanuele por um ano.

Quando uma tragédia brutal destrói o que resta da alma de Dante, sua fria indiferença se transforma em um ódio perigoso. E Emanuele, trancada com ele em uma suíte luxuosa, se torna o alvo de toda a sua fúria.

Ela sobreviveu ao ser vendida. Mas conseguirá sobreviver ao próprio marido?

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Capítulo 1: Emanuele
A poeira fina grudava na minha pele suada, um carimbo familiar ao fim de mais um dia de trabalho. Meus pés doíam dentro das sandálias gastas, cada passo um lembrete das dez horas que passei de pé, repondo enlatados e sorrindo para clientes no mercado. Ontem, eu tinha acabado de completar dezoito anos. Hoje, a única coisa que eu sentia era o peso de todos os dias que viriam a ser exatamente iguais a este. Até que vi um brilho anormal que me fez parar. Na frente da minha casa, a menor e mais remendada da rua, um carro preto reluzia sob a luz fraca do poste. Era uma aberração. Um monstro de metal e luxo estacionado onde só havia terra batida e vira-latas magros. Senti um nó frio se formar na boca do estômago. Aquilo não pertencia ao nosso mundo. Empurrei a porta de madeira, que rangeu como um protesto. E então eu os vi. Dois homens, sentados nos nossos melhores tamboretes, que ainda assim pareciam frágeis demais para eles. Vestiam ternos escuros, impecavelmente cortados, um insulto à poeira que cobria cada móvel da nossa sala, apesar da constante limpeza da minha mãe. Usavam óculos escuros, mesmo que lá fora a noite já tivesse engolido o sol. Um deles batucava os dedos na perna, um som rítmico e impaciente que ecoava no silêncio pesado do cômodo. Meu pai estava na rede, o corpo balançando devagar. Na sua mão, a faca de cozinha descascava uma laranja em um único e longo cacho de casca, o movimento preciso e indiferente. Minha mãe estava encolhida na cadeira de balanço, o seio exposto enquanto amamentava o pequeno Jonas. Meus outros quatro irmãos, de olhos arregalados, formavam uma pequena plateia silenciosa perto do fogão. Ninguém ousou me dar as boas-vindas. O ar era denso, quase impossível de respirar. — Manu — a voz do meu pai saiu arrastada, sem emoção. Ele não tirou os olhos da laranja. — Mande seus irmãos lá pra fora. Vão brincar no quintal. Não havia o que brincar no escuro, mas a ordem era clara. Empurrei os pequenos pela porta dos fundos, sentindo seus corpos trêmulos passarem por mim. Quando voltei, o silêncio era ainda mais afiado. — Te senta aí, Emanuele — minha mãe sussurrou, a voz embargada. Ela ajeitou o bebê no colo, cobrindo-se. Eu não me sentei. — O que está acontecendo? Quem são eles? Meu pai finalmente parou de cortar a fruta. Ele fincou a ponta da faca na polpa da laranja e a ergueu, o suco escorrendo pela lâmina. Seus olhos encontraram os meus, e neles não havia nada além de uma resignação dura como pedra. — É uma oportunidade — disse ele. — Uma chance de dar uma vida melhor pra esta família. De construir uma casa de tijolo, de botar comida na mesa sem ter que escolher quem come mais. O homem que batucava os dedos parou. — Seu pai fez um bom negócio, menina — falou com um sotaque que meu nervosismo não me permitiu que reconhecesse. — Um negócio que vai garantir o futuro dos seus irmãos. O nó no meu estômago se apertou até virar uma garra de gelo. — Que negócio? Foi minha mãe quem respondeu, as palavras saindo como um veneno que ela mesma era forçada a beber. — Eles vieram te buscar, minha filha. Você vai se casar. O mundo se inclinou, torto, eu quase caí com o que acabara de ouvir. Casar? Com quem? O filho de um fazendeiro da região? O filho de um político importante? — Você vai para a Itália — meu pai continuou, a voz cortante como a faca em sua mão. — Vai se casar com o filho de um homem muito importante. Um homem que nos deu dinheiro suficiente para nunca mais passar necessidade. Itália. Máfia. As palavras que eles não diziam gritavam na minha cabeça. As peças se encaixaram com uma violência brutal. O carro. Os ternos. A frieza. — Vocês... vocês me venderam — o sussurro saiu rasgado da minha garganta. — Nós te demos um futuro! — ele rosnou, levantando-se da rede. — Você já tem dezoito anos! É uma mulher feita! O que ia fazer aqui? Continuar no mercado ganhando uma miséria? Você nem pra passar em medicina serviu, como era seu sonho i****a! Cada palavra era um tapa. A menção ao vestibular, a minha falha mais recente e dolorosa, foi o golpe final. Eles estavam usando meus sonhos mortos para justificar o pesadelo que estavam criando para mim. Olhei para o rosto da minha mãe, buscando um pingo de ajuda, de remorso. Encontrei apenas lágrimas silenciosas e um desviar de olhar. Para ela, eu já estava perdida. Meu cérebro, o mesmo que não tinha sido bom o suficiente para a medicina, começou a trabalhar em alta velocidade. Gritar não adiantaria. Lutar aqui, dentro desta sala, seria inútil. Eu precisava de uma chance, uma única brecha. Respirei fundo, forçando meus músculos a relaxarem. Ergui o queixo e olhei para o homem mais próximo de mim, o que parecia ser o líder. — Eu entendo — minha voz saiu surpreendentemente calma. — Se é para o bem da minha família... eu aceito. Vi um lampejo de alívio no rosto dos meus pais. O homem de terno ergueu uma sobrancelha, talvez surpreso com a minha rápida submissão. Ele fez um gesto com a cabeça em direção à porta. — Vamos. Temos uma longa viagem. Dei o primeiro passo. E então o segundo. Quando passei ao lado dele, usei toda a força que tinha. Girei meu corpo e disparei em direção à porta da frente. Minha mão quase tocou a madeira. Era a liberdade, a escuridão da noite, a minha única chance. Quase. Um braço de ferro envolveu minha cintura, me erguendo do chão. Eu me debati, chutei, arranhei, mas era como lutar contra uma parede. O outro homem se aproximou, e eu vi um pano branco em sua mão. O pânico explodiu no meu peito, selvagem e absoluto. Ele pressionou o pano contra o meu nariz e minha boca. Um cheiro químico, doce e doentio, invadiu meus pulmões. Minha força se esvaiu em um instante. As luzes da sala começaram a girar, se transformando em borrões. A última coisa que vi foi o rosto do meu pai, parado, observando sua filha ser apagada do mundo. Depois, apenas escuridão.

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