Fiquei no chão molhado do banheiro por não sei quanto tempo, tremendo. O som do martelo do lado de fora era a trilha sonora da minha humilhação. Quando o barulho finalmente cessou, o silêncio que se instalou pareceu ainda mais pesado. O trabalho dele estava concluído. Levantei-me, as pernas bambas. Olhei para a navalha na pia. Seria melhor levá-la comigo? Mas para quê? A cena se repetiria. Ele a tomaria de mim como se eu fosse uma criança. Eu não conseguiria tirar uma vida. Eu não era como eles. Abri a porta do banheiro, devagar, apenas uma fresta, e espiei. Na penumbra do quarto, o cretino estava na cama, de costas para mim, ressonando como o d***o que me ameaçou minutos antes. Só porque eu dei um tapa nele. Um tapa que, pelo jeito que ele me desarmou, talvez nem tivesse sentido dir

