O som do líquido batendo no terno de linho foi abafado, mas para mim, soou como um trovão. O riso do irmão bonitão morreu em sua garganta, substituído por uma expressão de choque puro. O vinho escorria pelo seu peito, uma mancha escura e feia em sua perfeição arrogante. A adrenalina cantava em minhas veias, quente e selvagem. E eu não resisti. Inclinei-me sobre a mesa e, em um português claro e venenoso, soltei as palavras que estavam presas em mim. — Ria agora, seu filho da p**a. O silêncio que se seguiu foi pesado, absoluto. Todos os olhares, que antes estavam em mim, se cravaram no desastre que era o terno do homem. E então, como um ímã, voltaram para mim. Foi a velha senhora, a múmia, quem quebrou o feitiço. Para meu espanto, uma risada rouca e seca escapou de seus lábios finos

