Ninguém ousou dizer uma palavra. Era como se a voz tivesse deixado de existir no mundo assim que o portão de madeira se fechou, isolando o pátio da rua. Romeo já estava entrando pela porta dupla principal quando descemos do carro; vi apenas o vulto do seu terno amassado e o apoio dos guardas antes que ele fosse engolido pelo interior do palácio. Emanuele veio imediatamente para o meu lado. Sua mão agarrou meu braço, os dedos apertando o tecido do meu paletó. Como marido e mulher. Nossa verdade inegável aos olhos de todos, uma mentira consentida na cama. Caminhamos pelo pátio. O céu acima do fosso de pedra tinha poucas estrelas, ou talvez nenhuma; a poluição luminosa da cidade as apagava. Toda a luz vinha das arandelas elétricas fixadas nas colunas de pedra e das janelas iluminadas do

