O barulho era infernal. A cada solavanco da moto na estrada de pedra, as latas amarradas por minha avó batiam umas nas outras, um chacoalhar de carnaval fúnebre que ecoava pelas colinas. Some-se a isso o rugido do motor da minha Moto Guzzi V7 Stone, e o resultado era uma cacofonia projetada para enlouquecer um homem. E havia o toque dela. O peso indesejado em minhas costas, as mãos agarrando meu paletó com a força de quem está se afogando. Cada ponto de contato era uma repulsa, um lembrete físico e constante do meu novo papel: marido. Marido de uma estranha. Quando vi a "decoração" na minha moto, meu primeiro impulso foi arrancar tudo aquilo com as próprias mãos. Eu senti o olhar de Romeo, a provocação velada, o sorriso que ele m*l se dava ao trabalho de esconder. Minha raiva ferveu. M

