A tarde morria lentamente do lado de fora da minha janela. Sentada em minha poltrona, eu arrumava as cartas de um baralho antigo, uma partida de Paciência que se recusava a ter fim. Um reflexo do dia. Da semana. Da minha vida. Cada carta, uma peça em um jogo que eu não controlava mais. Vittorio, o rei previsível. Dante, o valete de copas, quebrado. E a brasileira... a rainha de espadas, talvez? Uma peça selvagem, imprevisível. Refleti sobre nossa última conversa. Às vezes eu achava que meu erro era conhecer meu filho tão bem. Se eu estivesse certa, e geralmente eu estava, as consequências que viriam a seguir seriam devastadoras. E já poderiam estar correndo em minha direção. De repente, batidas frenéticas na porta do meu quarto, um som de pânico que fez as cartas em minha mão tremere

