Suas mãos subiram e tocaram meu véu. O mundo, que já era um borrão, pareceu escurecer por um instante. Meu corpo inteiro gritava. Vire o rosto. Morda. Cuspa. Faça alguma coisa. Eu queria, com todas as minhas forças, negar a ele aquele último pedaço de mim, aquele gesto que deveria ser entregue por amor, não por ordem. Mas eu paralisei. O medo tinha raízes profundas, e elas me prenderam ao chão de pedra da capela. O olhar de Vittorio, mesmo que eu não o visse diretamente, queimava em minhas costas. Um movimento errado, um escândalo, e a punição seria rápida e severa. Eu já tinha testado os limites uma vez. Não me atreveria a fazê-lo de novo, não no altar. Ele ergueu o véu. E eu o vi, de perto, sem filtros. A fúria em seus olhos verdes era uma chama fria, direcionada inteiramente a mim.

