O padre disse as palavras, e o ritual exigia o beijo. Ergui as mãos e toquei a renda do véu. O tecido era antigo, delicado. E por baixo dele, estava o meu pesadelo particular. Levantei o véu com a lentidão de quem executa uma sentença. Seu rosto foi revelado sob a luz das velas. Haviam tentado arrumá-la, transformá-la em uma noiva. Havia pó em seu rosto e algo escuro em seus cílios. Uma mulher fútil, que se deixava pintar para o abate. Com aqueles olhos escuros e grandes, quase amendoados, poderia facilmente ser confundida com uma prostituta de rua, dessas com olhar de cigana. O rosto era seco, os ossos da bochecha proeminentes. Um corpo magro, de quem provavelmente passava fome de onde veio. Com a abundância de comida na villa, eu me perguntei quanto tempo levaria para que a brasileir

